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As Teias do Jornalismo
O estudo do jornalismo e suas relações com os vários setores da vida humana leva-nos a uma rede bem tramada de aspectos, faces, teorias e contradições. As discussões ao longo desse processo tornam-se inevitáveis. Questões como liberdade de expressão, através da imprensa oral ou escrita, misturam-se com a existência ou não da ética e da moral, tal como até que ponto há a tão clamada imparcialidade. Se podemos ou não tomar como real o que nos relata a imprensa dos dias de hoje, continua sendo uma dúvida que tão cedo não calará.
Vejamos o jornalista como uma aranha, que tece com destreza sua teia, com a qual se abrigará e obterá seu alimento. Seus fios vão sendo construídos conforme o necessário – alguns mais longos, outros mais curtos. Talvez alguns enredem-se nos outros – daí a necessidade do jogo de cintura e bom-senso para desenrola-los. Também há a possibilidade de alguns caírem, se não bem estruturados e presos; outros talvez sejam destruídos por outras aranhas ou predadores maiores que porventura invadam seu espaço. Assim como o mundo dos aracnídeos, o mundo do jornalismo é cheio de emaranhados, que são construídos com fios de verdade, honestidade e competência mesclados com mentiras, invencionices, falcatruas, corrupção e muita, muita habilidade para que o seu lado ruim seja bem oculto pelas sombras.
O jornalismo é um constante jogo político, com direito a trocas de favores a toda hora. Seja pela esmola ao menino de rua, que só assim se convence a conceder entrevista, como ao rendimento aos poderosos – e milionários – golpes de marketing pelos grandes empresários. Infelizmente, hoje em dia é quase impossível acreditar-se em imparcialidade e liberdade de expressão. Pois essa tal liberdade – tão discutida e proclamada – para o jornalista, resume-se às ordens de seu editor, que por sua vez têm sua liberdade de opinião diminuída ante o poder econômico de seu anunciante. Não se faz necessário o conhecimento da verdade total dos fatos, mas sim o lado da “verdade” que é “interessante” que se conheça. Quem se importa com o resto da história? O povo é que se contente com o que lhes é mostrado...
Como vemos, não é uma questão de haver ética ou não. Os dilemas éticos estão presentes por toda a parte, principalmente quando se trata da divulgação de informações envolvendo pessoas reais, acontecimentos reais. Só que, na maioria das vezes, os princípios éticos que estão presentes na formação de um jornalista são impiedosamente reprimidos. Obviamente é possível dizer “não” ante a injustiças e distorções dentro de uma matéria. O único problema é que, ao proferir este “não”, o jornalista em questão poderá pagar um preço muito alto – no mínimo, a perda do emprego.
Dizem que existe pelo menos um motivo para se estudar Economia: não ser enganado por economistas. Pois ao mesmo tempo, isto vale para o jornalismo: seria bom ao leitor ou espectador comum conhecer o jornalismo, para também não ser passado para trás. Aliás, não há quem desconfie mais do que se lê nos jornais – sejam eles impressos, televisivos ou virtuais – como os próprios jornalistas, imaginando o que haverá por trás de cada notícia. E digo mais: nem eles conseguem sempre ter essa visão clara das entrelinhas.
Então, nos resta a pergunta: qual seria a solução para o jornalismo? Será que um dia teremos em nossas mãos, nas páginas de nossos jornais diários, informações completas, imparciais nas quais possamos acreditar realmente? Difícil de se responder, também difícil de se acreditar. Na imparcialidade, mais árdua ainda a tarefa de se crer, já que é o olhar de uma pessoa, humana e vulnerável a falhas, que estará impresso ali. Quem saberá dizer, afinal, qual é a real VERDADE neste caso, se é que ela existe? Num mundo cercado de escuridão, onde os interesses econômicos prevalecem sobre os demais, parece utopia acreditar numa mudança, pelo menos tão brevemente. Provavelmente continuaremos, por um bom espaço de tempo, embaraçando-nos e prendendo-nos em suas teias invisíveis...Sobre o Autor Natural de Bagé, RS. Bacharel em Jornalismo (2007) pelo Centro Universitário Franciscano - UNIFRA, Santa Maria - RS. Pesquisadora nas áreas de Internet e usos da rede, Jornalismo On-line e Editoração Eletrônica. Contato: caroltweber@gmail.com
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Comentários (1)
Avaliado porPaulo Barreto, junho 28, 2008
Quero parabenizá-la pelo artigo, muito bem estruturado e redigido, desejo sucesso sempre!
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