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Noções essenciais de alienação para cidadãos iniciantes e recém-conscientizados

Robson FernandoRobson Fernando
robfbms@hotmail.com
conscienciaefervescente.blogspot.com
Trago aqui noções básicas sobre como funciona a alienação que tanto é citada em rodas de conversa e sites de mídia alternativa. Se você ainda está por fora de o que seja essa palavra tão comentada e repudiada, venho dar uma mão para você entendê-la. Não espere palavras ou estudos de um cientista social com doutorado, sou um cidadão que está expondo suas noções aprendidas com a vida e compartilhando-as com você, para que haja a propagação da compreensão do problema pelo máximo possível de pessoas e, quem sabe, a abertura de novos debates e propostas de solução.

Esses são os tópicos expostos aqui:
- Definição de alienação
- Conformismo
- Um Brasil alienado
- Alienação cultural
- Mais sobre alienação e conformismo: uma dinâmica síncrona
- Gente interessada na alienação: a “Ala Dominante”
- Como o jornalismo manipulado ajuda a alienar
- Cidadania contra a alienação e o conformismo
- Diversão = alienação?! Que é isso, meu?




DEFINIÇÃO DE ALIENAÇÃO

Alienação, segundo os dicionários, na definição mais primária, é o estado de separação ou alheação da pessoa de alguma coisa que lhe pertencia ou a que pertencia e a transferência dessa coisa para outra pessoa ou entidade. Por exemplo, se seu carro ainda está alienado é porque, por ele não estar quitado, você não tem sua posse garantida ainda e ele ainda é vinculado à concessionária. Se você está alienado da sociedade, é porque está separado dos problemas coletivos e transferindo sua responsabilidade sócio-política aos outros. Sendo alienado, você não participa diretamente da edificação da integridade social do país, mesmo que esteja participando da dinâmica econômico-financeira da região e do país como um empregado ou empresário e pagando impostos, formas apenas indiretas de participação social.

A alienação social, política e cultural que tenho grandes vontades de combater ocorre quando o sujeito vive alheio, na maioria das vezes por indução cultural constante, aos problemas inerentes à sociedade, à política e também aos aspectos culturais de implicações questionáveis. Um alienado não está nem aí se a violência explode no seu bairro – exceto quando é assaltado, claro –, se os ônibus da cidade estão com a passagem cara e vivem superlotados nas horas de rush, se animais e ecossistemas são trucidados com seus hábitos alimentares e consumistas ou se a corrupção está galopando em Brasília ou na assembléia legislativa de seu estado. Nada disso lhe interessa genuinamente, o que realmente vale pra ele são as vitórias de seu time de futebol no Campeonato Brasileiro, os últimos capítulos da novela, os momentos sensuais do reality-show, o megahit musical da moda, a calourada do próximo fim de semana, a vaquejada “imperdível” e o rodízio de carnes sangrentas da churrascaria do bairro... ou, no caso do religioso, o que vale é o futuro após a morte num maravilhoso e paradisíaco mundo do além, mesmo que isso seja obtido com reclusão e auto-segregação social num ato de se auto-alienar do mundo real.

Essa é a alienação. De trás para frente, ela é cultural porque envolve essa gama de aspectos culturais hedonistas em detrimento de opções, digamos, mais edificantes, como a literatura e a troca de idéias com o próximo. Política porque o alienado diz estufando o peito que odeia política e não quer se meter em nada que denote atos políticos, mesmo sendo estes os norteadores de qualquer sociedade e dos mais diferentes aspectos da vida de qualquer ser humano. E social porque há a não-preocupação, numa inválida e antiética isenção, com os problemas sociais das pessoas desde de sua comunidade até do universo populacional de seu país.



CONFORMISMO

Já o conformismo é o pensamento que a pessoa manifesta de se achar sem forças, condições ou disposição para infligir qualquer boa ação coletiva que influencie sua comunidade, cidade, estado ou país, mesmo havendo uma ou mais pessoas próximas com essas condições de levantar seu ânimo cívico. Se bem que hoje nem precisam ser mais tão próximas em quesito presencial, porque temos a internet e sua facilidade de trazer as pessoas que você quiser pra perto de si.

