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845
Publicado em
2007-10-15

Multicredulidade, um fenômeno engraçado

Robson FernandoRobson Fernando
robfbms@hotmail.com
consciencia.blog.br/
Um fato engraçado no Brasil é a grande credulidade das pessoas, especialmente os cristãos não-praticantes, que aparentemente são maioria na classe média e na média-baixa. Existe também a credulidade unicamente cristã dos praticantes fiéis, claro, mas não é dessa que eu falo neste artigo. Falo da multicredulidade da maioria dos cristãos não-praticantes, daqueles que se dizem cristãos nos censos do IBGE, da FGV e de outros órgãos mas na verdade seguem parcialmente várias crenças religiosas bem diferentes.

É engraçado o fenômeno:
- Num casamento ou numa morte, vão para a igreja católica rezar e participar da missa;
- No ano novo, jogam flores no mar para a divindade candomblecista Iemanjá;
- Quando querem saber seu futuro próximo, recorrem à astrologia dos povos pagãos;
- Se impressionam com os supostos poderes sobrenaturais dos médiuns espíritas;
- Nos 15 anos da filha, fazem uma festa remanescente dos ritos de passagem dos animistas e xamanistas do Neolítico;
- Quando estão estressados com a vida de corre-corre capitalista urbano diário, vão procurar um templo budista para meditar;
- Praticam a Yoga, que é hindu, e acreditam nas propriedades e benefícios sobrenaturais providos pelas posturas e meditações;
- Quando estão em sérias dificuldades financeiras e/ou familiares, oram a Javé da maneira evangélica;
- Têm medo de qualquer profecia sobre o fim do mundo de QUALQUER MITOLOGIA;
- Recorrem a magias wiccas quando querem atrair riquezas, prosperidade, fertilidade, amor e outras coisas;
- Acreditam em Jesus como divindade e clamam "Meu deus do céu" direto, mas, quando um crente vai pregar a santidade da fonte desse mito (a bíblia) para eles, acham ruim e sentem-se incomodados.

E o ponto sombrio da lista:
- Quando alguém próximo, ou um famoso, se revela ateu e livre de crenças religiosas, esculhambam e rechaçam a pessoa como se fosse um sujeito imoral, imundo e de atitudes abomináveis.
Ou seja: para a sociedade, ou você crê em tudo ou crê em uma dessas crenças. Se não crer em nada disso, até por ser tudo farinha do mesmo saco da crendice e da mitologia, tá ferrado. É o que está acontecendo com Daniel Radcliffe, o Harry Potter do cinema, depois que ele assumiu ser ateu. Essa página [ http://br.geocities.com/robfbms/ateufobia_danradcliffeateu.htm ] mostra como a aversão ao ateísmo e aos próprios ateus domina a maioria das pessoas.

Não abomino essa multicrença das pessoas referidas. Só acho que elas, uma vez acreditando em qualquer coisa que aparece pela frente, precisam acordar e ter um raciocínio crítico para começarem a questionar mais todas essas suas crendices presentes e talvez futuras. A solução para isso é injetar mais ciência, racionalidade e História das Religiões (como disciplina à parte ou incorporada em História) na grade curricular das crianças e adolescentes nas escolas particulares (de onde vêm a maioria dos multicrédulos) e públicas. Se bem que haverá oposição dos políticos mais religiosos com medo de perder potenciais fiéis de suas igrejas.

Quanto à ateufobia, o preconceito contra ateus, o jeito é que apareçam grupos ateus que se desenvolvam e comecem a reivindicar o respeito e a garantia dos direitos constitucionais e infraconstitucionais e mostrar os argumentos do porquê de sermos ateus. Quando aparecer um Grupo Leões Ateus do Norte (alusão ao Grupo Gay Leões do Norte, de Pernambuco) aqui em Pernambuco, vou entrar com gosto. Adorarei lutar pelo respeito à validade das minhas descrenças.

Sobre o Autor

É escritor independente de artigos, apaixonado por sociologia e dono do blog Arauto da Consciência. Escreve artigos desde setembro de 2007.


Comentários (2)
porBruno, outubro 17, 2007
1 de 1 pessoas acharam esta avaliação útil
Botou quente, o fenomeno q relatasse foi perfeito.
porVinicius RJ, outubro 23, 2007
1 de 1 pessoas acharam esta avaliação útil
Bom artigo, parabens!
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