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Publicado em
2011-10-12

NÃO, MUITO OBRIGADA !!!

Ssmaia AbdulSsmaia Abdul
ssmaia.abdul@gmail.com
www.historiasquetransformam.com.br
Ultimamente, tenho me dado conta do quanto tenho dito a seguinte frase: “NÃO, MUITO OBRIGADA!”

Recentemente, estava eu numa farmácia quando, de repente, veio uma atendente perguntando-me: - Posso ajudá-la? A resposta: - NÃO, MUITO OBRIGADA! Eu estava lá apenas para passear. Para ser sincera, estava lá esperando o tempo passar para que eu não chegasse tão cedo em meu compromisso. Decidi, então, passear na farmácia. Dois minutos depois, veio outra atendente: -Posso ajudar? Não, MUITO OBRIGADA! Mas, desta vez, a atendente veio com aquelas cestas onde devemos colocar os produtos que estamos comprando e, num ato aparentemente impulsivo, entregou-me a bendita cesta!

O ato dela, provavelmente, tinha a boa intenção em me ajudar. O fato é que eu não queria ajuda, muito menos comprar algum produto! Queria apenas poder passear na farmácia!

Outro dia, estava eu no salão de beleza. Preciso recorrer a um profissional para cortar os cabelos. Veja bem, estou dizendo “cortar” e não “colorir” meus cabelos! A conversa básica que tivemos, que mais pareceu uma discussão, se baseou na ideia do profissional em colorir meus cabelos! E o tempo todo dizia eu: - NÃO, MUITO OBRIGADA!

Foi por meio destes e outros fatos muito parecidos, que me dei conta, do quanto ficamos “atados”, “presos”, para não dizer “REFÉNS”, dos padrões sociais!

Por exemplo, farmácia vende, entre outros produtos, medicamentos. Como pode alguém entrar numa farmácia apenas para passear? Parece algo improvável, mas não é!

Percebo, o quanto nossas mentes estão contaminadas com os certos e errados, com o “previsível”, com o provável e o improvável, com o óbvio e que, qualquer coisa ou comportamento que se difere disto tudo, parece ANORMAL.

O que é óbvio para um, pode não ser para outro!
Para ser franca, eu me sinto “oprimida” nestas circunstâncias. É como se alguém estivesse dizendo para mim o que eu devo fazer e o que não devo. No caso da farmácia, era óbvio, eu deveria comprar medicamentos ou qualquer outro produto que estava exposto na prateleira. Mas, não era o que eu queria! Queria apenas PASSEAR!!!!

Farmácia e passeio, combinam? Aos olhos da maioria, parece que não! Mas só não combinam porque padrões sociais nos impedem de ser quem somos e, principalmente, de exercemos a nossa liberdade!

Se sou livre, tenho o direito de passear em uma farmácia e de , principalmente, escolher se quero ou não colorir meus cabelos!

Em todas as situações que tenho dito “- NÃO, MUITO OBRIGADA!” percebo, quase que de imediato, um certo desapontamento na face da outra pessoa! Como eu pude recusar uma ajuda?

Bem, para mim é simples! Caso eu necessite de ajuda, eu tenho tanto a liberdade quanto a autonomia de solicitar, de pedir ajuda a alguém. Caso contrário, tenho o direito de permanecer calada, mesmo que eu não tenha sido presa (risos)!

Confesso que o desapontamento das pessoas, ainda me assusta! Isto me faz pensar que, quando recusamos algo, ou quando pronunciamos a palavra NÃO, corremos o grande e quase inevitável risco de sermos vistos como uma pessoa chata, ruim, mal humorada, ou seja lá o que! Quando, na realidade, eu só queria ficar quieta e PASSEAR NA FARMÁCIA!

Por que a palavra NÃO é tão recusável assim? Parece que impera em nossa cultura, um modelo mental de que dizer “SIM”, “aceitar tudo” é significado de pessoa boazinha.

