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Publicado em
2007-07-29
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O porquê de respeitarmos os Brasilíndios

Hidis HelenaHidis Helena
csociaisdahelena@yahoo.com.br
De acordo com o antropólogo, Darcy Ribeiro, a instituição social que nos possibilitou a formação deste “Criatório de Gente” que é o Brasil, foi o cunhadismo, velho uso indígena de incorporar estranhos à sua comunidade. Se não fosse esta prática em dar uma moça indígena como esposa ao estranho. E assim que ele a assumisse, estabelecia, automaticamente, laços que o aparentavam com todos os membros do grupo, pois a função do cunhadismo foi fazer surgir a numerosa camada de gente mestiça que efetivamente ocupou (e ocupa) o Brasil que temos hoje.
A escravidão indígena predominou ao longo de todo o primeiro século e só veio sobrepujar-se com o aparecimento da escravidão negra no século XVII.
“Os Brasilíndios” durante 400 anos foram: violentados, massacrados, odiados, roubados, destruídos como pessoas físicas e como entes culturais.
A violência era uma das armas empregadas pelos colonizadores para intimidar e “amansar” os índios; e os jesuítas e missionários que sempre condenavam os maus tratos, porém aceitavam a escravidão como coisa natural que os índios deviam se submeter à cultura dos colonizadores.
Em seguida vemos a visão do índio forte, belo, sadio e solidário sendo substituída pelo bárbaro, cruel, preguiçoso, fraco, ocioso e que por isso não suportavam o trabalho. Pelo contrário, a função básica dos índios cativos foi, porém, a mão-de-obra na produção de subsistência, enquanto que a escravatura negra era para produção mercantil de exportação.
O índio hoje continua sendo um ser marginalizado, não integrado a sociedade, visto como exótico, diferente, sem possibilidade de viver dentro de sua própria cultura.
Pelo Serviço de Proteção aos Índios (decreto 8072, de 20 de julho de 1910) em tese, os índios devem ser respeitados em suas crenças e costumes, deverão ser protegidos em seus próprios territórios, as famílias jamais deverão ser desmembradas, todos os direitos devem assegurados e progressivamente deverão ser assimilados a nossa cultura.
Infelizmente estes princípios não satisfazem as verdadeiras necessidades indígenas porque não chegam a serem reais e concretizadas. Além do que determinar que os índios sejam transformados em um futuro “branco”, isso é perversidade!
Segundo Darcy, a expansão do domínio português deve-se essencialmente aos “brasilíndios” ou mamelucos (gerados por pais brancos, a maioria deles lusitanos, sobre mulheres índias). Eles foram heróis civilizadores, impositores da dominação que os oprimia, vítimas de rejeições drásticas (largados pelos pais por serem impuros).
Sendo assim, “os brasilíndios” caíam numa terra de ninguém, a partir da qual constrói sua identidade de brasileiro. Não foi fácil a tarefa de agente principal da história brasileira, mesmo porque enfrentaram a odiosidade jesuítica, a má vontade dos reinóis e as dificuldades da vida de sertanistas.
Entretanto conseguiram com seu alto grau de resistência, definirem-se como indígenas pela condição de índios genéricos, cada vez mais aculturados, mas sempre índios em sua identificação étnica.
Na FUNAI (1967), o índio passou a ser visto dentro do pragmatismo capitalista, onde é considerado como dificultador das iniciativas empresariais e no desenvolvimento econômico do País: “Não se pode deter o desenvolvimento do Brasil por causa do parque do Xingú” (General Oscar Jerônimo de Melo, Presidente da FUNAI - 1971). Será que ele sabia que, também é um brasilíndio?

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