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As Carnes Brasileiras, a Pesquisa e as Exportações

Marçal Rogério RizzoMarçal Rogério Rizzo
marcalprofessor@yahoo.com.br
Estamos presenciando uma busca frenética por novos mercados consumidores. O Brasil vem ganhando respeito no comércio de inúmeros produtos e nesse artigo gostaríamos de usar como exemplo a carne. No ano de 2004 nenhum outro produto superou a carne bovina em exportação. O Brasil foi o país que mais exportou carne no mundo, as divisas quase chegaram as cifras de 2,5 bilhões de dólares. O volume foi 60% maior do que o de 2003.
O resultado dessa elevação se deve ao constante melhoramento dos rebanhos e temos que dividir os “louros” dessa vitória por um trabalho que vem sendo feito há várias décadas.
Quando estudamos a história econômica do Brasil observamos que a pecuária não foi considerada um ciclo econômico e sim uma atividade que servia de apoio para as demais, principalmente para o ciclo do Ouro que ocorreu em Minas Gerais. O gado que servia para o transporte das pedras preciosas vinha do Vale do Rio São Francisco que era um gado mais rústico que agüentava dias e dias de andanças. Já a carne que servia para a alimentação vinha da região Sul na forma de charque. O gado também teve sua importância na subsistência de inúmeras famílias que tiravam o leite e aproveitavam a carne para sobreviver em suas pequenas propriedades. Entretanto o fato histórico que queremos evidenciar surgiu a partir da década de 50 quando a raça Nelore foi introduzida aos poucos na região Centro-Oeste mais precisamente no Estado de Mato Grosso.
Hoje o Estado de Mato Grosso do Sul (Estado criado em 1979 com a divisão do Estado de Mato Grosso) possui o maior rebanho bovino de corte do país que em sua ampla maioria é da raça Nelore. Atualmente o pecuarista tem ao seu favor a inseminação artificial que otimiza a quantidade e a qualidade do rebanho. Outro fato a ser lembrado é que a vegetação nativa foi substituída pela braquearia e isso contribuiu para a engorda do boi. Na questão sanitária e do controle de doenças também houve um progresso, a febre aftosa que era tão temida já não assusta mais, está sob-controle.
Em relação a avicultura e a suinocultura também tivemos grandes ganhos graças ao melhoramento genético. O Estado de Santa Catarina é o estado que vem dando um bom exemplo. Na década de 60 esse estado já possuía um sistema de criação que revolucionou a maneira de se criar frango e porco no Brasil, o sistema de integração. A indústria entra com o pintinho, com a ração, com os medicamentos e com a assistência técnica) e o criador entra com as instalações e com a mão-de-obra. O resultado disso, aliado ao melhoramento genético, foi que em apenas 150 dias os produtores de suínos conseguem produzir um suíno com aproximadamente 100 quilos com um rendimento de carcaça superior a 70%. Já com o frango a evolução foi maior. Há dez anos atrás o Brasil produzia um pouco mais de 1 milhão de toneladas de carne de frango. Hoje já conseguimos produzir 8,5 milhões de toneladas. Em 2004 o Brasil foi o maior exportador de carne de frango do mundo. Atualmente somos respeitadíssimos no mundo, pois não tivemos nenhum caso de gripe aviária.
Para encerrar esse artigo só nos resta uma afirmação: a pesquisa é importantíssima para garantir divisas a partir das exportações e. consequentemente criar e preservar o emprego e a renda para milhões de brasileiros.

MARÇAL ROGÉRIO RIZZO É ECONOMISTA, PROFESSOR UNIVERSITÁRIO, ESPECIALISTA EM ECONOMIA DO TRABALHO E MESTRE EM DESENVOLVIMENTO REGIONAL PELA UNICAMP.

Sobre o Autor
Marçal Rogério Rizzo: Professor Universitário, Graduado em Ciências Econômicas, Especialista em Economia do Trabalho e Sindicalismo pela Universidade Estadual de Campinas/SP (CESIT/IE/UNICAMP), Especialista em Gerenciamento de Micro e Pequenas Empresas pela Universidade Federal de Lavras/MG (UFLA), Especialista em Docência do Ensino Superior pelo Centro Universitário Toledo de Araçatuba/SP (UNITOLEDO), Especialista em Gestão e Manejo Ambiental na Agroindústria pela Universidade Federal de Lavras/MG (UFLA), Mestre em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas/SP (IE/UNICAMP) e doutorando em Geografia na área de Dinâmica e Gestão Ambiental pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCT/UNESP) – Campus de Presidente Prudente/SP.

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Daniel Martins


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