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ENLATADOS DO CAPITALISMO

Rafael Lucas Santos ValinRafael Lucas Santos Valin
rafael.sociais@gmail.com
rafaelvalin.blog.terra.com.br
Já pensou em passar um dia todo sem fazer nada? E se, em algum momento não quiser pensar em mais nada por algumas horas ou dias? Será condenado por Deus, ou simplesmente sofrerá as sanções do preconceito vindo de uma sociedade hipócrita e burocratizada?
Sofremos este tipo de represália pois, o sistema Capitalista de produção, aquele em que a lógica predominante é a conservação da propriedade privada e a busca intensa por lucros, possui seus fundamentos arraigados na Ética Protestante, mais especificamente no Calvinismo.
Os fundamentos que norteiam a religião criada por João Calvino, diz que as habilidades humanas devem ser percebidas como dádiva divina e por isso precisam ser incentivadas. A obtenção do lucro, seria apenas uma conseqüência – permitida – por Deus. No momento em que deixamos de aplicar nossas habilidades, segundo esta doutrina, abandonamos o direito de ser filho de Deus, e mais que isso, passamos a sofrer poderosas sanções da igreja e de seus fiéis.
No sentido de compreender a lógica implícita na relação entre moral religiosa e ética econômica, o alemão Max Weber, publica a obra escrita em meados de 1904 e 1905, intitulada: “Ética protestante e o espírito capitalista”, buscando o elo que proporciona esta união.
O capitalismo moderno e, segundo muitos economistas, mais próximo do ideal, começa com a Revolução Industrial e as chamadas revoluções "burguesas", ou seja, a Revolução Gloriosa inglesa, a Independência dos EUA e a Revolução Francesa.
O Sistema de produção em questão, como uma poderosa bactéria, se alastrou por todo mundo com uma velocidade insuperável. O Capitalismo demonstra seu poder nos pequenos detalhes do dia-a-dia, como por exemplo, na falência de uma micro-empresa, na relação oferta e procura e na existência das propriedades privadas. Ele impõe o ritmo de nossas vidas, ditando regras e fazendo exigências.
Mesmo entre os cientistas sociais mais otimistas, a possibilidade da extinção deste sistema de produção chega quase ao nível do impossível, por que nós, consumidores, contribuímos com o fortalecimento desta doutrina econômica.
Em outras palavras, o Capitalismo vive porque não abdicamos de nossas residências, não conseguimos superar o consumismo, enfim, não conseguimos encontrar outra forma de sobreviver sem ser na relação explorado e explorador, proprietário e trabalhador.
Todas nossas escolhas e atitudes têm, embutido na memória, características discursadas por esse sistema, o que fica evidenciado em frases como “o trabalho enobrece o homem”, ou “Mente vazia, oficina do diabo”, as quais, possuidoras de uma moral/religiosa, demonstram o poder que estas idéias econômicas tinham e ainda têm em nosso cotidiano.
É necessário que tenhamos em mente o poder castrador que o Sistema Capitalista de Produção possui. É ainda mais importante que, na medida do possível, busquemos encontrar soluções para impedir, que, num futuro próximo, a extinção dos nomes próprios, sejam trocados por uma numeração dada a cada indivíduo no momento de seu nascimento como uma mercadoria nas prateleiras do supermercado.

Sobre o Autor
Sociólogo formado pela Unesp, atua como professor de história, geografia e filosofia na rede pública de ensino, articulista do jonal O Município de São João da Boa Vista e como Coordenador Pedagógico do Polaris Educacional também de São João da Boa Vista. 
Gosta de escrever nas horas vagas, o que justifica a pequena produção literária. Escreve sobre assuntos incômodos, como política, educação, sociedade entre outros.

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