Nos tempos modernos, e este, entende-se pelo período pós-revolução industrial, a resistência contra os modos de produção tende a ser mutada. Aos poucos, a rebeldia como força transformadora, é enquadrada, “configurada”, aos anseios da minoria politicamente soberana, perdendo, assim, seu caráter de transformação.
Os movimentos rebeldes, neste período, refletem-se na música, expressão que nunca deixou de possuir seu caráter de resistência, não obstante, neste caso, podermos adotar a lógica de Marx; ensina-nos que os burgueses, donos dos meios materiais de produção, são, outrossim, donos da produção intelectual, sem entrar em detalhes, conjetura-se, logo, que os movimentos musicais, mesmo dotados de irreverência e rebeldia, esta é artificial, visto que tem seus limites de transformação e influência previstos.
É difícil identificarmos até que ponto os movimentos sociais, como a música, agem como agentes transformadores. O que se verifica, de imediato, é que sempre aparecem novos movimentos, e estes, por mais "carismáticos" e rebeldes que sejam, são adaptados, outros, totalmente transformados. Fato que ocorreu com o movimento punk.
A cultura de massa traz inúmeros aspectos e facetas que devem ser minuciosamente analisados. O caso do funk carioca é um bom exemplo. Este ritmo das favelas, outrora trazia em suas letras e estilos, um caráter tenaz de contestação denunciando as mazelas do lugar, mudou, hoje o que aparece na mídia é somente grupos que agora anseiam um modo de vida baseado no consumismo, é uma classe que mesmo com as dificuldades, luta para adquirir produtos antes somente destinados à classe média.
Assaz complexo esse caso, visto os dois aspectos, não da mesma moeda, mas da mesma face. Uns analisam o ponto de vista de contestação agressivo perdido, como necessário para uma nova etapa da evolução do movimento, que agora passa a trabalhar com um viés antropológico do assunto, outros afirmam que, agora, o movimento funk foi submetido à rigorosa peneira do controle social e vitimados pela empresa fonográfica, que os utilizam apenas como cultura de massa e mercado, deixa-se, pois, de ser um movimento de transformação.
Essa faceta pode ser aplicada a inúmeros movimentos musicais que, gradativamente, esvai-se, rumo a uma artificialidade de estilos, perdendo sua originalidade e ideologia.Sobre o Autor Economia, Política, Geografia, História, Literatura./ Estudante de Graduação em Geografia na Universidade Federal de Viçosa.
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