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Acessos: 204 Publicado em: 2008-05-12 

A Perda do Foco do Negócio

Roberto A. TrinconiRoberto A. Trinconi
roberto.trinconi@edgersense.com.br
www.edgersense.com.br
Silenciosa, gradativa e, por vezes, dificilmente recuperável.

Os maiores e mais consistentes exemplos de sucesso são caracterizados pela determinação profissional, pela perseverança inteligente e pelo senso de oportunidade e foco, o que não se trata de privilégio apenas das grandes corporações. Muito pelo contrário.

É triste, mas a freqüência com que vemos grandes empreendimentos se dobrarem a resultados em queda cresce todos os dias em proporções cada vez mais alarmantes. Em tempo: o termo “grandes empreendimentos” não qualifica o tamanho do negócio ou da empresa, mas sim o seu potencial.

Entre os vários fatores que determinam ou aceleram o fracasso dos empreendimentos, na grande maioria dos casos, podemos destacar e enfatizar a perda de foco.

Muitos acabam confundindo “falta de foco” com “perda de foco”. Obviamente, a ausência de foco abrevia e mata um negócio já no seu início. No segundo caso, só se perde algo que se possuía e, ao perdê-lo, compromete-se o desempenho e o eventual êxito histórico alcançado pela empresa.

Essa perda de foco, por sua vez, é o efeito-chave que tem levado a maior parte das empresas a incríveis situações de resultados decadentes, ao desespero e, mesmo, à falência absoluta.

Esse sintoma pode se manifestar como resultado de diversas causas mas, na grande maioria dos casos, a perda de foco decorre da desatenção dos empreendedores, que se lançam a diversas iniciativas simultâneas, sem qualquer planejamento.

Os grandes empreendedores destacam-se pelos vários saltos inovadores e diferenciais com que impulsionam seus negócios. No entanto, isso não significa que os erros e os insucessos estejam longe de seus currículos.

A diferença é saber distinguir onde, quando e com que intensidade dedicar o grau de atenção e o volume de investimentos em uma nova iniciativa potencial de sucesso, em detrimento de outra que o possa levar ao fracasso, por vezes irreversível.

A manutenção do foco de negócio em si já exige imensa e contínua dedicação, planejamento e correção de rotas, antecipando demandas e necessidades de melhorias ou inovações, exigindo altos investimentos e muito trabalho.

Portanto, uma nova iniciativa há que ser conceitualmente avaliada, validada e devidamente planejada, de forma a não drenar recursos e esforços imprescindíveis à operação do negócio principal da empresa.

As tentativas e as insistências desmedidas na busca do êxito de uma nova iniciativa, quando desgarrada do ponto de vista do objeto principal do negócio, normalmente precipitam toda a organização a uma queda acentuada.

Lenta, em seu início, propiciando o enganoso conforto de conceder mais tempo às tentativas, essa queda alcança uma velocidade alucinante e irreversível em curtíssimo prazo.

A sede de diversificação ou as iniciativas descontroladas de criar e gerar continuamente novas oportunidades podem gerar distorções iniciais do foco do empreendimento, quando não, a sua perda total.

Nesses momentos é que o empreendedor, normalmente o principal homem do negócio, pode conduzir um grande e potencial sucesso a uma queda vertiginosa e generalizada.

O planejamento adequado que leva ao sucesso é aquele que define os objetivos, as rotas e as ações a serem perseguidas no objeto principal do negócio, prevendo alternativas e possibilidades adicionais, inclusive ações corretivas, sem que se espere utilizá-las efetivamente em qualquer tempo.

O êxito poderá ser alcançado se todas as possibilidades e necessidades do objeto-chave do negócio constarem do planejamento da empresa, assim como suas alternativas e ações corretivas.

Alcançar o sucesso sem planejar é contar apenas com a sorte e a intuição. Eis um grande equívoco de grande parte dos empreendedores menos preparados.

São raros e difíceis os caminhos que levam ao sucesso. São muitas as alternativas e as armadilhas que levam aos desvios e aos descaminhos.

Saber distinguir uns dos outros exige que a miopia empreendedora possa ser prevenida de forma a proteger o objeto de sucesso do negócio, sem que com isso se anule a capacidade e o desejo de criar e inovar.

O Planejamento Estratégico é um instrumento a ser utilizado dinamicamente e não estaticamente. É uma rota que, interativa e inteligentemente projetada, fortalece e dá fundamento de negócios às iniciativas viáveis, enquanto que antecipa alternativas e possibilidades às falhas de percurso. A capacidade empreendedora é um talento, uma habilidade nata, enquanto o fundamento da gestão é uma disciplina a ser estudada, desenvolvida e praticada.

Roberto A. Trinconi
CEO
EdgerSense Consulting
The Business Management Intelligence Company

Sobre o Autor
Roberto A. Trinconi Fundador e Presidente da EdgerSense Consulting, empresa voltada à inteligência em princípios de gestão de negócios, atuando no segmento de pequenas e médias empresas. Mais de 25 anos de experiência em gestão executiva de negócios, 15 dos quais, na posição de Presidente de empresas multinacionais. Formado em matemática pela Fundação Santo André, com programa de extensão em Administração Estratégica de Negócios pela FGV, graduações em Finanças Corporativas e Gestão de Vendas pela UGSU em St. Louis, MO - USA, e Mestre em Gestão de Qualidade pelo Philip Crosby Quality Institute em Dallas, TX - USA.

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