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Articles - Autores de vários países compartilham dicas, orientações e informações importantes sobre os mais diversos assuntos.

Soluções de Longo Prazo para o Brasil

Edison Luiz LeismannEdison Luiz Leismann
elleismann@hotmail.com
http:professorleismann.googlepages.com
No Brasil, a partir do início da década de noventa, com a abertura econômica abrupta, tivemos um período de crescimento quase que constante da taxa de desemprego.
Na visão do ex-­presidente FHC, o que estaria acontecendo no Brasil era o fenômeno do desemprego tecnológico, tão comum no mundo inteiro, em função da constante inovação tecnológica. Com isso, está ocorrendo a destruição da necessidade de trabalho manual, eliminando empregos, sendo uma tendência e que não há muito a ser feito.

·DESEMPREGO

A visão da inexorabilidade do desemprego certamente não ajuda muito na busca de soluções para o problema que afeta de maneira brutal os desempregados e suas famílias.

Uma pergunta recorrente que ouço: É possível eliminar o desemprego? A resposta é não. Na economia, desemprego em torno de 4% da população economicamente ativa é considerado como pleno emprego.

Isso ocorre em função da mobilidade natural e outros aspectos como a falta de qualificação da mão­-de-­obra, pois nesse nível de desemprego surgem vagas em muitos setores especializados sem a correspondente oferta de mão-­de-­obra. Tudo isso ocorre enquanto outras pessoas desqualificadas ou com qualificações não correspondentes às requisitadas pela demanda continuam desempregadas.

Estamos também vivendo um novo fenômeno, o do crescimento econômico sem a geração de empregos, não só pela inovação tecnológica mas também pelo receio do meio empresarial em contratar, preferindo muitas vezes pagar horas­ extras e terceirizar serviços, muitas vezes em outros países. Assim, crescer sem empregar é ótimo para a produtividade das empresas e do país e péssimo para os desempregados.

No entanto, ainda o crescimento econômico é a forma mais imediata de gerar empregos. Portanto, temos que crescer.

A pergunta que surge é por que não crescemos para reduzir o desemprego?

·INVESTIMENTOS PÚBLICOS

Não crescemos porque não estamos aplicando os recursos públicos arrecadados dos impostos de maneira racional, nas melhores alternativas de alocação. Estou referindo-­me à administração dos recursos públicos. A má administração das últimas décadas nos faz reféns de uma infra-estrutura inadequada ou insuficiente para o crescimento econômico vigoroso. Estradas, portos, energia elétrica, etc.

Tendo em vista as dificuldades de por em funcionamento as Parcerias Público-­Privadas, muitas obras de infra-estrutura dependem de investimentos públicos. Mas, se o diagnóstico é esse, o que estaria faltando? Falta poupança e também investimentos na geração de conhecimento. O setor público não está poupando. O próprio conceito de superávit primário (Receita menos Despesa pública, exceto juros) gera uma falsa impressão de que há superávit. Quando se acrescentam os juros às despesas, estas tem sido sistematicamente superiores à receita, gerando um déficit nominal atual em torno de 4% do PIB – Produto Interno Bruto. Isso representa hoje em torno de 60 bilhões de reais por ano.

·NOVA REFORMA DA PREVIDÊNCIA

Para resolver esta questão de maneira consistente, gostaria de propor soluções duradouras para gerar a poupança interna e solucionar a questão do emprego e geração de renda no Brasil.

É necessária uma nova reforma da previdência aliada a uma reforma da gestão financeira do Estado. Quanto a uma nova reforma da previdência, ela é necessária, pois a de 1998 e a de 2003/ 2004, embora tenham desarmado a “bomba­-relógio” dos déficits públicos, não foram suficientes para gerar a poupança necessária para crescermos a taxas de 5% ou mais ao ano, consistentemente.

Nesta nova reforma, a idade mínima voltará à tona, com discussões semelhantes às que estão ocorrendo na Europa, com proposições de idades mínimas de 67 anos, para homens e mulheres.

·NOVO MODELO DE GESTÃO FINANCEIRA DO ESTADO

Quanto aos outros dois fatores: investimento na geração de conhecimento e novo modelo de gestão financeira do estado, são cruciais para mantermos a competitividade no longo prazo. Não podemos ficar dependentes somente de tecnologias externas, para isso temos que investir pesado em educação, desde a básica até a superior. A competitividade duradoura para gerarmos as exportações necessárias somente virá dos novos conhecimentos gerados ao longo do tempo, por nós mesmos.

Também precisamos deixar de hipocrisia, abandonar a crença de que não devemos nos envolver politicamente, e passar a acompanhar de perto a alocação dos recursos públicos, para que os recursos sejam aplicados nas melhores alternativas de investimento econômico e social.

O crescimento econômico consistente gerará os empregos e a renda necessários para uma vida digna de todos os brasileiros.

Sobre o Autor
Professor de Economia e Finanças - Palestrante

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