É uma questão que inspira um pouco mais de atenção quando pensamos em alienação e conformismo como sendo “irmãos”. Todo mundo, mesmo os maiores militantes, têm um pouco de conformismo, sendo que em níveis diferentes dependendo dos assuntos e questões. Alguém pode ser, por exemplo, uma ativista ambiental incansavelmente obstinada mas estar conformada com os problemas viários de sua cidade, ou, em outro âmbito, ser um empregado com grande força de vontade de subir na empresa que o emprega mas um conformista sentimental, que não procura mais por uma mulher interessante em qualquer lugar. Além do mais, muitos que desejam ser cidadãos práticos e ativos vivem incessantemente ansiosos para aderir a algum grupo ativista que apareça, ou a alguma oportunidade de ir à rua protestar contra algo, mas jamais encontram nada válido, nem mesmo conseguiam organizar algo pela internet. É o caso em que o ciclo vicioso da alienação e da indisposição conformista das pessoas ao redor desestimula o sujeito e este termina se rendendo a um estado também conformista.



UM BRASIL ALIENADO

O Brasil tinha quase tudo pra ser um país desenvolvido e na liderança de desenvolvimento de todo o Hemisfério Sul, e até tem um histórico de rebeliões, mobilizações e mini-revoluções libertárias vindas de todas as classes sociais ao longo dos séculos. Apesar disso, esse histórico parece ter se descontinuado depois da consolidação da mídia como um extra-oficial “quarto poder” nessas cerca de duas décadas de Nova República democrática. Esse “quarto poder” terminou trazendo um controle cultural e psicológico para o povo que tinha, ou teria, tudo pra se rebelar contra as muriçocas que todos os dias o picam e deixam doente. É esse controle que tira do povo, como numa anestesia, o incômodo dessas “muriçocas”, mesmo elas permanecendo ativas e agressivas. Essa não-reação às picadas é o que vejo como a alienação, ou pelo menos a versão mais crítica dela.

Dando uns exemplos estrangeiros, vejam só o exemplo da Argentina. Ainda não é primeiro mundo, mas, ao menor sinal de aumento da violência ou de ameaça de crise financeira nacional, como aconteceu anos atrás, massas populares vão às ruas, e com seu patriotismo e civismo fazem história, fazem notícias que ecoam nos jornais do mundo inteiro. Não é aquele civismo fuleiro de apenas cantar hino e adorar bandeira não, é o civismo prático, aquele de protestar, se manifestar, fazer valer os seus direitos e a integridade interna de seu país. Lembrem-se, eles derrubaram vários governos em pouco tempo e, com muito suor, se livraram dos “currais monetários” que os oprimiam. O governo seguinte, pra não cair também, teve que suar pra ajeitar a economia e abolir a opressão financeira que sufocava as pessoas. É vendo isso que temos a certeza de que a Argentina, por mais inveja e “freguesia” que tenha em relação ao futebol brasileiro, aplica na gente grandes goleadas em outro campo, o cívico-cidadão.

Já o brasileiro só não tem ainda um sufoco alarmante à altura de um megabloqueio de poupança – que até já tivemos tempos atrás – ou de uma política oficial de arrocho salarial total que oprimisse todo aquele trabalhador público ou privado que tivesse salários já baixos. Mas tem ao menos uma dúzia de sufocos não tão emergenciais, mas ainda assim críticos, como a escalada da violência urbana, as reincidências de corrupção no Distrito Federal, a perpetuação da má distribuição de renda e a degradação ambiental. Sob o olhar de um cidadão consciente, seria mais do que hora de ir pra rua e exigir a contenção desses problemas sérios, exigir a “dedetização” contra as “muriçocas” que voam em seu redor. Mas não é bem o que acontece. A verdade é que poucos se prestam a manifestar em público insatisfação com a situação, enquanto a grande massa continua lá... metade bitolada na música ridícula da moda, nos campeonatos estaduais e nacionais de futebol e nas novidades quentes das novelas, metade ansiosa por soluções e providências mas resignada e inepta perante seu próprio poder de exigi-las.



