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Publicado em
2011-06-18

ANSIEDADE QUE CONTAGIA!

Ssmaia AbdulSsmaia Abdul
ssmaia.abdul@gmail.com
www.historiasquetransformam.com.br
ANSIEDADE!...QUE COISA É ESSA?

“...Estamos, praticamente, acostumados a viver e conviver com a ansiedade, como se ela não fosse uma doença ou um problema e não nos causasse dano algum!”

Não raro, nos deparamos com esta palavra: “ANSIEDADE”, ou com suas variações, como por exemplo, estou ansioso (a), etc.

Que coisa é essa? Ou melhor, por que se fala tanto em ansiedade? Tenho algumas respostas, que não são provenientes de nenhum estudo científico, e sim da minha experiência enquanto pessoa (que também sente ansiedade) e enquanto psicóloga e estudiosa do ser humano.

Lá vai: fala-se tanto em ansiedade porque “sente-se muita ansiedade!” Para mim, é uma questão de epidemia! Sim, ela “pega”, passa, contagia!

Dr. Haim Gruspun, Psiquiatra Infantil*, em seu livro Criando Filhos Vitoriosos - Quando e Como Promover a Resiliência, 2005, Ed. Atheneu, escreveu uma dedicatória ao seu professor Pedro de Alcântara, relembrando a seguinte citação do mesmo: “... a única doença que ‘pega’ sempre é a ansiedade... é a única doença capaz de contagiar por telefone”.

Bela citação, eu diria! Até hoje, a saúde pública preocupa-se e, merecidamente, com doenças contagiosas ou não, mas que são merecedoras de prevenção e tratamento, como a poliomelite, febre amarela, dengue, H1N1, Hanseníase, entre outras. Mas, e quando se trata de “problemas emocionais” que acometem o ser humano, tanto quanto qualquer outra doença física?

Nem a saúde pública, nem tão pouco, nós mesmos estamos conseguindo “controlar” estes males! Estamos, praticamente, acostumados a viver e conviver com a ansiedade, como se ela não fosse uma doença ou um problema e não nos causasse dano algum!

Aliás, creio que todos são responsáveis por esta epidemia. Todos, incluindo eu e você. Por que? Porque vejo a ansiedade como fruto de um modelo ou padrão de vida que ajudamos a construir, por acreditarmos ser a melhor maneira de vivermos. Resultado: podemos sim ter algumas conquistas boas, mas existem as ruins.

Quero dizer que a ansiedade é um dos resultados negativos dos paradigmas “IMEDIATISTA” e “CONSUMISTA” em que vivemos, fruto de décadas e décadas de desenvolvimento industrial, tecnológico, coorporativo e educativo, em que fomos coniventes, acreditando que a nossa mente estaria preparada para caminhar no mesmo ritmo.

Parece que não foi bem assim! Afinal, nem todos os planos saem perfeitos! Pois, onde quer que seja, nos deparamos com a ansiedade: no trabalho, em casa, nos eventos sociais, nos relacionamentos, nas escolas, e a cada dia, ela traz danos e malefícios significativos para o ser humano e suas relações!

Dia desses, me peguei “frustrada” porque o controle remoto da televisão quebrou. Pensemos: é motivo para tanta frustração? Ok! Respirei fundo e fui buscar o porque de tanta frustração! Parece que descobri, pois a facilidade e a rapidez, não estavam presentes, era preciso levantar-me toda hora, para mudar de canal, baixar o volume ou qualquer coisa assim. Então, me dei conta do quanto a ansiedade não me permitia nem assistir um programa de televisão do início ao fim. Claro, porque um bichinho chamado ansiedade, me dizia o tempo todo: “...olha, você pode estar perdendo programas melhores...” Então, lá estava eu, sentada de frente à TV, bem perto mesmo, mudando de canal em canal!

- Chega!!!! - Gritei! Dei-me conta de que a ansiedade praticamente estava instalada dentro de mim! Sim, sentia e achava que tudo precisava ser feito com pressa, e, pior, tudo na mesma hora! Quem foi que disse? A CULTURA DO IMEDIATISMO, da GLOBALIZAÇÃO!

