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Publicado em
2007-06-30

AVALIAÇÃO NO PROCESSO ENSINO - APRENDIZAGEM

Elaine PetrinElaine Petrin
No presente artigo pretendo expor algumas considerações sobre a avaliação no contexto do processo ensino-aprendizagem, observando qual é o seu papel no desenvolvimento do trabalho escolar e quais as suas possibilidades de aplicação junto ao educador. Para que avaliar, o que avaliar e como avaliar devem ser reflexões contínuas no cotidiano do educador, para que este não perca o seu objetivo principal, o bom desempenho do aluno.
Para entendermos melhor o que a avaliação significa no processo ensino-aprendizagem, precisamos rever alguns conceitos e, a partir daí, compreender sua real função.
Do ponto de vista da avaliação do rendimento escolar do aluno, a LDB em seu artigo 24, V, afirma que a avaliação do trabalho escolar será contínua e cumulativa, devendo ser dada prioridade para os aspectos qualitativos, devendo, ainda prevalecer o desempenho do aluno ao longo do ano sobre o de uma eventual prova final. A avaliação refere-se tanto ao que e o como o aluno está aprendendo, mas também à necessária revisão dos elementos que constituem a prática docente, tanto no âmbito da aula como no da própria escola.
Ela desempenha três papéis: diagnóstica, formativa e classificatória. Na perspectiva do planejamento curricular e de ensino, as três funções são importantes e devem ser levadas em conta no planejamento escolar. Com relação ao planejamento das atividades educativas, a avaliação diagnóstica é o ponto de partida, pois é ela que define as necessidades a satisfazer, diagnostica os problemas que impedem que estas necessidades sejam satisfeitas. Já avaliação formativa é aquela que busca entender como se está desenvolvendo o processo ensino-aprendizagem, fornecendo elementos para corrigir rumos e orientar o estudante em relação ao seu aprendizado. Quanto à avaliação classificatória, não há nenhum mal em se quantificar certos resultados obtidos junto aos alunos, o que não é correto é valer-se apenas dessas informações.
Para iniciar uma avaliação do rendimento escolar que traduza na prática o compromisso da escola com o desenvolvimento do aluno, três questões devem orientar o trabalho docente: Para que avaliar? O que avaliar? Como avaliar?
A avaliação do aluno em sala de aula tem como propósito promover o aperfeiçoamento do ensino que vem sendo oferecido. Avalia-se para identificar necessidades e prioridades, situar o próprio professor e o aluno no percurso escolar. Para Prado (1997, p.144), se a avaliação do rendimento escolar tem como função a análise e a proposição de encaminhamentos pedagógicos para que os objetivos do ensino sejam atingidos, seu processo final culmina não na aprovação ou reprovação, mas em prescrições pedagógicas que possam tornar o ensino mais efetivo.
Analisando o seu curso, as aprendizagens que prioriza e o tipo de ensino que pretende desenvolver é que o professor define o que irá avaliar. É a clareza de seus objetivos, do significado da sua disciplina na formação do aluno e dos propósitos do projeto da escola que permitirão ao professor definir procedimentos de avaliação que permitam aos alunos e a ele próprio ter uma gestão dos erros e do processo de superação. Definir o que avaliar conduz o professor a refletir sobre o ensino que pretende desenvolver e as dificuldades que terá que enfrentar para alcançar os propósitos esperados. Exige do professor muita clareza sobre a formação pretendida de seus alunos. É a partir do planejamento que realizou para promover o processo de ensino-aprendizagem , ou seja, da seleção das competências e conhecimentos que priorizou e das estratégias que escolheu para desenvolver, que o professor irá esclarecer o que avaliar.
Avaliar não é medir, avaliar envolve o levantamento de informações sobre a aprendizagem dos alunos que devem ser analisadas, considerando os critérios e objetivos do plano de ensino, e inclui também o processo de tomada de decisões. Analisar como vou avaliar implica estabelecer como vou permitir que os dados levantados permitam autoconhecimento do aluno e o diagnóstico do ensino oferecido. A avaliação, ao possibilitar o diagnóstico do ensino oferecido pelo professor e do desempenho do aluno, pode ser formadora quando os resultados possibilitarem também uma reflexão sobre a prática que estamos desenvolvendo, ou seja, quando os resultados obtidos pelos alunos permitirem ao professor analisar a sua participação na aquisição da aprendizagem e identificar quais as estratégias mais efetivas e as que precisam ser revistas, que processos de aprendizagem os alunos estão construindo, quais as dificuldades que o próprio professor enfrenta. Desenvolver uma avaliação formadora significa realizar um processo não fragmentado, não punitivo e orientado por princípios éticos. Comprometida com a transformação social, essa prática educativa reconhece o papel da educação nessa transformação, prioriza a análise do pensamento crítico do aluno e focaliza sua capacidade de solucionar problemas reais. Não se pode esquecer que neste tipo de avaliação é fundamental que o resultado sempre seja devolvido e analisado com o aluno.
Atualmente, fala-se muito em práticas de avaliação numa perspectiva emancipatória, a qual tende a assegurar nas instituições o caráter educativo da avaliação, isto é, avaliação como meio de revisão das ações do professor, suas práticas de ensino e interação com os alunos, de modo que o próprio professor tome decisões com maior conhecimento de causa. A avaliação torna-se mais compreensiva quanto ao processo de ensino e aprendizagem, é mais democrática, sendo que os resultados obtidos são discutidos e negociados entre os participantes do trabalho escolar, e busca ainda uma auto-avaliação, mediante um processo reflexivo de planejamento-observação, análise-reflexão.
Conclui-se, então, que o professor deixa de ter papel dominante no processo avaliativo, passando a ser um investigador que busca sempre melhores resultados, utilizando critérios mais relevantes centrados em dimensões qualitativas e quantitativas, proporcionando melhor qualidade da aprendizagem para todos os alunos, em condições iguais.

Sobre o Autor
Elaine A. Petrin possui formação em Magistério pelo CEFAM - SP, é Graduada em Letras Português/Inglês pela Universidade de Sorocaba - Uniso, também licenciada em Pedagogia pela FAC São Roque e Pós-Graduada em Gestão Educacional pela Universidade Castelo Branco - UCB.

Comentários (5)
porJoseane, maio 27, 2014
estou fazendo uma pesquisa ,mais estou com dificuldade;
Gostaria de saber qual o lugar da avaliação no processo ensino e aprendizagem. E PARA QUE E FEITA SE PUDER ME AJUDAR AGRADEÇO.
porIzabel, julho 13, 2013
Muito bom esse artigo, tive maior compreensão lendo esse artigo.
porSaul, agosto 26, 2011
sou estudante do curso medio em saude preventiva,em Mocambique egostei muito do seu artigo e estou muito satisfeito por que uma das minhas cadeiras tem sido Metodologias de ensino.
porAugusto, abril 7, 2011
gostei do artugo. sou prof em Cabo Verde. Interessa-me muito questões sobre a avaliação. fonte de democracia, igualdede social, evita o abandono escolar, insuceeso e a indisciplina na sala de aula. temos que levar a avaliação, a escola, formação ao futebol, e a política.
porFrancisco, fevereiro 8, 2008
Excelente artigo. Demonstra sintonia com as teorias modernas da Educação.
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