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Tropa de Elite
Desde que perdemos o nosso grande Ayrton Senna da Silva, o povo brasileiro, como um todo, não havia se identificado da mesma forma com nenhum tipo de herói nacional, até a chegada do Capitão Nascimento, protagonista do filme Tropa de Elite, que retrata a violência, a corrupção e o tráfico de drogas a partir do ponto de vista de um policial.
Tropa de Elite é um dos maiores sucessos do cinema nacional e tem levado milhares de pessoas ao cinema e outros milhares a comprarem o DVD para assistir o filme. Sei de pessoas que já assistiram ao filme 14 vezes, tamanha a identificação com o roteiro.
Digo isso, não só por ser o melhor filme brasileiro que assisti, mas também, porque conseguiu imprimir humanidade ao personagem de um policial, que como se viu, era reto em sua missão, e tinha objetivos bem traçados, quais sejam, combater o crime de forma enérgica usando a força letal quando necessário, seja contra delinqüentes ou contra policiais corruptos.
Além disso, mostrou que um policial também é gente, tem família, tem frustrações, tem ansiedade e tem medo de morrer.
Capitão Nascimento é o novo herói nacional. Percebemos que a população - de bem - se identificou e vibrou com a forma de atuação dos policiais no filme. Apesar do excesso de violências e das arbitrariedades cometidas. Por traz disso há uma mensagem, uma forma de afrontar a hipocrisia que impera neste país, bem como, uma demonstração – pela reação da população – de que urge uma mudança na legislação penal, no filme os bandidos são mesmo punidos de forma severa, o que dificilmente ocorre na vida real.
Diferentemente do nosso herói real, o saudoso Ayrton Senna, Capitão Nascimento é um herói das telas de cinema, virtual. Porém, temos em nossa sociedade diversos Capitães Nascimentos. Sim! Policiais incorruptíveis que trabalham duro, apesar de ganharem pouco, da pressão diária feita pela própria instituição, do perigo eminente que enfrentam no confronto com marginais, prendendo foragido, libertando esposas das garras de maridos violentos ou prestando os primeiros socorros a uma vítima de acidente.
Policiais são hoje, sem dúvida, os heróis da sociedade – falo aqui dos policiais honestos, a espécie antagônica, não são considerados policiais, são delinqüentes de farda, e estão no lugar errado. Na verdade, deveriam estar na cadeia ou debaixo da terra.
O filme, além das imagens que retrataram a realidade do Rio de Janeiro em 1995, também fixou certar frases que todos gostaríamos de dizer a certas figuras do nosso dia a dia que vou transcrever abaixo.
Aos Policias Corruptos o Capitão Nascimento diria: “Pede Pra Sair! Pede Pra Sair!”; Aos políticos corruptos o Capitão Nascimento usaria a seguinte frase:” Senta o dedo nessa Porr....”; Para quem acoberta delinqüente ele diria:” Peraí que eu vou pegar o saco”;
Agora para concluirmos gostaríamos de transcrever outras frases ditas no filme e deixa-las como reflexão:
“Quantas crianças a gente tem que perder pro tráfico só pra um playboy enrolar um baseado”;
“Só rico com consciência social é que não entende que guerra é guerra”;
“O curso do BOPE prepara os policiais para a guerra e não adianta me dizer que isso é desumano. Enquanto os traficantes tiverem dinheiro pra se armar, a guerra continua.”
Essa foi a nossa contribuição de hoje, até a próxima.Sobre o Autor Acadêmico de Direito/Apresentador do Programa Plantão Policial da Rádio Equipe 87.9FM/Colunista do Jornal A Notícia/Palestrante e Estudioso sobre a Violência Urbana suas Causas e Consequências.
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Comentários (2)
Avaliado porJosé Luiz Franklin Gonçalves, novembro 7, 2007 1 de 1 usuários concordam que este comentário é importante
A grande pena é que muitos, como você, entenderam que o capitão é um herói, como se houvesse solução por essa via.
A mensagem é inversa: não há heroísmo na tortura e desrespeito aos direitos humanos.
É também estúpido e de um maniqueísmo barato colocar a culpa do tráfico sobre o usuário, isso também é propositalmente exagerado no filme.
É um grande filme, mas esses pontos de vista são para debater, e não para se aceitar como um discurso.
Você caiu como um pato, achou lindo.
Esse é o perigo.
O filme não é fascista, mas assim se torna, em cabeças ocas como a sua, que estão sempre atrás de um herói que vai nos redimir e resolver todos os nossos problemas. Resposta do AutorObrigado pela sua opinião Sr José Luiz Franklin Gonçalves. Logo vi qual sua posição e de que lado o Sr está. Pela sua postura no comentário só me resta parabenizá-lo.
Avaliado porCarlucio F. Rodrigues, dezembro 9, 2007
Parabéns pelo seu artigo, exprime exatamente o que os autores quiseram retratar no filme.
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