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Inteligência Emocional e Performance Esportiva

Ari LimaAri Lima
arilima@arilima.com
www.arilima.com
Modernas pesquisas no campo do comportamento humano demonstram que o desempenho de uma pessoa em suas atividades habituais, tanto pessoal quanto profissionalmente, está diretamente relacionado ao seu quociente emocional, QE, muito mais do que ás suas habilidades técnicas.

Estudos realizados pelo psicólogo Daniel Goleman, autor do livro “A Inteligência Emocional”, (Editora Campus/Elsevier, 1995), que comparou pessoas de desempenho excepcional com outras de desempenho mediano, mostram que 90% da diferença da performance entre estas pessoas, se deve a fatores relacionados a inteligência emocional.

Na atividade esportiva, esta afirmação é ainda mais verdadeira, pois os atletas estão continuamente sendo submetidos a um alto grau de pressão, nas competições e nos treinamentos que as antecedem, gerando desgastes físicos e emocionais.

Além da cobrança por resultados nas competições, tanto do clube ao qual está vinculado como de si próprio, existe ainda a cobrança para que este atleta produza resultados e atenda expectativas de um contingente incalculável de torcedores.

Nos times de futebol, por exemplo, um atleta é submetido à grande pressão dos torcedores, alternando momentos de aplausos e estímulos, com outros de apupos e vaias, dependendo das circunstancias do jogo, muitas vezes em situações que fogem ao controle do jogador.

Alguns atletas conseguem conviver de forma satisfatória com este processo, pois desenvolveram naturalmente uma estrutura emocional mais consistente, beneficiados por uma formação familiar favorável, além de outros fatores que influenciaram em sua personalidade.

Outros atletas, ao contrário, não conseguem conviver com tamanha pressão, e acabam tendo seu desempenho prejudicado em função da pressão emocional a que estão sujeitos.

É comum encontrarmos atletas que são “descobertos” nas categorias de base e lançados no time principal sem preparação emocional alguma. Eles realizam excelentes jogos, começam a ver seus nomes destacados pela imprensa, admirados pela torcida, e, de repente, a promessa de um grande jogador desaparece como fumaça. Ninguém consegue entender como um “craque”, que realizava jogadas fantásticas, parou de produzir resultados satisfatórios de uma hora para outra.

Na verdade, é preciso observar o grau de desenvolvimento emocional deste atleta, para compreender o porquê da mudança repentina em seu desempenho. Atletas com competências comportamentais adequadas, são mais estáveis, e conseguem transformar suas habilidades esportivas, em resultados práticos de maneira contínua e adequadas.

A Base da Inteligência Emocional


A seguir os componentes comportamentais que influenciam o desempenho de um atleta, e são responsáveis por sua inteligência emocional no esporte.

Autopercepção – que é a capacidade do atleta conhecer a si próprio em termos de seus comportamentos frente às situações de sua vida, social e profissional, além do relacionamento consigo mesmo.
Autocontrole – ou capacidade de gerir as próprias emoções, seu estado de espírito e seu bom humor.
Auto-motivação –– capacidade de um atleta motivar-se para desempenhar suas funções, independente das circunstâncias do jogo, das competições, de sua vida pessoal e de outros fatores que podem interferir em seu desempenho.
Modelagem – capacidade de aprender continuamente novas habilidades esportivas, pela observação e treinamento de modelos de comportamentos e competências de outros atletas.
Práticas sociais – capacidade de relacionamento interpessoal e de trabalho em equipe.

Autopercepção

O atleta precisa desenvolver um auto-conhecimento em termos de seu potencial e de suas limitações. Descobrir suas estratégias comportamentais, e de que forma estas poderão trabalhar a seu favor, ajudando-o a melhorar seu desempenho. Além disso, saber quais os fatores que mais influenciam seu comportamento.

Vamos apresentar alguns fatores e estratégias que influenciam o comportamento de uma pessoa:

Visuais – existem pessoas que reagem mais fortemente a fatores e comunicação visual. Toda mensagem que recebem, eles formam uma imagem visual para compreender melhor.
Auditivas – pessoas que são influenciadas mais fortemente pelo som, e pala comunicação auditiva.
Sinestésicas – existem pessoas que regem mais fortemente a estímulos físicos, precisam sentir sensações como: toque, calor ou frio.
Estratégias de prazer ou dor – existem pessoas que são orientadas pela busca do prazer, e outras reagem mais fortemente para evitar a dor ou sofrimento.
Influência exterior ou interior – algumas pessoas precisam que alguém lhes mande ou pressione para fazer algo. Outras reagem melhor se elas mesmas tomarem a iniciativa da ação.
Individualistas e coletivistas – existem pessoas que trabalham melhor em equipe, e outras desempenham melhor suas funções quando dependem unicamente de si mesmas.






Autocontrole

A capacidade de gerir as próprias emoções, seu estado de espírito e seu bom humor, é o que podemos chamar de autocontrole. Existe uma estreita relação entre estado emocional e fisiologia, ou postura física. É possível, portanto, controlar o estado de espírito através de um maior controle consciente da fisiologia de uma pessoa.

Sabemos que as pessoas que estão deprimidas, normalmente andam cabisbaixas, ombros caídos e com uma postura recolhida. Por outro lado, as pessoas que estão felizes e exultantes, normalmente estão com uma postura altiva, cabeças erguidas, expressão facial de felicidade.

A simples observação destes fatores demonstra que existe uma intima relação de causa e efeito entre o estado emocional e a fisiologia. Portanto, assim como um estado emocional deprimido influencia negativamente sua fisiologia, o contrário também é verdade, ou seja, uma fisiologia altiva e exultante, influência positivamente o estado de espírito de uma pessoa.