ALIENAÇÃO CULTURAL

Pobres, médios e ricos parecem seguir uma mesma tendência, um mesmo padrão de alienação vindo da atual cultura de massa, ou, se preferir, a porção mais popular e universalizada, vide o que vem da TV, dos rádios e das diversões presenciais. Há algumas diferenças que dependem do dinheiro disponível da família, mas não são suficientes pra diferenciar o poder da alienação pela diversão perante cada classe sócio-econômica. Primeiro digo as diferenças e em seguida disparo o que há de comum.

A pessoa pobre, ao contrário das outras classes, não tem tanta condição de ir com freqüência a shows, baladas, festivais e eventos subculturais como vaquejadas e rodeios, costuma contentar-se com a TV, o rádio, o bar, o futebol, o pagodão imperdível do Ibura [bairro recifense de classe baixa] e as revistas mais baratas de celebridades e de novelas, além do carnaval, das festas juninas e, pra muitos, a igreja. O médio já tem uma condição boa de ir praquela balada, ou praqueles forrozões de vários fins de semana seguidos, ou praquela praia a uns cem quilômetros daqui. Já o rico faz tudo que o médio pode, com a diferença de que compra um camarote, vai pra baladas mais caras ou usa um carro mais possante ainda pra viajar.

O que há de comum é a ausência ou escassez de opções culturais que relevem a consciência, o esclarecimento e o abre-olhos. O que a pessoa aprende de positivo quando ouve um hit idiota que a induz a se alcoolizar ou a brincar de encoxar o vento? O que ela aprende quando assiste a novela, fora assimilar a mais nova moda fútil ou a nova gíria trazidas pelos personagens da trama? Qual o conteúdo construtivo de uma revista de celebridades? E repare que, lembrei agora, a maioria das pessoas de todas as classes não gosta de ler livros que não sejam de religião ou auto-ajuda. Enfim, o comum entre as diversões das classes é a consolidação de uma cultura de massa hedonista e egoísta que traz prazeres momentâneos e despreza as preocupações sociais e a auto-edificação, o desenvolvimento de seu ser. E nem a educação privada ou pública em seu estado atual nem tampouco a mídia trabalham pra reverter essa nocividade.

Aviso: no fim deste artigo, dou ressalvas que diferem a mera diversão sadia do aspecto alienante de apenas trabalhar e se divertir



MAIS SOBRE ALIENAÇÃO E CONFORMISMO: UMA DINÂMICA SÍNCRONA

Há alienação desde a Antiguidade, quando as religiões teocráticas ensinavam ao povo que ele foi predestinado à servidão e o rei era um ente divino. Se na época foi a religião a comandante da alienação popular, hoje é ela ainda em grande parte das igrejas, num método teológico diferente, mais a mídia e as políticas públicas de valorização da cultura mais popular, vide carnaval, futebol e subsídios a alguns shows e eventos de qualidade questionável, como vaquejadas.

Posso dizer que há quatro fatores predominantes na alienação hoje: a mídia, as diversões presenciais de massa, o pensamento capitalista, individualista e materialista de vida e, variando do modo de vida secular, a doutrinação religiosa de muitas igrejas. Depois do processo de alienação que já é conhecido da gente, a conseqüência é que temos um povo que se preocupa muito com sua sorte individual e não pensa no coletivo com o mesmo vigor. Vale mais o salário do mês, a aprovação na disciplina acadêmica moderadamente complicada, o show imperdível dos forrozeiros, os últimos capítulos da novela do horário nobre, etc. do que os alagamentos que castigam o bairro, a superlotação dos ônibus da cidade, a má gestão vinda de tal prefeitura do município da pessoa, a corrupção no Congresso Nacional, o preconceito sofrido pelos ateus e afro-religiosos, etc..

