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Na conjuntura nacional percebemos a clara necessidade da redistribuição de bens e propriedades. Não discutimos a existência da pobreza, dos desabrigados, dos sem acesso a educação, ou pior, daqueles que não têm o suficiente para sua alimentação.
Lutar para a mudança deste quadro não só é importante, como é essencial, mas o modo com que se procura a mudança, as estratégias e métodos devem ser mais inteligentes. Somente com estratégia e inteligência será possível rever e reestruturar o atual quadro aqui apresentado.
Na semana passada, vimos o bem público sendo depredado por um grupo de baderneiros que lutam pela reforma agrária. Foram quase 600 pessoas que invadiram o Congresso Nacional e agiram com imaturidade e incoerência. Quando questionados pelo motivo do motim, ninguém sabia exatamente o que reivindicavam. Ou seja, toda aquela massa de manobra foi instigada a se lançar numa revolta sem razão clara. Cegos, como nazistas após os discursos de Hitler, avançaram com o único intuito de destruir.
A “Revista Veja” os chamou de “PTbulls”, a alusão foi interessante, porém inconseqüente, pois reduziu toda a brutal ação a um partido político. A manifestação está além disto, a ação do movimento só vem apresentar a falta de cultura e consciência crítica de nosso povo. Os militantes que foram questionados não sabiam exprimir o “porquê” de sua revolta, uma luta inútil e sem sentido.
Estas atitudes põem a perder o sonho da reforma agrária, pois tentam conquistar pela força o que se consegue pela astúcia. Os países que obtiveram sucesso nos processos de reforma não conseguiram pela força, mas pela negociação e inteligência. Não podemos esquecer que toda vitória vem pela capacidade de fechar alianças e manter parcerias.
Todas as vezes que são utilizados métodos brutais, a agressão física ou verbal, diminuem as possibilidades da conquista de um ideal, pois distanciam a possibilidade de alianças que garantam a vitória. Com tudo isso, o MLST conseguiu ver a ANARA (Associação Nacional de apoio à Reforma Agrária) perder as verbas que recebia do governo para auxiliar na subsistência e organização dos assentados. Ou seja, ao contrário de obterem progresso com a ação, conseguiram demonstrar sua idiotice.
Não há dúvidas que temos necessidade da uma reforma na estrutura agrária brasileira. Porém, o uso da força não garante o sucesso do projeto, somente gera mais revolta e faz com que a luta pelo sonho seja rejeitada pela população. Assim, o processo de reforma acaba regredindo, distanciando cada vez mais a implantação do projeto.
Sobre o Autor Filosofia, Política, Artes
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