Auto-motivação

É possível para um atleta desenvolver a capacidade de motivar-se para desempenhar melhor suas funções. Basta que trabalhe as etapas descritas anteriormente. Primeiro realize um processo de auto-conhecimento, para descobrir suas estratégias motivacionais e os fatores que mais influenciam seu desempenho. Em seguida deve aprender a utilizar estes fatores para motivar-se.

Por exemplo, se um atleta fizer um auto estudo de seu comportamento, pode chegar a seguinte conclusão: que sua estratégia é visual, orientada na busca pelo prazer, produz melhor resultado trabalhando individualmente, e não gosta de receber ordem direta. Baseado neste perfil, este atleta, juntamente com a equipe, poderiam adequar seu trabalho a estas características e conseguir um melhor desempenho.


Modelagem

Qualquer atleta pode desenvolver melhor suas habilidades esportivas, se aprender a modelar outros esportistas de desempenho excepcional, descobrindo suas estratégias e copiando-as através de treinamento e repetição contínua, adaptando-as a sua realidade física e emocional. Basta seguir os seguintes passos:

Escolher um modelo de atleta que gostaria de copiar e que seja uma referencia em termos de desempenho a ser seguido.
Rever em vídeo, a atividade esportiva deste atleta modelo, analisando todos os aspectos, em termos de seus recursos técnicos, habilidades, comportamentos, estado de espírito, motivação e atitudes em geral.
Iniciar um processo de treinamento baseado naquele modelo.
Repetir as etapas anteriores continuamente, até que as novas habilidades sejam incorporadas ao comportamento do atleta.

Este processo foi utilizado com sucesso pelo especialista em programação neurolingüistica PNL, Anthony Robbins. Em seu livro “O poder Sem Limites”, (Editora Best-Seller, 1987), o autor descreve um treinamento que fez para o exercito dos EUA, em que treinava soldados sem nenhuma experiência em tiro, a modelarem um atirador de elite. Segundo seu relato, ao final de um rápido programa de treinamento, os novatos estavam conseguindo índices de acertos equivalentes aos melhores atiradores.


Práticas Sociais

O relacionamento interpessoal em 360º, ou seja, em todos os setores da vida de um atleta, pode desempenhar um papel fundamental no desempenho deste. Fatores externos como relacionamentos pessoais, e relações com o público em geral e a torcida em particular, influenciam no estado de espírito do esportista. Também o relacionamento com os colegas de clube e a equipe técnica, podem ser determinantes para sua performance.

Por isto, é necessário desenvolver a capacidade de relacionamento interpessoal de um atleta, para que sua influência seja sempre positiva. Alguns fatores que influenciam em seu relacionamento interpessoal são:

Empatia – capacidade de se harmonizar naturalmente com as pessoas.
Comunicação – habilidade de transmitir e compreender as mensagens, tanto verbal quanto não verbal, em seu relacionamento com as pessoas,
Relações humanas – desenvolver a capacidade de prestar atenção e interessar-se verdadeiramente pelas pessoas, evitando críticas e conflitos.


Desenvolvendo a Inteligência Emocional nos Atletas

É possível desenvolver a inteligência emocional de um atleta através das seguintes etapas:

Relacionar as principais competências comportamentais necessárias ao melhor desempenho deste atleta.
Fazer uma avaliação destes comportamentos, comparando o grau atual de suas competências comportamentais, com o grau desejável.
Executar um treinamento, em relação aos comportamentos pouco desenvolvidos, com ações práticas.
Controlar os resultados até conseguir atingir as metas pretendidas.


Depois de descobrir quais os pontos fortes e as limitações, o atleta deve ser orientado a desenvolver as competências comportamentais que mais estão prejudicando seu desempenho.

Habilidades como empatia, flexibilidade, motivação, comunicação e relacionamento interpessoal, capacidade de modelagem, entre outras, devem fazer parte do programa de desenvolvimento de sua Inteligência Emocional.

Treinando, treinando, treinando

Segundo pesquisas, o cérebro emocional aprende através de experiências repetidas. Portanto, depois de identificar seus pontos fracos, é preciso centrar forças neles até desenvolvê-los. É necessário aproveitar todas as oportunidades para praticar suas competências em desenvolvimento.

Acabamos de apresentar um conjunto de idéias que permitirão que um atleta possa melhorar seu desempenho profissional. É comum observarmos esportista de grande potencial e talento, fracassarem justamente em momentos críticos de suas carreiras. Nestas ocasiões, os fatores relacionados à inteligência emocional têm desempenhado papel fundamental nos resultados alcançados. Por isto, acreditamos ser fundamental um programa para o desenvolvimento destas competências, tão essenciais na vida destes profissionais do esporte.

Ari Lima
www.arilima.com

Sobre o Autor
Ari Lima é empresário, engenheiro, consultor em marketing pessoal e gestão de carreiras e especialista em marketing e vendas. Desenvolve treinamento em marketing pessoal e marketing jurídico para profissionais liberais, empresas, escritórios e estudantes universitários. Ministra cursos, seminários e palestras realçando o lado prático e funcional do marketing e escreve artigos diariamente para diversos sites e revistas. Além de uma sólida formação teórica, possui 25 anos de experiência prática em gerenciamento e treinamento de vendedores e de gerentes de vendas, bem como atendimento a clientes. Veja mais informações em www.arilima.com

Comentários (1)
Avaliado porSergio Baresi, julho 12, 2008
Parabéns Sr. Ari, gostei muito do texto, trabalho com atletas de futebol de base, e fiz na minha mente uma correlação deste teu trabalho, peço carinhosamente algumas dicas, muito obrigado, meu email-sbaresisports.73@hotmail.com
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Louise Rodrigues de Sousa Soares


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