Alienados, como não se preocupam se o lado coletivo está ruim, vivem conformados, acomodados, acostumados com as mazelas públicas. Muitas pessoas, uma porção significativa da população, felizmente são mais esclarecidas sobre os interesses populares que não são obedecidos pelo Poder Público. No entanto, vêem a mídia esculachar o método de protestar nas ruas e ainda por cima não vêem a disposição de ninguém ao seu redor – leia-se amigos e parentes – pra ir pra rua. Pouca gente arrisca ir sozinho pra manifestações com medo de arrastão ou de apanhar da polícia. Alguns descerebrados se lançam nos protestos já pra bater nos policiais ou destruir o patrimônio público e isso prejudica seriamente o reconhecimento do método mobilizador de protesto de rua. Visto tudo isso, muito poucos aceitam ir à rua e realizam mobilizações pequeninas que não resultam em nada. Numa seqüência de haver a população que não quer protestar mais os protestos pequenos que nada conseguem, vai se formando um ciclo vicioso: a população é inepta, as pessoas não-alienadas frustram-se e terminam somando-se à população inepta, que traz frustração e conformação a si mesmo. É um sobe-e-desce igual à convecção do ar: a indignação esquenta a pessoa e sua vontade de protestar sobe ao céu, mas a frieza da maioria da população esfria tudo isso e essa vontade vai lá pra baixo até o próximo evento que incite indignação.



GENTE INTERESSADA NA ALIENAÇÃO: A “ALA DOMINANTE”

Todo mundo que entende de política, o que inclui obviamente a maioria de vocês que estão aqui neste mini-auditório, sabe que por trás de cada uma da maioria das safadezas da elite sócio-política e da continuidade intocada dos mais diversos males coletivos está um interesse escuso. No caso da alienação e do conformismo generalizados, está um evidente interesse de que tudo continue como está, sem nenhuma massa grande de gente pra ir contra.

A manutenção do povo sob esse controle cultural e intelectual permite, entre outras coisas, que políticos mal-encarados continuem fazendo o que bem querem em Brasília, empresários expandam seus empreendimentos sobre espaços naturais, os 10% mais ricos da população continuem abocanhando cerca de metade das riquezas brasileiras, os bispos de pseudo-igrejas mal-intencionadas continuem acumulando fortunas com dízimos dos fiéis enganados, pecuaristas permaneçam lucrando alto sobre a morte massiva de animais sofredores e oligarquias detenham perpetuamente o tão desejado poder político. Tudo isso é muito benéfico pra manutenção do estado de riqueza e opulência dessas turmas. Do mesmo jeito que um imperador jamais quer abdicar de seu poder, a elite brasileira faz de tudo pra não perder sua hegemonia perante o povo.

Posso chamar essa turma de Ala Dominante, já que exercem de fato uma dominação sobre o povo. Compreende todos aqueles que deixam evidente que se beneficiam da alienação e de suas implicações e gostam disso. Inclui políticos, megaempresários, magnatas da comunicação, bispos, latifundiários e outros poderosos. Devo relevar, no entanto, que não são todas as pessoas que têm esses empregos que são genuinamente interessadas na “fuleiragem”, há muitos sujeitos de bem que tanto não desejam o sustento de poder pelo controle da pirâmide sócio-econômica como manifestam consciência positiva e, por boa vontade, financiam ou tutelam atividades de responsabilidade. Só não dá pra listar com toda certeza os nomes dos verdadeiros benfeitores.

Contra o poderio da Ala Dominante, o que se pode fazer é continuar esclarecendo as pessoas, propagando a conscientização, de modo que numa época mais próxima possível haja a transformação da vontade popular de suplantar os interesses dominantes em práticas de cidadania e de consciência ativa.



