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CONSPIRAÇÃO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
ARANHA, Carla. O Julgamento de Jesus
Aventuras na História, Editora Abril, Abril 2004
BÍBLIA Ave Maria, Editora Ave Maria, 168º Ed. São Paulo, 2005
Estive relendo uma revista antiga sobre história, a Aventuras na História de Abril de 2004 e li esse artigo da jornalista Carla Aranha, onde ela cita alguns supostos motivos para a condenação de Jesus. Nessa releitura constatei que, realmente, não podemos afirmar com nenhuma segurança os verdadeiros motivos pelos quais, Jesus de Nazaré foi, supostamente, capturado e morto na cruz.
Quase dois mil anos depois, a morte de Jesus ainda causa muita polêmica e desconforto, pois a falta de documentação hostoriográfica sobre o assunto gera, entre os cristãos e até em quem não acredita na sua existência terrena, muita discussão e falta de compreensão.
Segundo a autora, os textos bíblicos são a única fonte de informação sobre a vida de Jesus, mas eles divergem muito entre si, causando assim, a sensação de algo errado no ar, além de não indicar uma seqüência lógica para os acontecimentos. Apontam os sacerdotes judeus como únicos culpados pela morte de Jesus, versão esta que é rebatida constantemente pelos cristãos modernos, que atribuem o assassinato também à Roma numa ação conjunta. Mesmo assim, muitos cristãos fanáticos interpretam os textos de forma anti-semita.
Outro agravante apontado por ela é que alguns textos encontrados que são contemporâneos à vida de Jesus, supostamente, contendo alguma informação relevante sobre ele, simplesmente não o citam e se citam, nada acrescentam de novo ou importante. Segundo ela, basta observar os manuscritos do mar morto escritos pelos essênios e encontrados em Qiran em 1947. Antigamente, acreditava-se que Jesus era um essênio, mas a tradução integral desse texto derrubou essa tese, pois não existe nenhuma referência a Jesus em nenhum ponto do texto. Outro ponto de discordância é o fato de que as fontes históricas gregas e judaicas também ignoram a existência de Jesus.
O romano Flavio Josefo, que viveu no mesmo século de Jesus, em seu livro Antiguidades Judaicas, coloca uma polêmica ao dizer que “Jesus fazia milagres” e que “foi visto três dias depois de sua morte, de novo vivo”. Carla Aranha também acha discutível que este trecho seja realmente dele. Segundo alguns historiadores, seria inconpreensível que um Judeu declarado cidadão romano, como era o caso de Josefo, acreditasse que Jesus fosse o Messias.
As vozes sobre a existencia de Jesus são raras, pois não se conhece nenhum artefato arqueológico ligado diretamente a pessoa de Jesus. O único sucesso arqueológico sobre Jesus, diz respeito ao momento histórico em que ele teria vivido, pois escavações recentes descobriram vestígios de construções romanas do século I na região de Nazaré. Descobriu-se também naquela região, que naquela época, existiam muitas construções, levando a crer que praticamente todos os homens adultos estavam ligados à construção civil. Isso também coloca em cheque a certeza de que Jesus e seu pai era carpinteiros. Provavelmente sua verdadeira profissão nem tenha sido a relatada na bíblia.
Mas do que realmente ele foi acusado? Por que foi condenado? Voltemos à situação histórica em que se inseria Jesus.
O povo tinha de pagar impostos a Roma, ao templo e para Herodes. A tripla tributação tornava a população praticamente miserável, e causava uma desconfiança em relação aos sacerdotes que era crescente. Jesus pregava duramente contra eles por darem muita importancia ao ouro e se esquecerem dos mais necessitados, e, convenhamos, esse era um cenário propício para que uma pessoa com o espírito de liderança que Jesus tinha, aparecesse e fosse ouvida. Mas Jesus era apenas um entre centenas de homens que pregavam nas ruas dizendo ser o Messias. O poder local via com muito descontentamento esse movimento messiânico, mas o de Jesus foi diferente, arrasador, pregando a igualdade e o amor. Com a sua chegada na cidade de Jerusalem há uma semana da Páscoa, ele vira o centro das atenções, e suas curas praticadas na Galiléia e que foram atribuídas por ele mesmo ao monopólio divino, foram consideradas blasfêmias. Sem contar que, sua estada em Jerusalém na semana da Páscoa foi recheada de provocações; a primeira delas é o fato de ele ter entrado na cidade sentado em um jumento, equiparando-se assim ao Messias prometido; e a ofensa final foi a expulsão dos fariseus do templo. Com esse ato ele comprou uma briga e tanto. Era interessante tanto pra Roma, quanto para os sacerdotes judeus calar a voz de Jesus, que além de infirir a ordem, o que ofendia Roma, incitava o povo contra as leis judaicas, o que insultava o Sinédrio.
