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Elogio e Crítica
Elogio é bom e quase todo mundo gosta, mas a crítica...
No mundo corporativo é comum observarmos situações onde as relações são baseadas na crítica e punição.
Estudos do comportamento humano atestam que desde crianças nossos pais e os adultos com quem convivemos tem papel fundamental para o sucesso de nossas carreiras e ações pessoais. A quantidade de críticas e elogios que recebemos podem ser cruciais para o nosso futuro.
Pesquisas da Psicologia revelam que pessoas que foram expostas a ambientes de muita crítica e punição tendem a desenvolver um padrão de comportamento de omissão e submissão. Aceitam tudo e sentem-se constantemente culpadas. Sua produtividade geralmente é aquém das novas exigências do mercado. Quando é cobrado por algum resultado se esquiva, dá desculpas ou chora. Outro padrão de comportamento que pode ser gerado neste mesmo ambiente é totalmente contrário. A pessoa age de forma agressiva, defensiva e desafiadora. Quando é pressionada tende a agir compulsivamente.
Já aqueles que foram demasiadamente elogiados apresentam características de arrogância e prepotência. Acreditam que o mundo estará sempre aos seus pés. Tratam os outros como súditos. Desprezam as hierarquias e querem o poder a todo custo. Apresentam dificuldades para compreender a dimensão ética das relações.
O equilíbrio entre crítica e elogio na vida pessoal e no mundo corporativo é fundamental para a geração de um bom ambiente familiar e profissional. Algumas empresas estimulam seus funcionários a sessões de feedback programado. Outras estruturam diversos tipos de avaliações, como: competência, performance, desempenho, participativa por objetivos etc. Assim, tem mais chances de apontar claramente os caminhos, cobrar resultados ecriar um clima organizacional favorável para as mudanças. Em meio a tudo isso, é fundamental o treinamento e desenvolvimento das lideranças. Ao líder cabe o papel principal de estabelecer critérios e aplicar as críticas e elogios. Com isso, garantir o equilíbrio no clima organizacional e o aumento da produtividade.
A crítica, na sua essência, significa exame, apreciação que se faz de uma obra. Portanto, quando fazemos uma crítica ela deverá ser sobre o conjunto da obra, uma idéia, ações tomadas, fatos e não sobre uma pessoa. O que ocorre muitas vezes no cotidiano profissional e na vida social é exatamente o contrário. Por isso, a maioria das pessoas tem dificuldade em aceitar uma crítica, pois se sentem ameaçadas, punidas, menosprezadas e até mesmo humilhadas.
Isso me faz lembrar da história vivida pelo Pedro, ou como os mais chegados o chamavam: Pedrão. Sujeito simpático, falante, sempre com um sorriso no rosto, demonstrando sempre estar de bem com a vida. Sua característica principal era a franqueza. Sempre falava o que pensava. Certa vez Pedrão foi convocado para participar de um projeto onde não tinha muita experiência. Como seu chefe insistiu e disse que daria todo apoio, Pedrão aceitou, afinal poderia ser mais uma oportunidade de mostrar suas qualidades. O projeto começou e nosso bravo personagem começou a perceber que tudo aquilo não tinha nada a ver com sua área de atuação e, por isso, precisaria de mais tempo para estudar, aprender e poder colaborar no projeto. Certamente que este tempo não foi lhe dado, afinal o prazo para a entrega do projeto era muito curto e precisava de todo o esforço dos envolvidos. O fato é que Pedrão não se saiu muito bem. Perdeu dias debruçado em materiais, livros, apostilas e relatórios para tentar entender o projeto. Passava horas a mais na empresa para dar conta do seu serviço e se inteirar do plano. Tudo em vão. O resultado foi uma gastrite que passou a conviver com ele diariamente e a briga homérica que teve com o responsável pelo projeto. A gastrite não vem ao caso detalhar, mas sobre a discussão...
Tudo começou quando Pedrão resolveu apontar algumas falhas na condução do projeto. Na verdade, o responsável pelo projeto realmente cometeu alguns erros no planejamento e isso gerou certo atraso, mas não foi o fator principal. Houve um misto de incompetência da equipe, falta de experiência dos participantes, prazo muito curto, falta de apoio da diretoria e outros detalhes menores. No fim sobrou para o Pedrão.
Certo dia, no meio de uma das muitas reuniões de planejamento - munido de boa intenção - tascou a famosa “crítica construtiva”. Disse que o projeto continha falhas graves e que achava não ser possível completar no prazo estipulado. Apontou também a falta de habilidade do coordenador em liderar a equipe. Sua forma direta e repleta de “achismos” chocou a todos. Nesta reunião, além do coordenador do projeto, estavam mais seis pessoas de diversas áreas que completavam a equipe. O resultado foi catastrófico! O responsável sentiu-se ofendido e esbravejou: como alguém que não tem experiência no assunto pode falar algo desse jeito, ainda mais na frente de todo mundo?
Bem, a conclusão desta história é que crítica construtiva é balela. Ela só será construtiva se o outro assim entender. Se ele perceber sua utilidade. Quando uma crítica é apontada, por melhor que seja a intenção, somente o outro poderá julgar sua aplicação. Em resumo crítica é crítica, ou seja, é apreciação desfavorável, é apontar falhas, é censura. A forma como é feita pode mudar muita coisa, até sua aceitação.
Sendo assim, antes de fazer uma crítica é fundamental perceber se o momento é adequado, escolher o local apropriado e analisar os resultados que esta ação poderá gerar. Mesmo sendo a mais pura verdade, nem todos entenderão assim. Quando tiver de fazer uma crítica vá direto ao ponto e apresente fatos. Pois como diz a sabedoria popular, contra fatos não há argumentos.
Voltando ao início deste artigo: criticar é fácil, já elogiar... Lembre-se que em termos de crítica e elogio vale a seguinte regra: critique em particular, só para as pessoas envolvidas; e elogie publicamente, pois todos sentirão orgulho de pertencer a uma organização onde as pessoas são reconhecidas e valorizadas pelo seu caráter e competência.Sobre o Autor Rogerio Martins é Psicólogo, Consultor Organizacional e Palestrante sobre comportamento, liderança, gestão de pessoas e motivação humana. Sócio-Diretor da Persona Consultoria & Eventos.
Autor do livro “Reflexões do Mundo Corporativo”, Ed. Scortecci e diversos artigos publicados em jornais, revistas e sites do Brasil e Portugal.
Membro do Rotary Club de SP Santana - Distrito 4.430.
Contato: telefone (11) 2978-4354 / 2950-5201 ou no site www.personaconsultoria.com.br ou http://palestranterogeriomartins.blogspot.com
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Comentários (6)
Avaliado porMarta, outubro 5, 2007
Na empresa onde trabalho passei por situação de muita crítica e pouco elogio. É frustrante, mas como temos que aceitar porque podemos perder o trabalho acabamos ficando descontentes. Gostei.
Avaliado pormarta avila, outubro 6, 2007
já passei por esta situação de ser constantemente criticada. meu chefe nunca fazia um elogio até que a equipe começou a boicotar e no final alguns foram demitidos e depois ele também.
Avaliado porAndré, outubro 8, 2007
Gostei da forma como escreve o que se passa nas empresas. Já passei por isso, ser criticado sem elogios.
Avaliado porSilvia, outubro 11, 2007
só criticar náo dá. procuro fazer com minha equipe um misto de elogio e crítica como está escrito no texto. conheço alguns chefes na empresa onde trabalho que só sabem cobrar e isso desanima as pessoas.
Avaliado porfábio, outubro 18, 2007
Muito bom. Parabéns.
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