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Urubus e Sabias: o Duelo
As pessoas, na atualidade, como seus antepassados, construíram um hábito curioso de assemelhar a figura humana a animais, por exemplo: “dizem eles, lento como uma tartaruga, ou, astuto feito uma raposa” e assim outros que não me cabem citar. Mas o interessante é a reflexão que podemos fazer a partir de duas figuras da fauna: os sabias e os urubus. De um lado o nobre sabia, pássaro imponente, que canta e encanta com sua forma de “melodiar”, já na outra extremidade, o urubu, figura vista com olhos de rejeição, identidade pesada que tem a missão de profetizar o que desagrada. Paremos por um instante e nos permitamos perguntar: Quem disse que o urubu, ave feia, de cores fechadas não pode ser um anunciador do que é bom, de coisas que eclodam em felicidade? E, por outro lado porque que este sabia lindo, garboso não pode ser uma ave pobre em sua visão de mundo, “bela por fora e oca por dentro?”
Lembremo-nos: “Nem tudo o que reluz é ouro” cuidemo-nos, pois, das pessoas que exalam uma “boniteza” apenas externa, não deixemos nosso poder visual nos enganar, a estética não é referência de bom caráter, se “comprarmos” as pessoas pela embalagem corremos o risco de levar para dentro de nosso interior o que não é bom, agora, se olhando com amplitude, enxergamos a condição humana de nosso semelhante podemos não ter a mais fina embalagem em nossas mãos, porém o mais raro conteúdo.
Assim, eis meu manifesto, como defensor da humanização não posso me eximir de gritar, com ecos ao vento: temos que acabar com a farsa de uma sociedade que discursa o respeito ao outro, mas que o nega no campo da prática. Hipócritas são aqueles que pensam que suas demagogias não podem ser desvendadas, porque haverá sempre alguém a se movimentar para fazer valer a dor que sente ao ver-se subnutrido de esperança.
Estamos longe de viver em um meio inclusivo, de paz integral, mas é preciso começar, aqui e agora, pelas nossas atitudes, sem culparmos o outro de uma tarefa que é exclusivamente nossa, pois quem virar as costas ao acolhimento estará virando as costas à utopia possível de vermos acontecer dias melhores.
O professor Rodrigo Dalosto Smolareck é Pedagogo, Psicopedagogo Clínico e Institucional, titular docente da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões - Campus de santiagoSobre o Autor O Professor Rodrigo Dalosto Smolareck é livre docente da Universidade Regional Integrada do Alto Urugaui e das Missões, URI- Campus de Santiago
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