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A Ressocialização do Preso em uma Sociedade Injusta

Geverson Aparicio FerrariGeverson Aparicio Ferrari
sargentoferrari@yahoo.com.br
O assunto abordado neste espaço com certeza deve gerar polêmica, criticas e opiniões contrárias, mas deve ser encarado. Outros podem achar estranho um policial militar abordar esse assunto nesta ótica, porém escrevo sobre o assunto com a experiência do dia a dia, da vivência com presos e condenados, foragidos e desempregados desesperados, criminosos por obrigação.
Quem viu os jornais na última semana leu o depoimento de um jovem de 22 anos, flagrado efetuando roubos no centro de Porto Alegre, ao ser indagado pelos repórteres por que roubava, respondeu que não conseguia emprego e precisava comer e alimentar sua família também disse que ninguém empregava um ex-presidiário.
Também prendemos essa semana uma pessoa que, desesperado, roubou uma jovem para pagar a luz de sua casa, que iriam cortar novamente.
Não quero discorrer aqui sobre criminosos de colarinho branco, daquele que rouba milhões do povo, daquele que desvia dinheiro de projetos assistencialistas para o seu bolso, estes, na sua maioria, passam longe das cadeias.
Escrevo aqui sobre pobre, estes que a polícia prende diariamente, estes que lotam os presídios, estes que desembarcam aos montes de carros do estado que os levam para a cadeia diariamente. Estes criminosos que segundo a lei deveriam ser ressocializados e novamente reintegrados a sociedade depois de cumprida a pena. Alguém acredita que isso aconteça? Mas o artigo 1º da lei de Execuções Penai, positiva que a Execução Penal tem por objetivo proporcionar condições para a harmônica integração social de condenado e do internado, porém nossos presídios estão longe de cumprir o preceito legal.
Antes disso, Presídios no Brasil são locais onde se guardam em condições desumanas e cruéis os pobres, negros, e outros marginalizados historicamente pela nossa sociedade que é injusta e completamente imperfeita, como dizia o inglês Thomas Hobbes, o homem é o lobo do próprio homem, temos então um abismo entre os mais pobres e os mais ricos, nem diria mais pobres, diria mais miseráveis e é isso que vivemos, o próprio homem criou antagonismos sociais que estão explodindo em uma guerra de classes, entre os ricos e os miseráveis. É guerra por que é violenta e deixa vítimas, muitas fatais.
Podemos buscar em Karl Marx a teoria perfeita para descrever nossa realidade e social, ele dizia que o capitalismo (nosso sistema político monetário) contém o germe da sua própria destruição, que seria uma exploração do povo em busca do lucro para poucos. Ele também previu um colapso do capitalismo que muitos acreditam que nunca ocorrerá, porém podemos afirmar que estamos diante de tal colapso.
A problemática e grave e delicada, e se chegou neste ponto por conta de séculos de evolução desregrada. Não estamos defendendo criminosos, a Polícia continuara a prender quem cometer crimes e contravenções pois essa é a sua função, e o faz para manter a ordem pública, porém é importante compreender que só prender não é a solução, a solução deve partir da própria sociedade, com ações que venham da comunidade sociedade como um todo – acho muito bonito passeatas pedindo paz – mas elas tem pouca influência para mudar. Acredito em ações mais concretas.
Para finalizar apontamos uma sugestão para minimizar a discriminação contra ex-presidiários, qual seja, a reservas de vagas em empresas, concursos públicos e universidades púbicas e privadas para ex-presidiários e ex-menores infratores. Sabemos que é difícil pensar desse modo, mas devemos pensar nisso para o bem dos nossos descendentes.

Sobre o Autor
Acadêmico de Direito/Apresentador do Programa Plantão Policial da Rádio Equipe 87.9FM/Colunista do Jornal A Notícia/Palestrante e Estudioso sobre a Violência Urbana suas Causas e Consequências.

Comentários (2)
Avaliado porleo cristovam dos santos, novembro 30, 2007
À ressocializão, é necessário antes de mais nada, indagarmos: há interesse efetivo por parte da sociedade e o estado em ressocializar?
É, evidente que não, haja vista, que em qualquer concurso público, O ESTADO, que deveria incentivar o processo de ressocialização, proibe a participação de condenados,tenham cumprido penas ou mesmo, os que tiveram a sua pena prescrita. No último, jamais teve experiência carceraria, todavia, também não pode e não poderá participar de concursos. Como pode o Estado, pensar em ressocialização, quando este é o primeiro a não permitir a ressocialização?
POR OUTRO LADO, como pedir para o meio empresarial, ceder uma oportunidade aos regressos, ou aos oriundos de condenação? Qual situação é mais agravante, o cometedor de um pequeno furto, ou o delinquente, que gera estes miseráveis, (o ladrão de colarinho branco). Não pretendo justificar o erro, haja visto que errando, deve-se pagar pelo erro, daí, passar a rotular um simples erro, seja ele, um furto, ou outros pequenos crimes, pessoas eternamente criminosas, é uma enorme covardia, só admitida em um País elitista, e que ganha e muito em detrimento dos miseráveis. Será que não seria a hora de discutirmos, quem gera estes pequenos deliquentes, com os desvios de verbas, superfaturamento, corrupção em todas as esferas de poder? Resposta: estes senhores, que ROTULAM os pequenos delitos, na verdade, escondem-se, atrás dos seus grandes delitos.
A elite, salvo agumas exceções, são desonestos por natureza, basta verificar o indíce de envolvidos em escandalos, Por outro lado, eu, cometi um delito, quando tinha apenas 18 anos, (um furtoO), hoje tenho 40 anos, sou honesto, mas não posso servir o meu País, porque fui condenado no passado e trabalho há 22 anos. Nunca fui preso, mas sou mais desonesto do que os nossos juízes, policiais, promotores, advogados, políticos. Olha que já paguei muitoimposto neste país. Eles sonegam e com raríssimas exceções cobram propinas, desviam verbas e ainda assim são autoridades e mais honestas que eu. Não concordo e não posso admitir. Sou Bachareel em Direito sem apoio algum, saí da miserabilidade e venci, não pleiteio privilégio, quero apenas dignidade. Para finalizar, se não querem um ex condenado, por pequenos ilicitos, trabalhando nos orgãos públicos e iniciativa privada. Por favor introduzam a pena de morte, será mais digno, do que esta hipocrisia, (Obs: introduzindo a pena de morte, mesmo sendo honesto, mas por ter cometido este pequeno erro, na terra dos que julgam, mas que jamais erraram, apenas roubam e desviam dinheiro do povo, e são tratados de DR. EX. DIGNISSÍMOS, ILUSTRES) tenham a hombridade de me executarem primeiramente, pois, não aguento mais ser considerado um eterno ladrão, mesmo não sendo. Enfim, o que faço, com o meu diploma de bacharel em direito? Rasgo, queimo...
Avaliado porlisa, julho 4, 2008
Tenho medo do futuro... as cadeias brasileiras são faculdades do crime, tivemos uma breve demonstração em 2006 em São Paulo, é urgente fazer algo, e a sociedade que matem o poder (capital) fecha os olhos, mas se não tomarem uma atitude vão ser os primeiros a sofrer as conseqências. Parabéns pelo artigo, deveria ser mais divulgado.
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