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Publicado em
2008-05-20

Violência + violência = Brasil

Marçal Rogério RizzoMarçal Rogério Rizzo
marcalprofessor@yahoo.com.br
Autores: Marçal Rogério Rizzo e Amanda Trevelin de Oliveira.

A violência no Brasil é um tema que preocupa toda a sociedade. Pesquisas de opinião pública revelam que o brasileiro é um povo amedrontado com tamanha violência.

Já a violência carcerária é um caso a parte, pois não são todos os brasileiros que pensam nesse tema. Existem aqueles que pensam que preso tem é mesmo que sofrer, mas o grave problema é que o sistema carcerário do Brasil não cumpre a função principal, que seria a reeducação do detento.

Investigar a violência carcerária resulta na possibilidade de avaliar as circunstâncias contrárias que se apresentam em relação aos direitos e deveres dos presos e o que se oferecem todos os dias nas prisões. Atualmente estão se tornando cada vez mais comuns as notícias de rebeliões e fugas em presídios brasileiros. É inegável que há um atrasado no sistema carcerário e no código penal do país, que por sua vez, não colabora com a reeducação e a inserção do detento na sociedade.

Entretanto, é inegável que a situação se agrava quando se junta em cadeias superlotadas vários criminosos, sendo eles: primários, homicidas, traficantes, seqüestradores, assaltantes entre outros. Contudo o resultado desta "mistura" é algo explosivo e bem amargo para a sociedade. Hoje a cadeia brasileira ao invés de se tornar um espaço para reeducar o preso, se tornou uma espécie de “pós-graduação” do mundo do crime.

Até os jovens andam fazendo o papel de adultos na vida do crime. São usados por quadrilhas para cometer crimes e acabam caindo em uma dessas carceragens.

Drauzio Varella em seu artigo intitulado “Raízes Sociais da Violência” diz que “muitos dos programas, adotados no mundo todo e em nossas Febems para controlar a agressividade juvenil, podem ser piores do que simplesmente inúteis. O agrupamento de jovens de periculosidade variável não acalma os mais agressivos: serve de escola para os mais ingênuos.

Todos parecem estar de acordo com o fato de que nossas cadeias funcionam como universidades do crime, mas é importante saber que diversos estudos confirmam essa impressão”.

Infelizmente são raros os casos de jovens que ingressaram no mundo do crime e saíram reeducados e inclusos na sociedade. Muitos saíram mortos!

É uma vergonha a situação das penitenciárias do Brasil, pois além da superlotação, das más condições nas instalações, da ociosidade dos presos, ainda temos uma parte dos agentes (que são mal remunerados) que se tornaram corruptos e contribuem diretamente com os marginais e suas facções criminosas.

O péssimo nível da educação, do aumento da pobreza, da desigualdade social e da sensação de impunidade tem gerado o crescimento vertiginoso da criminalidade e, assim, as penitenciárias não conseguem atender e abrigar tal volume de transgressores da lei, o que resulta nas péssimas condições de acomodação das mesmas.

Para a efetiva conquista da cidadania (da população presa e “solta”), é preciso direcionar ações públicas que envolvam as comunidades e assim, diminuir os atuais índices de violência. Isso deve ser um compromisso de todos, em que o trabalho da segurança pública ganha papel de destaque, mas jamais deve ser assumido como única forma de combate à violência.

Marçal Rogério Rizzo: Professor Universitário, Graduado em Ciências Econômicas, Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade Estadual de Campinas/SP (CESIT/IE/UNICAMP), Especialista em Gerenciamento de Micro e Pequenas Empresas pela Universidade Federal de Lavras/MG (UFLA), Especialista em Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário Toledo de Araçatuba/SP (UNITOLEDO), Especialista em Gestão e Manejo Ambiental na Agroindústria pela Universidade Federal de Lavras/MG (UFLA), Mestre em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas/SP (IE/UNICAMP) e doutorando em Geografia na área de Dinâmica e Gestão Ambiental pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCT/UNESP) – Campus de Presidente Prudente/SP.

Amanda Trevelin de Oliveira: Acadêmica do 1º semestre de Administração do Centro Universitário Toledo (UNITOLEDO).

Sobre o Autor
Marçal Rogério Rizzo: Professor Universitário, Graduado em Ciências Econômicas, Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade Estadual de Campinas/SP (CESIT/IE/UNICAMP), Especialista em Gerenciamento de Micro e Pequenas Empresas pela Universidade Federal de Lavras/MG (UFLA), Especialista em Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário Toledo de Araçatuba/SP (UNITOLEDO), Especialista em Gestão e Manejo Ambiental na Agroindústria pela Universidade Federal de Lavras/MG (UFLA), Mestre em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas/SP (IE/UNICAMP) e doutorando em Geografia na área de Dinâmica e Gestão Ambiental pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCT/UNESP) – Campus de Presidente Prudente/SP.

Comentários (1)
poracreucho, junho 10, 2008
As prisões no Brasil, não tem a finalidade de reeducar os apenados, a única finalidade é retirar eles das ruas, para tentar assim evitar mais crimes, não há nenhum programa de reeducação prisional, nem adiantaria haver, pois, dificilmente eles aceitam participar.
Um dos grandes problemas do sistema carcerário é a mistura de presos. Quem roubou uma galinha, quem deixou de pagar uma pensão, quem atropelou um no trânsito está junto com traficantes, assassinos e estupradores, esse é um dos grandes problemas na prisão. Seria demagógico falar em recuperação de presos, a percentagem que consegue deve ser algo em torno de 0, qualquer coisa, que nem conta nas estatísticas. Os casos de corrupção dentro das cadeias são outro câncer no sistema, há funcionários, piores do que muitos dos presos que eles cuidam, envolvem-se com o crime com consciência do que estão fazendo, por dinheiro pura e simplesmente. A solução para tudo isso, seria bastante complicada e cara...e acho que governo nenhum vai querer ou procurar resolver isso...
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