Judas o trai e o entrega para o Sinédrio, que com seus guardas, o captura , à noite, no Monte das Oliveiras. Para ter a permissão de circular até aquele horário, a guarda do templo deveria ter tido algum tipo de cobertura da guarda romana, o que reforça a teoria da conspiração.
Depois de interrogá-lo, o Sinédrio não o condena, pois, a condenação capital não era permitida por Roma, a não ser que o crime ferisse a lei Romana. Como a acusação era de blasfêmia, o sinédrio o condena e o leva a Pôncio Pilatos sobre acusação de agitação política, crime esse que era sucetível de crucificação. Pilatos, segundo os evangelhos, teria hesitado em condena-lo sumariamente a morte, mas, ao contrário, tentou soltá-lo mais de uma vez. Vendo que sua condenação seria inevitável, resolveu lavar as mãos para simbolizar sua inocência com o veredicto;
Segundo os historiadores, esse julgamento é inverossímil e pode até não ter existido. Jesus, pode ter sido condenado a morte sumáriamente. A passagem bíblica sobre o julgamento, provavelmente deve ter sido escrita depois, pois, tendo de conviver com o império romano, os evangelistas usam suas escritas para massificar a cisão entre judeus e cristãos.
Filão (historiador que também não se refere a Jesus), descreve a crueldade e autoritarismo de Pilatos, descrição esta que bate de frente com as escrituras, que mostram um Pilatos brando, suave, pendente ao perdão. Outro ponto conflitante é o fato de soltar um preso na Páscoa. Esse hábito era raro e não comum como a bílbia nos faz crer.
Barrabás (preso por assassinato) é solto e Jesus é condenado, acusado de sedição. Uma vez condenado, a pena seria a crucificação precedida de açoitamento que era a pena mais brutal daquela época.
Uma vez crucificado, o condenado morre de sede e asfixia. O sofrimento levava dias. No caso de Jesus ele morreu em poucas horas por conta dos ferimentos decorrentes das mãos e pés pregados na madeira da cruz, procedimento que raramente era usado. Guardas tomavam conta do lugar o tempo todo para evitar que dessem água ou libertassem o prisioneiro. Todo o processo era assistido pela família e população, humilhação que fazia parte da pena, e se sustentava mesmo depois da morte, pois, os corpos eram deixados no lugar, para sofrerem a ação dos elementos, até serem devorados por abutres e cães, já que não haviam sepulturas suficientes para o número de execuções existentes.
Os familiares de Jesus, provavelmente conseguiram autorização especial para retirar o corpo para sepultamento. Três dias depois da morte de Jesus, começa o maior relato de fé até então conhecido. A Ressurreição, relato que é embasamento de uma religião que abraça todo o mundo ocidental a ponto de, nos dias de hoje, atingir a marca de dois bilhões de seguidores.
Um artigo completo (o que não quer dizer convincente) que nos tira várias dúvidas em relação a esse acontecimento que tanto nos choca até os dias de hoje e que por outro lado, também nos deixa com muitos questionamentos sobre esse assunto. Até que ponto os romanos realmente tiveram relação com a morte de Jesus? Até que ponto, essa participação foi ativa? Será que Roma não foi usada para interesses do Sinédrio? Não quero ser anti-semita, mas não podemos ter certeza de nada nesse assunto. O único relato sobre a morte de Jesus é a Bíblia, que é o símbolo de uma fé milenar, e a fé, inclusive a minha, essa não se questiona de maneira alguma.Sobre o Autor História
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