Venho confessar que já não aguento mais, cansei-me.Definitivamente me convenceram que é impossível viver na sociedade moderna sem uso das novas tecnologias. Até ontem, não tinha celular, nunca gostei de falar muito; e, também, sempre aceitei os limites da minha voz, se a pessoa não estivesse frente a frente comigo, aceitava não conversar.
Até ontem, nunca tivera e-mail, quanto menos msn e orkut, que, por sinal, já enjoei.
Meus compadres ainda não, por isso tenho.
Sempre julguei a internet como uma junção mal sucedida do telefone com a televisão, mas ninguém entende, então assinei.
Passo o dia a navegar, bater papo, olhar recados. O usual.
Antes de dormir mando uma mensagem de texto para uma pessoa que, agora, me foge o nome.
E tem muito mais. Troquei meu monitor para um de tela plana. Não sei o porquê, mas acabaram me convencendo que eu não podia continuar olhando para algo que não fosse plano.
Comprei um carro. Antes só andava a pé. Não pensem que não tenho condições financeiras, pelo contrário, sempre tive dinheiro, mas nunca entendi muito a função do carro, se, afinal de contas, todos dispensam horas a caminhar na academia. Ora, poderiam se exercitar se não insistissem em usar o automóvel. Mas, devido as circunstâncias, comprei.
Hoje é o segundo dia que tenho todas essas, e outras, novas tecnologias. Provavelmente não terei tanto tempo para desfrutá-las, mas não ligo. Afinal, passei 84 anos de minha vida sem elas. E, pensando bem, analisando essas invenções, estas só servem para demonstrar como o ser humano é insatisfeito com os próprios limites. E isso, com efeito, é pseudo transcendentalismo!Sobre o Autor Economia, Política, Geografia, História, Literatura./ Estudante de Graduação em Geografia na Universidade Federal de Viçosa.
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