COMO O JORNALISMO MANIPULADO AJUDA A ALIENAR

É fato que muitas emissoras de comunicação, que administram jornais, revistas, emissoras de rádio e TV e portais de internet, possuem donos que gozam de muita influência cultural, social e até política na população. E não é por menos que eles possuem bastantes amigos no meio político. Lembre-se que tanto essa porção dos magnatas como os políticos que são seus compadres são gente do que chamo de Ala Dominante.

É certo e evidente que certos eventos e ações públicos não agradam a certos políticos e empresários aliados que querem manter seus interesses íntegros. Daí, vêem que podem transmitir o acontecimento daquele evento, mas lançando mão de um ponto de vista ou jeito que não vá de encontro aos interesses dessa turminha.

Dou aqui um exemplo fácil de entender. Suponhamos que uma turma de centenas de sem-terra e sem-teto protesta contra a construção de uma barragem cuja existência beneficiará alguns políticos do Ceará. Há implicações positivas nessa construção, como o possível desenvolvimento econômico de algumas cidades administradas pelo clã político interessado, e negativas, como devastação ambiental, inundação de terras férteis e desalojamento de uma população significativa. E os sem-terra e sem-teto querem evitar a todo custo que essas conseqüências negativas aconteçam, não querem que uma população já humilde perca pra que outra em melhor condição possa ganhar e vão lá bloquear a estrada que leva à barragem. Então os políticos envolvidos na questão e os donos da construtora da obra pedem arrego à cúpula da emissora de TV tal, cúpula que é aliada deles. A equipe de jornalismo processa, vai lá, registra a invasão, e após isso ocorre uma edição, uma decisão sobre os aspectos que irão ao ar e os que serão omitidos. Então o resultado: no telejornal da noite, o bloqueio da obra é reportado pela emissora num tom bem crítico, aparece todo um esquema animado de o que a construção fará quando estiver pronta, como abastecer de água e energia uma população tal, e os empreiteiros e políticos são entrevistados com direito a ampla palavra. Já os militantes contrários à barragem, tratados como os vilões da coisa, só têm direito praticamente à veiculação de uma ou duas frases, além de os efeitos negativos serem omitidos no esquema citado. É isso aí, uma reportagem mostrando tudo de bom e respeitando o lado dos poderosos e omitindo tudo de ruim e menosprezando o dos manifestantes. Acabou de ser veiculada uma notícia manipulada, transgredindo qualquer noção de imparcialidade jornalística que se aprende na faculdade.

O alvo da manipulação é quase sempre notícias envolvendo questões sociais e políticas. Com o lado dos movimentos sociais e ativistas, que é o menos agradável aos interesses dos donos das emissoras e de seus amigos políticos, sendo diminuído e demonizado e o lado desses poderosos sendo aumentado e bem divulgado, não há chance de haver uma boa imagem pública por parte dos oprimidos. Isso gera imagens distorcidas dos movimentos de ativismo de causas sociais, políticas, animais, etc., que quase sempre desagradam a Ala Dominante, daí, quem vai pra rua protestar raramente é visto como herói, mas sim como o vilão que interrompeu o funcionamento da cidade, como o baderneiro que só queria o pretexto da causa ativista pra destruir o patrimônio público, como o arruaceiro que queria brigar com a polícia. Até porque, como foi dito mais anteriormente, existe gente do mal, mas é minoria, e a mídia termina generalizando essa minoria. Enfim, quem luta contra a ordem opressora é exibido como gente do mal e isso contamina o público que vê os telejornais manipulados e lê os jornais e revistas de notícias maquiadas. Pra quem vive isso, a ordem opressora é a correta e quem se opõe a ela é um agressor meliante. Isso aliena as pessoas, tolhe seu interesse em se opor a essa ordem que tantos problemas coletivos lhe proporciona. Por isso é que a manipulação jornalística gera alienação. E isso é algo freqüentemente feito em regimes totalitários para controlar a população, e funciona muito bem.