Quer saber, minha mente não acompanha este ritmo, nem esta pressa! Muitas vezes, se sente obrigada a acompanhar, porque preciso sentir que faço parte do mundo em que vivo. Mas, pêra aí: será que preciso atender a todos os requisitos? Não, eu posso e tenho o direito de construir o mundo e as regras com as quais quero viver e conviver. E foi, através de um controle remoto quebrado, que me dei conta disto, portanto, decidi: não quero a ansiedade morando aqui, dentro de mim, quero seguir e respeitar o meu ritmo, permitir que eu seja como sou!

Descobri, então, que a ansiedade está fora de mim. Eu e ela somos duas coisas absolutamente diferentes! E, o mais importante para mim é manter o meu ritmo, enquanto pessoa que pensa, que sente, que trabalha, que se alimenta, etc, com integridade! E integridade para mim, significa RESPEITO ao meu ser!

Não estou convicta de que vou mudar o mundo, nem os paradigmas ou as culturas predominantes que citei, mas tenho certeza de que já estou mudando os meus olhos diante da vida, estou mudando o meu ritmo e a forma de me relacionar com o mundo: sem ansiedade!

Penso que cada um de nós tem a capacidade de perceber até onde a ansiedade pode estar conosco. Até onde a ansiedade nos faz bem? Até onde ela me ajuda a produzir!!! Sim, a ansiedade, na quantidade certa (impossível de ser medida) nos torna seres produtivos! Mas, quando ela passa desta medida certa, geralmente, entramos neste ritmo imediatista, certos de que nossa mente precisa funcionar como verdadeiros satélites, dando conta de todas as informações ao mesmo tempo, sem que nos demos conta disto!

Espera aí... podemos retomar o controle de nossas mentes, de nosso ritmo! Podemos escolher quando, como e quais informações realmente precisamos e podemos “captar”! A ansiedade atrapalha? Ótimo, sinal de que estamos atentos ao nosso corpo e à nossa mente. A solução? Encontrar maneiras de esvaziar a mente, desacelerar e dar um chega pra lá na ansiedade! Mostrar à ela que é você quem está no comando e não ela!

Não temos um botão liga/desliga, mas temos uma mente tão poderosa quanto à capacidade da ansiedade de nos contagiar! É que muitas vezes, não nos damos conta disto!

Cada um de nós pode encontrar a sua maneira de “desligar-se”, de “esvaziar a mente”, de “selecionar informações” e, principalmente, de “comandar” o seu ritmo! Tenho certeza de que todos nós temos potencial para descobrir esta maneira, tão única, tão individual, tão pessoal, mas que equivale à uma descoberta sensacional, porque ela nos devolve a capacidade de guiarmos nossas vidas, ao nosso ritmo!

Ssmaia Abdul, pessoa a e psicóloga que, por vezes aproveita a ansiedade, e outras, faz de conta que ela nem existe! CRP 06/60674


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*Dr. Haim Gruspun, médico psiquiatra formado pela FMUSP em 1952, psicólogo, advogado e escritor, falecido em outubro de 2006.

Sobre o Autor
Paulista, de origens libanesa e russa, é formada em Psicologia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2000 e em Terapia Narrativa pelo Dulwich Centre em Adelaide, Austrália em 2008 (curso de formação realizado no Brasil por Shona Russell). Idealizadora do projeto de psicoterapia Histórias Que Transformam (www.historiasquetransformam.com.br), atua na área clínica através de Encontros Terapêuticos Breves, utilizando a própria história de vida do cliente como recurso transformador! Também realiza trabalhos em grupo, promovendo conversações e diálogos sobre temas variados. Defende a prática de uma Terapia pautada nos pressupostos da Pós-Modernidade, em que "o cliente é o especialista". É também "pessoa comum", interessada no ser humano, em suas histórias, conflitos e superações. Atualmente, vive em busca do seu maior sonho: ajudar o maior número possível de pessoas a se tornarem "autores de suas próprias vidas!" site: www.historiasquetransformam.com.br email: ssmaia.abdul@gmail.com msn: ssmaia.abdul@hotmail.com

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