Eu vos declaro Marido e mulher. Até que o divórcio os separe.

O divórcio, a evolução do antigo desquite,  tornou-se tão popular nas sociedades ocidentais e contemporâneas, que nem a igreja evangélica  permaneceu isenta.  Já não é surpresa casais evangélicos divorciarem. Até mesmo pastores continuam ocupando as mesmas posições e prestígios de outrora, embora com nova companheira,  geralmente , mais jovem e em forma que a anterior.

Nos púlpitos, apenas o pastor quer deter o monopólio de pregar contra o divórcio ou menciona-lo de forma negativa.  Convidados e obreiros de posições inferiores são alertados a não tocar no assunto, para não ofender ninguém.

A teoria do  politicamente correto invadiu os púlpitos. Alguns pastores estão comprometidos com esta filosofia, comprometendo os valores éticos e bíblicos.

De concílio a concílio, de convenção e convenção o assunto vem a tona,  impulsionados pelas  chamadas alas progressistas e modernistas das respectivas igrejas.  O ditado popular -  Água mole em pedra dura, bate tanto até que fura – cumpre-se literalmente. As igrejas reformam seus estatutos e   cada vez mais complacentes com as novas realidades sociais.

Os motivos para o divórcio são os mais diversos possíveis. Alguns completamente desprovidos de  motivos justificáveis  que deem sustentação moral.

A Bíblia é direta   e objetiva na questão. O profeta Malaquias declarou -  Deus detesta o divórcio (Ml 2.16). Se  Ele detesta porque os seus  servos também não  compartem o mesmo sentimento?

Se atentarmos apenas ao Novo Testamento   não  encontremos sequer um versículo que  apoie  a prática.   Confrontado com os fariseus sobre o assunto

 – É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?

Jesus foi bem  claro -  O que Deus ajuntou não separe o homem (Mt 19.6).

- Então porque Moisés mandou   dar carta de divorcio?  - inquiriram  novamente pretendendo colocar Jesus   em contradição com a Lei Judaica.

No que Jesus justificou que  a  permissão   se deu pela dureza dos  corações dos homens da época em que a Lei foi escrita.  Detalhe que ele enfatizou – dureza de vosso coração.

Embora questionado por alguns teólogos, a única  situação  que permita a separação de um casal é  quando há  infidelidade  conjugal (Mt 19.9). Neste caso, não apenas  feminina, mas de ambos os gêneros.

O apostolo Paulo, considerado  o maior legislador em questões doutrinárias na igreja primitiva,  cujos ensinos  tornaram-se fundamentos doutrinários  das igrejas cristãs, dedicou  parte de suas cartas para responder questões relacionadas ao casamento em especial o capitulo 7 de I Coríntios. Ele trata a questão matrimonial detalhadamente, as quais destaco alguns pontos resumidamente.

1 – O marido deve retribuir a bondade (benevolência) da esposa e vice versa. Tratar bem um ao outro é  parte essencial para a manutenção de um casamento (versiculo 3).

2 – A mulher casada não tem o direito de negar a atividade sexual ao marido, exceto numa situação excepcional como enfermidade grave e obviamente o esposo não seja exagerado na frequência. Nem deve usar o fator sexo para chantageá-lo ou obter favores particulares (versiculo 4).

3 – Que a mulher não se aparte do marido e vice-versa (versiculo 10).

4 – Se ocorrer a separação, que não inicie um novo relacionamento.  É esta parte que muitos não suportam.  Querem divorciar, mas não terão autocontrole para permanecerem sós, forçando a igreja a aceitar o novo(a) companheiro(a).

5 – A esposa que se converteu a fé cristã depois do casamento, não deve separar do marido descrente, caso ele consinta  cohabitar com ela (versiculo 13).

6 – As tribulações da vida de casado foi mencionado por Paulo (verso 28).  Alguns jovens pensam que  tribulação é ficar solteiro, mas depois de casado descobrem que nem tudo é um mar de rosas.

7 – No  versiculo  39 eliminam  as esperanças de crentes que planejam divorciar e prosseguir como se nada houvesse acontecido.  A mulher casada está ligada pela lei todo o tempo em que o marido vive.  Dai origina-se o famoso sermão nupcial que o pastor ou sacerdote  exige a confissão dos noivos  no altar. Que permaneçam unidos em qualquer circunstância (na alegria ou na tristeza, na pobreza ou riqueza), até que a morte os separe.

Em nenhuma de suas  citações  ao assunto o apostolo  Paulo  aprovou  ou incentivou o divórcio entre cristãos.  

Na cultura latina o homem que trai a esposa é  considerado um “Don Juan”, conquistador e galã, enquanto a mulher que trai o esposo,  é taxada de prostituta nas conversas paralelas nos bares.

No entanto  segundo a luz da Palavra de Deus não importa quem traiu quem. O pecado tem o mesmo peso e consequências. Toda aventura pecaminosa tem as contra indicações.  O  sabor doce desfrutado algumas horas   é substituído pelo azedo que as vezes duram anos.

