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Acessos: 2287 Publicado em: 2007-03-11 

O Quarto Poder

Marcel ScinoccaMarcel Scinocca
marcelscinocca@estadao.com.br
Desrespeito da imprensa e despreparo de autoridades. Essas palavras poderiam perfeitamente definir como resumo o extraordinário filme “O Quarto Poder”. Na verdade essas palavras e o próprio filme, em tese, representam essa situação de domínio absoluto da imprensa e ingerência de autoridades para administrar situações-problema.

Essa capacidade de transformar o abstrato em grande fenômeno, o privado em público, o individual em coletivo, comunitário e as vezes global, na maior parte dos casos não são ações para formar opinião. Muito pelo contrário. São exercícios para se distorcer a verdade dos acontecimentos e em conseqüência disso, manipular opiniões. Não precisa nem dizer que falamos da imprensa. No filme, o jornalista Max Brackett, interpretado de maneira excepcional por Dustin Hoffman, não mede esforços e nem tão pouco faz uso de algum escrúpulo para atingir seu sucesso profissional. Com base no personagem, trazemos o roteiro para a nossa realidade e levantamos o polêmico e, ás vezes, intocável debate de quantos “Maxs Bracketts” existem por aí, já partido de um outro ângulo, não só o da pessoa física, o jornalista, mas também e principalmente da pessoa jurídica, o dono do veículo, nos apresentando uma realidade astigmática do que deveríamos saber.

É bem verdade, e em hipótese alguma podemos discordar disso, que em meio a essa “lameira”, há profissionais verdadeiramente comprometidos em promover um jornalismo que represente o enfoque real dos fatos, inclusive, o próprio filme mostra isso, por mais que seja de maneira subjetiva.

E o que dizer das autoridades perdidas em meio a furacões de informações? Até parece serem “vítimas” desse poder. Mas o fato é que existe uma guerra de egos. Passa-nos de forma nítida o desejo e objetivo de que um quer aparecer mais do que outro, levando os responsáveis pela integridade da massa a tomar decisões equívocas e errôneas. Afinal, Sam Baily, interpretado pelo também formidável John Travolta, teoricamente não teria morrido não fosse às investidas desastrosas do, não menos sujeito a manipulações, FBI.

A realidade da imprensa, de maneira geral, está no filme. Por isso, talvez, justifique o seu fracasso de bilheteria com arrecadação de apenas 20% do capital investido. Possível motivo: O assunto é praticamente direcionado aos profissionais da área de comunicação. Porém, vale a pena todos assistir não só como forma de reflexão, mas também como forma de analisar a realidade na imprensa.

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Política, economia e cultura

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