Autores: Marçal Rogério Rizzo e Vanessa A. Fernandes Barbosa
Por que os clusters ou APL’s estão sendo tão “falados” e estudados nos dias atuais? O que são tais sistemas ou arranjos produtivos? Como se caracterizam?
O estudo de Arranjos Produtivos Locais (APL’s) se justifica pela importância que tais aglomerações de empresas vêm assumindo, na geração de empregos, no crescimento econômico e no desenvolvimento tecnológico.
Desde os trabalhos pioneiros de Alfred Marshall sobre os distritos industriais ingleses no final do século XIX, outros autores estudaram as razões do sucesso competitivo dessa forma de organização industrial.
Podemos encontrar diversos termos para fazer referência a essas aglomerações de empresas, sendo também chamados de distritos industriais, sistemas produtivos locais, sistemas locais de produção, arranjos produtivos locais, cluster industriais, sistemas locais de inovação, entre outros.
Segundo o site do SEBRAE “os APL’s são aglomerações de empresas localizadas em um mesmo território, que apresentam especialização produtiva e mantêm algum vínculo de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e com outros atores locais tais como governo, associações empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa”.
Para isso, é preciso considerar a dinâmica do território em que essas empresas estão inseridas, tendo em vista o número de postos de trabalho, faturamento, mercado, potencial de crescimento, diversificação, entre outros aspectos.
O sucesso de um APL é medido pela capacidade de competição de suas empresas e, por extensão, por sua trajetória evolutiva em termos de crescimento da produção, geração de empregos, desenvolvimento tecnológico e inserção no mercado interno e internacional, é fortemente condicionada por suas raízes históricas, pelo processo de construção institucional, pelo tecido social, e pelos traços culturais locais. Esses fatores condicionam à especialização produtiva local, a possibilidade de surgimento de liderança local, a existência de confiança entre agentes locais como base para ações conjuntas de cooperação e divisão de trabalho, a criação de instituições de apoio às empresas, e a estrutura de governança prevalecente. Um APL têm características próprias, e não há um modelo pronto sobre como apóia-los.
A maioria dos APL’s tem origem num passado remoto, a partir de um evento ou “acidente histórico” que determinou a localização daquela atividade produtiva naquela região. Nos casos das indústrias de calçados e de móveis, praticamente todas as aglomerações surgiram desse modo. Entretanto, há casos em que a formação de um APL se dá em torno a uma fonte de externalidades criadas, por exemplo, por instituições de ensino e pesquisa ou por políticas públicas.
Marçal Rogério Rizzo: Economista, professor universitário, especialista em Economia do Trabalho pela Unicamp, especialista em Gerenciamento de Micro e Pequenas Empresas pela Universidade Federal de Lavras, mestre em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Unicamp e doutorando em Dinâmica e Meio Ambiente pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP de Presidente Prudente - SP).
Vanessa A. Fernandes Barbosa – Economista, Pós-graduanda do curso de Gestão de Negócios, Finanças, Economia e Produção no Centro Universitário Toledo (UNITOLEDO).Sobre o Autor Marçal Rogério Rizzo: Professor Universitário, Graduado em Ciências Econômicas, Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade Estadual de Campinas/SP (CESIT/IE/UNICAMP), Especialista em Gerenciamento de Micro e Pequenas Empresas pela Universidade Federal de Lavras/MG (UFLA), Especialista em Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário Toledo de Araçatuba/SP (UNITOLEDO), Especialista em Gestão e Manejo Ambiental na Agroindústria pela Universidade Federal de Lavras/MG (UFLA), Mestre em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas/SP (IE/UNICAMP) e doutorando em Geografia na área de Dinâmica e Gestão Ambiental pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCT/UNESP) – Campus de Presidente Prudente/SP.
|