Partilho a opinião que em casos de infidelidade conjugal,  o casal não é obrigado a conviver debaixo de um mesmo teto, a menos que haja perdão pleno  da parte afetada  (vítima), e completo arrependimento por quem cometeu a falta.

Se o cônjuge tem a capacidade de perdoar, o casamento  poderá ser salvo e prosseguir.  Se o que provocou  o ato de infidelidade realmente mudar  as atitudes e reinvestir no relacionamento,  prosseguirá.

O que é inadmissível  nas igrejas evangélicas.  é aceitar  divórcios entre ambos membros e nada ser feito na área de aconselhamento pastoral, psicológico e familiar.   É obrigação do pastor e das lideranças competentes  entrar em ação quando percebem que há problemas matrimoniais frequentes. Devem convidar as  partes beligerantes para reuniões de  reconciliação e aconselhamento.

Se não há a ocorrência de infidelidade, devidamente comprovada, não baseadas apenas em suposições e suspeitas, não há motivos que justifique o divórcio entre um casal, membros  em comunhão na igreja.

Feijão queimado,  relaxo com a aparência física,  discussões, falta de comunicação,  discórdia quanto a educação dos filhos, desemprego,  enfermidade, obesidade do cônjuge, ou interferência familiar, não encontram respaldo para justificá-lo.

A igreja moderna, ávida em conquistar as massas, ter o maior número de pessoas, procura não  constranger ninguém com mensagens   que confronte  os vícios e maus procedimentos dos visitantes e membros. Se  por um lado se alegram com a expansão numérica e financeira,   espiritualmente estão em decadência espiritual. A Filadélfia de outrora, transformou-se em Laodicéia e  suas lideranças não perceberam.

Recentemente foi noticiado que a cantora evangélica Vanilda Bordieri admitiu estar no terceiro casamento e justificou dizendo que não destruiu a família de ninguém.   Resta nos saber qual deles é o válido para Deus. (???)

Casar errado acontece. Há os que dizem ser casamento igual a jogo de loteria – É pura  sorte.   O que não pode acontecer é tentarmos acertar várias vezes até  que finalmente encontramos a outra metade. Há pessoas que idosas, ainda estão procurando.

Os padrões do mundo para o casamento geralmente  é atração visual  e aventura da juventude.  Quando no entanto os jovens  são  membros de uma igreja evangélica há certas regras bíblicas  que devem ser  respeitadas  para um casamento  feliz.  

A questão do jugo desigual é importantíssima.   Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis (2 Co 6.14).

A paixão que alguns jovens crentes sentem ultrapassam as regras e casam  sem a aprovação de Deus ou a benção pastoral.

Outros que embora casaram-se respeitando esta regra, depois de poucos meses têm mais motivos para se queixarem do outro (outra), do que se adaptarem um ou outro e controlar os excessos de personalidade  imperativa.

A  experiência pastoral  me ensinou que o Reino de Deus não  prioriza a quantidade, mas a qualidade.  De que vale uma igreja cheia, com todos os assentos ocupados, por  pecadores contumazes que erroneamente julgam-se salvos.  

Não trata-se de radicalizar a questão -  mas a verdadeira igreja cristã deve se posicionar com firmeza contra o divórcio.    Na verdade  era suposto nem haver entre nós.

O problema não   é apenas a questão de tolerá-lo.  Temos que lidar com os problemas subsequente que ele causará.  Lares divididos, filhos revoltados e situações constrangedoras.  Vou dar um exemplo.

O membro Fulano  divorciou de Cicrana.   Ambos prosseguiram em comunhão congregando na mesma igreja local.  Passados poucos meses da finalização jurídica, Fulano decide casar com  Beltrana, solteira,  muitos anos mais nova que ele.

Agora a igreja local tem que se adaptar a nova realidade.   Um novo casal  é formado depois do divorcio.  A situação   complica  quando Cicrana, também encontra um novo parceiro  na mesma igreja local.   Imagine o balaio de gatos, quando se juntam os  filhos do antigo e do novo relacionamento,  supostamente adorando o mesmo Deus e compartilhando a mesma fé, debaixo do mesmo teto aos domingos. Verdadeira Babilonia na igreja.   Que Deus tenha misericórdia de nós todos.

Antes de  pensar no divórcio, os casais deveriam repensar nas suas atitudes e ponderar seus erros.  Procurar aconselhamento pastoral e investir no relacionamento.   Deve maximizar os momentos bons do passado, e minimizar os problemas do presente.

Pelo menos há um consolo que o divórcio é  exclusivamente terrenal  e no céu, o Noivo  (Jesus) e a Noiva (Igreja) terão um relacionamento pacífico  perpétuo.

Se você está pensando no divórcio como solução para um matrimônio cambaleante,  pense não duas, mas dezenas de vezes antes de decidir.  As consequências podem ser desastrosas na sua vida familiar, financeira  e espiritual.  Se você conhece ou tem alguém na família que está  sendo tentado a  consumá-lo, envie este artigo e poderá ajudar a salvar um casamento.

Publicado
Visualizações
662