Se isto realmente significar uma pessoa boa, prefiro que as pessoas me vejam como um a má pessoa. (risos). Por que? Por uma razão muito simples: considero que, o NÃO vem sempre acompanhado de um SIM!

Voltamos à situação da farmácia: quando eu disse NÃO à atendente, estou dizendo SIM para mim, para as minhas vontades, para os meus desejos, para as minhas necessidades que, naquele momento era apenas, de passear e esperar o tempo passar! Esta é uma possibilidade de não me preocupar em ser “boazinha” ou atender as necessidades da atendente! Simples assim!

Ou talvez, não tão simples assim! Qualquer dia, vou
pesquisar sobre a história do NÃO. Por que ele traz consigo uma carga tão pesada, tão negativa? Ele carrega um significado de rejeição, de recusa! Será que é só isto que o NÃO pode significar?

Eu vejo outras possibilidades! Entendo que o NÃO é apenas uma das inúmeras possibilidades que eu tenho. Explico melhor: quando eu digo NÃO para algo, estou escolhendo não fazer aquilo, mas escolho fazer outra cosia e isto traz, necessariamente, um SIM!!!!

Gosto muito da seguinte explicação: “quando você NÃO sabe o que quer, mas sabe o que você NÃO quer, já é meio caminho andando!” Porque o NÃO vai ABRIR outras possibilidades! Portanto, nem sempre ele exclui, apenas abre novos caminhos, novas oportunidades, trazendo novas alternativas!

Bom seria que pudéssemos repensar e refletir sobre duas coisas que estão, a meu ver, interligadas: o direito de cada um de nós sermos livres para fazermos nossas escolhas, seja na farmácia ou não; e qual o significado do NÃO em nossas vidas.

Se aprendermos a desconstruir a ideia de negatividade, de recusa e de exclusão do NÃO, teremos maior liberdade para construirmos um novo significado à ele, quem sabe, o significado de que o NÃO TRAZ SEMPRE UM SIM!

Quando isto ocorrer, aí sim, acredito que nos sentiremos livres para fazermos nossas escolhas, de forma que o NÃO faça parte, sem que, para isto, precisamos nos sentir culpados!

Se não for assim, NÃO, MUITO OBRIGADA! Não quero que os “padrões sociais e suas convenções", me digam o que eu tenho que fazer: tingir meus cabelos, comprar medicamentos, não passear em farmácias, etc, etc,etc.

Quero ser eu mesma e poder fazer uso do meu direito de escolha e, sem dúvida, dizer NÃO, É UMA DAS ESCOLHAS QUE TENHO FEITO!

MUITO OBRIGADA!

Ssmaia Abdul
Psicóloga e Terapeuta Narrativa
CRP 06/60674

Atende Adultos e Casais através do Programa de Psicoterapia Narrativa Breve HISTÓRIAS QUE TRANSFORMAM
www.historiasquetransformam.com.br
11 – 9770.26.16

Sobre o Autor
Paulista, de origens libanesa e russa, é formada em Psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2000 e em Terapia Narrativa pelo Dulwich Centre em Adelaide, Austrália em 2008 (curso de formação realizado no Brasil por Shona Russell). Idealizadora do projeto de psicoterapia Histórias Que Transformam (www.historiasquetransformam.com.br), atua na área clínica através de Encontros Terapêuticos Breves, utilizando a própria história de vida do cliente como recurso transformador! Também realiza trabalhos em grupo, promovendo conversações e diálogos sobre temas variados. Defende a prática de uma Terapia pautada nos pressupostos da Pós-Modernidade, em que "o cliente é o especialista". É também "pessoa comum", interessada no ser humano, em suas histórias, conflitos e superações. Atualmente, vive em busca do seu maior sonho: ajudar o maior número possível de pessoas a se tornarem "autores de suas próprias vidas!" site: www.historiasquetransformam.com.br email: ssmaia.abdul@gmail.com msn: ssmaia.abdul@hotmail.com

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Alexandre Penante da Rocha



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