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Tornar o evitável inevitável
A desordem brasileira é evidente. A fragilidade do país vem se destacando na medida em que cada vez mais a população encontra-se desamparada e sem saber a quem suplicar por socorro. O último dos acidentes aéreos, cujas dimensões são incalculáveis, aterrorizou o país; a imagem era uma só: um avião da TAM encravado em um prédio da própria companhia. Casualidades acontecem, no entanto, nesse caso, fica explícito que algo evitável tornou-se inevitável, pois traz à bojo as mais diversas circunstâncias de falência institucional que rodeiam nosso país, tais como, a forma com que os órgãos competentes lidam com problemas de âmbito nacional, a falta de harmonia entre os poderes republicanos, a inacabável tentativa de isenção de responsabilidades por parte dos agentes públicos e, por fim, o conformismo populacional.
Quando o assunto é tratado por autoridades, o descaso e a incompetência aparecem de forma onipotente. Aqueles que deveriam fiscalizar a aeronáutica brasileira adotaram a política do “deixe acontecer para, então, pensar em remediar”; estes, pois, assistiram calados dez meses de puro caos aéreo, entretanto não tomaram nenhuma atitude e sequer demonstraram preocupação quanto ao que estava acontecendo. A impressão que fica é que eles “relaxaram e gozaram”, como propôs nossa ministra do turismo. Tão sábio foi o pronunciamento da nobre Marta Suplicy, que duas centenas de pessoas pagaram com suas próprias vidas por causa da ineptidão desses descompromissados.
Certamente, faz-se plausível criticar também os poderes da república. Estes demonstram cada vez mais que não aprenderam que o sistema deve agir com conjuntura, pois estão sempre se criticando. Enquanto, justo seria se a tríade republicana evitasse críticas entre si e começasse a arranhar uma convivência harmônica; assim, por meio de medidas conjuntas, desastres, como a queda do Airbus da TAM, poderiam ser evitados. É bem certo que esta crítica pode parecer desproporcional ao ponto que envolve todo um sistema político republicano, porém não há como negar que esse quadro compromete a solução de diversas problemáticas nacionais e, sem fazer da regra uma exceção, o caos aéreo está dentro destes.
Com relação à isenção de responsabilidades dos agentes públicos, a novela mais uma vez se repete. Não é difícil recolhermos na mídia pronunciamentos do tipo: “Isso não é de responsabilidade pública”. E neste último episódio, fica claro a tentativa governamental de mais uma vez usufruir dessa condizente sublevação. Basta pegar a foto em que o assessor do presidente, Marco Aurélio Garcia, e seu auxiliar comemoram com gestos obscenos a notícia de que uma falha mecânica poderia ter causado o incidente, fato que, no pensamento deles, livraria o governo dos seus explícitos compromissos relacionados à ordem aérea. É impossível aceitar a idéia de que pessoas tão inescrupulosas lidam com problemas tão sérios.
Após críticas das mais variadas possível, hipocrisia seria dizer que a população apenas faz papel de vítima diante dessas situações calamitosas. Esta, pois, graças a um conformismo pessimista, acaba alimentando ainda mais a passividade das autoridades públicas perante os problemas nacionais. Os cidadãos assistiram “cegamente” as tragédias ocorridas nos inacabáveis mandatos do Presidente Lula - o escândalo do mensalão, o escândalo dos sanguessugas, os furiosos ataques do PCC e, por último, dez meses de caos nos aeroportos – e sequer reivindicou, de forma efetiva, seus direito; tudo acabou em “pizza”.
Em suma, a ressalva é única e objetiva: cento e oitenta milhões de indignações brasileiras devem transformar-se em atitudes tanto governamentais quanto populacionais. Estar indignado não é o suficiente, enquanto o país implora por ideais otimistas. Tanto é possível não deixar com que algo evitável torne-se inevitável, como também é possível fazer do inevitável algo que se possa evitar. Basta um pouco de esforço.Sobre o Autor Estudante de Direito
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