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Por que o Brasil Precisa Urgentemente de Mais Engenheiros do que Advogados e Médicos? Em destaque

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Concordo em partes no que o autor disse.
As áreas de humanas e biológicas se concentram quase todas em Direito e Medicina, respectivamente.

Sou graduando na área de humanas, e meu curso não recebe toda essa atenção que o autor mencionou enfatimente. Sobre a quantidade do número de mestrados e doutorados, são muitos os formados que procuram faze-los para aumentar a remuneração profissional, que está longe de ser ideal. Ao contrário de um recém-formado em um curso de Engenharia Civil, que já inicia a carreira com um salário razoável e tende a subir. Aliás, a própria concorrência entre as Engenharias está quase a par entre esses dois cursos em diversas universidades do Brasil.

A maioria das pessoas escolhem Direito ou Medicina somente para ter status social e satisfazer as vontades da família. Típico pensamento do século XIX que ainda está arraigado na cultura brasileira.

Outro pensamento anacrônico está no fato do brasileiro comum pensar que não o país não pode desenvolver uma tecnologia decente e que esteja a par de suprir as necessidades nacionais. Para o cidadão comum , tudo de melhor vem dos Estados Unidos, Europa, Japão e afins, e parece que não temos capacidade de desenvolver e produzir aparatos tecnólogicos nessa área.

A maioria dos meus colegas que conheço e que estão cursando algo nessa área, só estão interessados nos salários e bons empregos que são oferecidos no mercado de trabalho. O Brasil ainda não tem uma tradição forte em pesquisa acadêmica, seja na àrea de biológicas, humanas e muito menos ainda de exatas. É algo mais cultural do que uma simples opção dos estudantes.
Resposta do autor

Caro Pedro,

Agradeço seu comentário. Como a sua pessoa não especificou qual graduação está fazendo, não posso lhe dar uma resposta também mais específica. Quando afirmei que as áreas de ciências humanas, sociais e biológicas produzem um maior número de teses de mestrado e doutorado (além das monografias e trabalhos de conclusão de curso) estava me referindo estatisticamente. Sugiro que faça uma pesquisa no site do MEC, IBGE e demais fontes para clarificar melhor esta questão.

http://www.mec.gov.br/

http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/pesquisas/educacao.html

Pense nisto: a relação custo/benefício para se montar uma estrutura física com bibliotecas e laboratórios e outros aspectos é muito menos custosa com as ciências humanas e sociais com maior demanda (Direito, Administração, Pedagogia, Serviço Social, História, Geografia, Letras, etc) do que a área de biológicas e exatas que exigem laboratórios, além das bibliotecas. As graduações em humanas e sociais necessitam basicamente de bibliotecas. Logo, por terem custo menor, as faculdades de ciências humanas e sociais são mais interessantes como negócio desde que tenham uma boa demanda.

Concordo contigo com relação à questão cultural, mas afirmo que isto se deve, em parte, ao pouco investimento na educação em nosso país. Os professores poderiam fazer sua parte ao criar esta cultura de valorização do ensino e da produção tecnológica e das ciências exatas. Infelizmente, a maioria é mal formada e informada neste sentido.

No dia que todo professor da educação básica (com no mínimo licenciatura plena) e superior (no mínimo com mestrado) no Brasil receber um ou mais salários (por exemplo, fixo de 10 salários mínimos líquidos mais variáveis por produtividade e/ou resultados próximos aos ótimos salários dos professores nos EUA e na Coréia do Sul que recebem o equivalente a US$ 60.000 /ano) aliados a excelentes planos de carreiras e aposentadorias (públicas e privadas) juntamente com uma disciplina mais rígida nas escolas para os alunos somada a valorização com meritocracia através de avaliações de currículos, resultados e desempenhos a todos dentro das escolas, quem sabe assim, muitos jovens e demais cidadãos prestarão vestibulares, concursos públicos e demais processos seletivos à esta nobre e imprescindível profissão de professor que formará bilhões de pessoas bem qualificadas para construir uma sociedade mais desenvolvida econômica, científica e tecnologicamente.