A Geografia como um instrumento de sobrevivência:

A sistematização do discurso da Geografia foi desenvolvida a partir de conflitos, afinal é uma ciência, conforme Yves Lacoste, “Serve em primeiro lugar para fazer a Guerra”, os generais de guerras assumiram a cartografia, os conhecimentos sobre o relevo e atuação social sobre um “palco” para agredirem seus inimigos. São conhecimentos que estavam em locus na sociedade antes da existência da Geografia como uma ciência. Essa reflexão faz compreender exatamente o papel da Geografia enquanto conhecimento e saberes para vida. Se generais utilizaram a Geografia para as batalhas grandiosas  que marcou a história da sociedade em guerras de proporções continentais, como a primeira Guerra mundial e segunda, então, é imprescindível  pensar a Geografia como saber para a sobrevivência com os conflitos do cotidiano e a vida social dos homens e mulheres comuns. Este artigo de opinião quer apresentar este outro lado da Geografia Escolar, como um mecanismo de sobrevivência e, além do mais, saberes pré-existente e de certa forma instintivo do homem.

O conflito é fundamentalmente um instrumento instintivo de sobrevivência; dentro da concepção natural, existem três formas de natureza: mineral, vegetal e animal, somos, nesta perspectiva, animais, enfim, como tal, para viver, dependemos das condições de reprodução, estamos em constante conflito. Nas mais simples situações, estamos em conflito, um bom exemplo é o vegetal emitindo gás (oxigênio) para a nossa respiração e emitimos o gás (Carbônico) para o vegetal se reproduzir, esse conflito é instintivo, portanto, no processo histórico da sociedade, para facilitar nossa reprodução de vida em conflito com a natureza, desenvolvemos capacidades de organizar, estabelecer o tempo e espaço, bom, isso é Geografia.

Conforme a sociedade foi aprimorando sua relação com a natureza, com recursos para sua reprodução de vida, novas técnicas foram aparecendo. A localização e organização do seu próprio espaço, foi uma das primeiras formas de controlar a relação conflituosa. Enquanto o homem nômade não possuía domínio de habilidades para organizar seu espaço e formar um conceito de local e lugar, o homem sedentário se diferencia justamente por aprender estabelecer seu espaço. A Geografia surge no cerne da vida humana antes mesmo da escrita e forçou a vida em sociedade, afinal, a Geografia é uma ciência hoje, mas, os conhecimento serviram desde o início para determinar a organização, os processos de produção e vida política em sociedade.

Uma das coisa que devemos reconhecer é como prosperou a vida social. Na idade antiga por exemplo, a organização social, ou seja, a Geografia da sociedade teve grandeza. As cidades impérios, seus deuses e formas políticas de sobrevivência ganharam grande proporções; Foram as necessidades de melhorar as técnicas, organização do espaço que o homem se interessou em descobrir mais sobre o meio em que vivia, a filosofia, geometria os sistemas alfas e numéricos forma cada vez mais impressos como forma de entender o mundo, a Geografia ainda assim estava como plano de fundo, afinal, todo o conhecimento que se adquire era para melhorar os conflitos de reprodução para vida, uma melhora da organização do espaço e tempo e ações da sociedade. Foi neste contexto que a astronomia e a geometria alcançaram novos registros da existência do planeta e da vida.

Os conflitos entre os impérios levaram a idade antiga para o colapso, aparecendo uma nova organização espacial da sociedade. Estamos falando da idade média e o sistema feudal de economia. Foi da metade deste momento histórico que a idade moderna aparece, mas, foi também neste contexto que a cartografia se tornou fundamental. Os conflitos religiosos levaram a sociedade a repensar sua existência e, por este motivo, desbravar novos mundos. A cartografia (o uso dos mapas para associar a organização da sociedade e a localização), se tornou uma ciência usual, os mapas transcrevia rotas, mas também orientação religiosa, política e cultural. O homem, desde que fora nômade já produzia seus mapas, os estudiosos antropólogos afirmam que o mapa é a primeira forma de escrita conhecida pelo homem, contudo, os mapas na idade média foram responsáveis por ajudar na transformação para uma sociedade capitalista.

No momento em que vivemos a Geografia é muito usual no cotidiano, não só por usar os mapas, mas por ser uma prática humana da organização do seus espaços. Em um mundo individualista, compreender a Geografia como uma ciência é saber utilizar o espaço e tempo, ou seja, entender os fatores e elementos existentes, bem como recursos e como usá-los e também saber que os resultados negativos que a sociedade está manifestando é uma construção histórica do uso  espacial.

De maneira geral, este texto é apenas uma reflexão sobre a importância da Geografia na vida cotidiana, não é intenção exemplificar experiência, apenas, de uma forma bastante leviana apresentar algumas peculiaridades da história social que permite refletir sobre a Geografia na vida das pessoas. Por fim, se os generais ganharam e perderam guerras a partir dos fundamentos da geografia, porque não o cidadão comum aprender a dominar seu espaço e tempo geográfico.

Prof. Esp. Marcio de Castro Domeneguetti

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