CIDADANIA CONTRA A ALIENAÇÃO E O CONFORMISMO

Assim como você provavelmente pensa, considero que a cidadania prática é a salvação do povo num país democrático. Se todas as pessoas que se dizem cidadãs mas tão pouco se preocupam em exercer esse atributo de forma voluntária fizessem jus a esse substantivo, o país seria bem diferente. No mínimo podia ser que não mudássemos radicalmente os problemas nacionais, mas o Brasil seria reconhecido no mundo como uma nação de povo guerreiro e militante por causas de bem comum, uma nação de “microlibertários”. A cultura atual infelizmente prioriza a vida extremamente individualista, em que o alcance máximo além do individual de muitos parece ser os parentes e os amigos. Além do mais, a educação brasileira desde sempre distorceu ou diminuiu de certa forma o ensinamento do exercício da cidadania. Costumamos aprender que “exercer a cidadania” é apenas cumprir os deveres previstos na Constituição Federal, como votar e prestar serviço militar, e louvar os símbolos nacionais, como a bandeira, o hino e o escudo. Pouco absorvemos na escola sobre atos de cidadania e civismo voluntários, como atos filantrópicos e o próprio ativismo social, daí há essa falta de ânimo cidadão no país. E o detalhe mais importante pra nós nisso é que onde sobra alienação e conformismo falta espírito cidadão. Adotar esse adjetivo é não ser alienado nem absolutamente conformado perante a realidade coletiva do país.

O cidadão verdadeiro, em minha concepção, exerce tal atributo quando luta pelo bem do povo de seu país e também do mundo. E isso deve ser divulgado pelas pessoas.



DIVERSÃO = ALIENAÇÃO?! QUE É ISSO, MEU?

Entendo a preocupação do leitor que indagou isso quando leu mais acima sobre diversões que alimentam a alienação e por isso mesmo esclareço esse possível mal-entendido gerado. Quem é aquele que, depois de um dia de estudos intensos e/ou trabalho árduo, vai se negar a assistir a um programa dedicado ao entretenimento na TV ou a ir pro show das bandas do estilo musical que ele tanto curte? E realmente é odioso você estar ouvindo, por exemplo, alguma boy-band americana e ser importunado por um discurso de que está servindo a um capitalismo predatório, ao “sistema”, à alienação e blábláblá. O ser humano precisa imprescindivelmente de prazer, distração, entretenimento e lazer e não somos contra isso. Não quero que as novelas saiam do ar, que ritmos como forró estilizado sejam extintos ou que músicas sem conteúdo sejam proibidas. O que queremos sim é que a população reserve um pouco de si pra preocupação social e política, ainda que tomando um pouco de seu tempo livre pra exercer cidadania voluntária. Diversão para as massas sim, alimentação da alienação não. As pessoas podem ouvir os Mamonas Assassinas que quiserem, mas não devem centrar sua vida totalmente na dualidade ocupação-lazer em detrimento de tudo que há em seu redor. Somos a favor de que haja um compromisso dos músicos, empresários de TV, cartolas de futebol e outros organizadores de diversões populares de exercer apenas o provimento de lazer e descontração e moderarem os riscos de indução cultural à alienação, imbecilização e auto-corrosão do povo, mas sem censura ou hostilidade contra os gostos das pessoas. Sou a favor de que haja gente que pense nas músicas dos Mamonas e no prazer do sexo mas também pense, em outro momento, nas ruas esburacadas e na política.

De forma alguma defendo que o povo brasileiro abandone o lado sadio de sua cultura de diversão e se torne sério demais e concentrado apenas nas causas coletivas. Não quero que nos tornemos um povo chato e desanimado.

Sobre o Autor
Estudante, nascido em 1987 no Recife, escreve artigos com tema livre, por inspiração e hobby. É vegetariano, amante dos animais e ateu. Entre em contato pelo e-mail robfbms@hotmail.com

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JENISON DA SILVA SANTOS


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