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Diamantino Silveira

Vicente Freitas AraujoVicente Freitas Araujo
vincentfreitas@ig.com.br
www.vicentefreitas.blogspot.com
Aureliano Diamantino Silveira – Padre. Professor. Advogado. Escritor, – vem desenvolvendo ao longo da sua vida, intensa atividade intelectual. E o faz revelando três cousas fundamentais: honestidade de propósitos, base cultural e espírito de justiça.
Ainda muito moço emigrou para a cidade, em busca de vida nova. Mas, durante sua permanência distante do torrão natal – sua querida Bela Cruz foi sempre a evocação de todos os momentos.
Pois foi ali que ele nasceu, na fazenda Lagoa Seca, distrito de Santa Cruz, ex-Alto da Genoveva.
Logo o menino Diamantino entrou em contato com as vilas de Santa Cruz, Cruz, Marco, e outras cidades como Camocim, Acaraú, Santana do Acaraú e Sobral. Em Correguinho, aprendeu a carta de A B C, com dona Amélia, sua primeira professora; em Camocim, assimilou as primeiras letras, com sua tia Mundica; em Lagoa do Mato, com o professor Raimundo Major, desenvolveu a leitura; em Santa Cruz, ingressou na escola municipal, cursando o primário, com a professora – sua prima – dona Geralda Lopes Araújo. Em Sobral, fez o ginásio e o segundo grau, no Seminário São José. Finalmente, em Fortaleza, conclui o curso de Filosofia e Teologia, na Prainha.
Além da formação acadêmica em Teologia, ainda concluiu o bacharelado em Direito e a licenciatura pedagógica, o que lhe proporcionou habilitação para exercer o magistério universitário em algumas instituições de ensino superior, no Rio de Janeiro, onde redigiu os livros, que tenho agora a honra de apresentar ao público.
Sua dedicação incansável à palavra escrita estendeu-se igualmente à palavra falada. Tanto gosta de escrever, quanto de discursar. Seus discursos geralmente são breves, e agradam pela naturalidade com que profere a frase abundante e expressa o pensamento espontâneo.
Aprecia tanto a conversa amena e simples das rodas de amigos, quanto a formalidade solene das preleções e conferências. São seus lazeres prediletos a prática da oratória, o exercício da literatura e a arte de fazer amigos.
Por ser homem dedicado ao uso da palavra – a principal mediação da comunicação e do relacionamento humanos – , não é estranho que pertença, como sócio, a várias instituições culturais e academias, locais onde a fala é sempre farta e as letras abundantes.
Ele escreve, simplesmente, como quem fala e fala, simplesmente, como quem escreve. Prefere a frase comum, usual, acessível a todos. E isto lhe conta em crédito, pois nada mais fácil do que escrever difícil. Por tudo isso, não é escritor de aprimorar o estilo com palavras bem ajustadas ou construir períodos com excessiva pureza de linguagem. O que lhe importa é transmitir o que pensa, como quem se desobriga de um dever sagrado.
Diga-se mais que é assíduo escrevedor de cartas, sendo proverbial a pontualidade em enviá-las e respondê-las. É grande a correspondência que mantém com entidades e homens de letras de vários pontos do Brasil.
Dizia o grande pregador Pe. Antônio Vieira, que o melhor retrato de um homem é aquilo que ele escreve, pois “o corpo retrata-se com o pincel; a alma com a pena”. Se é assim, o nosso escritor já se fotografou a si mesmo, e superabundantemente.
O grande destaque de sua produção de escritor, é seu trabalho enciclopédico,–UNGIDOS DO SENHOR na Evangelização do Ceará (Premius Editora, 2004), onde faz o registro de todos os sacerdotes que nasceram no Ceará ou vieram de outros estados e/ou países para cumprirem aqui o seu papel evangelizador. Um trabalho minucioso de pesquisa que resultou em 3 volumes, com mais de 1500 páginas, e que fornece informações preciosas sobre a Igreja Católica e seus padres, em nosso Estado.
Pois o autor trabalhou incansavelmente durante doze anos e visitou centenas de bibliotecas e arquivos, para recolher o rico acervo de dados e informações que conseguiu reunir para compor este livro de indiscutível utilidade histórica e de multiforme serventia biobibliográfica.
Hoje é, sem dúvida, um dia memorável para Bela Cruz, porque um de seus filhos mais ilustres, lança dois livros simultaneamente: “O Olhar que Fala” e “Eu Sou o Pão Vivo Descido do Céu”. Frutos do estudo, da experiência, da perseverança e da pertinácia, do nosso escritor.
Pois ele tem a convicção de que a parceria entre o tempo e o trabalho transforma uvas em vinho, trigo em pão, argila em tijolos, palavras em poemas, histórias em livros.
Assim tem sido a vida do professor Aureliano Diamantino Silveira, meu primo e amigo. Nosso conterrâneo. Para ele os nossos parabéns e nossos aplausos. Muito obrigado.


Vicente Freitas
09.12.2006

Sobre o Autor
VICENTE FREITAS Araújo – jornalista e escritor cearense – nasceu na cidade de Bela Cruz, Ribeira do Acaraú. Filho de José Arimatéa Freitas Araújo e d. Maria Rios Araújo. Dedica-se à literatura e às artes plásticas, distinguindo-se como historiador, cronista e caricaturista. Depois de estudar em algumas escolas de sua cidade natal, mudou-se para Fortaleza, passando então a conviver com um grupo de escritores e poetas, freqüentadores da casa de Juvenal Galeno. Graduado em História e Geografia, pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA. É autor dos livros: Almanaque poético de uma cidade do interior (1999); Nicodemos Araújo – uma antologia (2000); Bela Cruz – biografia do município (2001); O carpinteiro das letras (2002); Esboço genealógico de Bela Cruz (2006). Participou de várias antologias, dentre as quais: Poetas brasileiros de hoje, Shogun Arte Editora, RJ (1992); Valores literários do Brasil, RJ (1996); Contos e poemas do Brasil, Litteris Editora, RJ (1997); Os melhores da literatura, Litteris Editora, RJ (1998); Anuário de escritores, Litteris Editora, RJ (1999); Sonhos e expectativas, Scortecci Editora, SP (1999); Encontro com a palavra, Scortecci Editora, SP (2000); Seleção de poetas noctívagos, Scortecci Editora, SP (2001); As melhores poesias do século, Litteris Editora, RJ (2002); Três milênios de poesia e prosa, Fortaleza (2003). É verbete da Enciclopédia da literatura brasileira contemporânea, (volumes VII e IX, de Reis de Souza); Dicionário biobibliográfico de escritores brasileiros contemporâneos (1998), de Adrião Neto; Novo dicionário biobibliográfico de escritores brasileiros 2000, Litteris Editora, RJ (2001); Enciclopédia de literatura brasileira, de Afrânio Coutinho e J. Galante de Sousa, MinC/ABL/ Global Editora (2001). Em 1996, o Conselho Editorial da Revista Brasília, outorgou-lhe a Medalha do Mérito Cultural, pelos relevantes serviços prestados à cultura do país e por sua participação nas iniciativas literárias do Grupo Brasília de Comunicação. Em 1999, recebeu Medalha de Bronze, no Rio de Janeiro, por sua classificação em terceiro lugar, no II Festival Nacional Literário, promovido pela ABRACE. Foi um dos finalistas do prêmio nacional de poesia Menotti del Picchia 2000, e do internacional Von Breysky 2001.

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