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Reflexões sobre o setor sucroalcooleiro
Todos temos acompanhado a elevação do preço do petróleo para mais de 50 dólares o barril. Isso impulsiona a busca por novas alternativas de produção de energia e a procura por motores que utilizem outros combustíveis, além do petróleo e seus derivados. A produção de álcool, um combustível já testado e aprovado tem impulsionado a cultura da cana-de-açúcar nas últimas décadas. Desde o descobrimento a cana vem fazendo parte da economia brasileira, uma vez que o açúcar foi nosso primeiro produto agrícola de exportação e base da colonização do país. Com o passar dos séculos a cana-de-açúcar viveu momentos de grande vigor e períodos de grande queda. Há trinta anos atrás a cana veio para fazer frente à crise do petróleo passando a ser utilizada também para produção em larga escala de álcool como combustível.
O Programa Nacional do Álcool (PROÁLCOOL) foi lançado em 1975 com a finalidade de desenvolver a produção do álcool e sua comercialização como substituição à gasolina, através de regras de comercialização e produção bem definidas. Esse programa também ofereceu vantagens para a modernização das usinas além de financiar a construção de destilarias em diversos estados. A partir daí houve uma evolução na genética da cana, no maquinário de produção de açúcar e álcool e isso contribuiu para a elevação da produtividade e o álcool como combustível se tornou uma realidade.
Mas nem tudo foi um “mar de rosas” a área plantada vem se expandindo e com ela há sem dúvida a concentração da posse da terra e a relação trabalho e capital é um tanto quanto injusta. O trabalhador normalmente mora na cidade e vai todos os dias trabalhar nos canaviais e ganha por produção. A tendência é de diminuição no número de vagas para os trabalhadores braçais e os que permanecerem irão precisar de mais qualificação para serem absorvidos. A cana pode voltar a ser a “menina dos olhos” na pauta de exportação, pois além de estar sendo chamada de “ouro branco” o Brasil venceu mais uma batalha na Organização Mundial de Comércio contra o subsídio que era dado ao açúcar europeu.
Já o álcool tem um importante papel que é contribuir para que o petróleo dure mais tempo, afinal o petróleo não é renovável e cada vez a sociedade tem se tornado mais dependente desse recurso.
Devemos lembrar que a cana-de-açúcar é uma monocultura e traz com ela sérios danos ao meio ambiente, além dos problemas sociais como, por exemplo, a exclusão da agricultura familiar.Sobre o Autor Marçal Rogério Rizzo: Professor Universitário, Graduado em Ciências Econômicas, Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade Estadual de Campinas/SP (CESIT/IE/UNICAMP), Especialista em Gerenciamento de Micro e Pequenas Empresas pela Universidade Federal de Lavras/MG (UFLA), Especialista em Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário Toledo de Araçatuba/SP (UNITOLEDO), Especialista em Gestão e Manejo Ambiental na Agroindústria pela Universidade Federal de Lavras/MG (UFLA), Mestre em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas/SP (IE/UNICAMP) e doutorando em Geografia na área de Dinâmica e Gestão Ambiental pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCT/UNESP) – Campus de Presidente Prudente/SP.
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