Pagpag – A comida que veio do lixo

Nas Filipinas pagpag  (em tagalo)   é como se referem a comida reciclada de lixos coletados  a noite, depois que os restaurantes e lanchonetes fecham as portas. Se é preciso ter estomago para ver tal documentário, ou realidade se visitar  Manila, a capital do país, para a camada paupérrima, tornou-se  necessidade e hábito. Se você tem estomago  e coragem para continuar  lendo,  não me responsabilizo se passar mal. O detalhe que mais impressiona -  Não são exatamente sobras do restaurante que não irão para a vitrina ou balcão no próximo dia, mas literalmente sobras de clientes que não consumiram por completo o alimento adquirido por alguma razão especifica. Tudo começa quando um cliente ordena uma porção de frango frito por exemplo.   As sobras que ele deixar no prato ou bandeja, será obviamente lançado no lixo.  Este lixo, que as vezes é misturado com copos plásticos, pratos descartáveis, guardanapos, etc,  serão coletados após o fechamento do estabelecimento.  Os que recolhem, por sua vez,  revenderão a outras pessoas nas suas respectivas localidades, da forma como foi coletado, ou seja, sem separação de material. As pessoas que as compram, começam a selecionar partes aproveitáveis do lixo e  separar outros materiais não comestiveis.  Depois ainda fazem a separação segundo a classificação da carne -  frango, carne bovina, croquetes, suína, etc. A seguir junta a carne do frango por exemplo, numa bacia lavam uma por uma, as vezes desossando os pedaços que foram parcialmente consumidos. Obviamente a água utilizada fica cada vez mais suja na bacia plástica, no entanto, o processo de lavagem prossegue até o final. Com os pedaços aproveitáveis lavados, tudo é lançado numa grande panela sem tampa, sobre um fogareiro  cujo combustível é o querosene ou similar. Aos poucos vão adicionando temperos e agregando colorantes que a comida reciclada melhora o aspecto e diferencia o sabor.  Após terminado o recozimento, algumas pessoas se dedicam a vender o produto final na vizinhança em pequenas sacolas plásticas e acreditem, sempre há compradores. Para entender como é possível alguém coletar, recozer, comercializar e consumir o pagpag é preciso entender um pouco da cultura filipina. Fora das áreas urbanas a terra geralmente é fértil.   As Filipinas é um dos maiores exportadores de frutas secas, coco e derivados e  frutas  in natura. Quando estive em Manila há muitos anos atrás,  não havia falado do pagpag, mas sabia que  especialmente nas áreas mais remotas consumiam a carne de cachorro.   Aliás este é um costume oriental (Vietnam, Camboja, Laos, China, etc) que para eles é normal, enquanto nós, ocidentais  escandalizamos.  Para nós cachorro é animal de estimação. Para eles, o cachorro quente real e literal, é uma iguaria. Conheci no país  pessoas  que  disseram me  terem comido carne de cachorro com a naturalidade. Além deste gosto estravagante,  no caso de Manila,  o pagpag é quase uma questão de sobrevivencia.   Com escassos empregos e baixos niveis de industrialização,  para muitas pessoas  consumir o pagpag não é vergonhoso, mas  necessário e segundo seus recursos financeiros. Obviamente os consumidores do pagpag representam  o último nível da miséria.   Profissionais da área de saúde constantemente  alertam por meio de programas de TV e pessoalmente sobre o perigo de contrair bactérias ao consumir tais alimentos reciclados. Em São Paulo não há nada similar ao pagpag, mas é fato conhecido como muitas pessoas visitam  as caçambas de lixo especialmente do Ceagesp, onde produtos não próprio para revenda são lançados diariamente. Adiciona-se também produtos não vendidos ou decepção dos produtores pelo preço baixissimo de sua produção. Há um programa social patrocinado pelo Sesc, que não sei que todavia  permanece mas impressionante.  Pequenos caminhões saem em direção ao Ceagesp,  restaurantes e fábricas processadores de alimentos, para coletar  sobras ou refugos que  seriam destinados ao lixo.  Profissionais treinados fazem a seleção  e apenas os mais aproveitáveis, sem colocar em risco a saúde, serão redistribuidos em creches e orfanatos previamente selecionados. Para as crianças que são beneficiadas com estes alimentos representam uma incrivel oportunidade de ter a alimentação garantida, já que as vezes em suas próprias casas não há o suficiente. Medidas sociais como esta deveriam ser incentivadas pelos governo municipais e estaduais e ONGs que realizam este trabalho deveriam ter mais apoio governamental. Num país rico como o Brasil, onde   como conforme Pero Vaz Caminha, tudo que planta nasce,  é lamentável que há pessoas que vão dormir com fome, enquanto toneladas de alimentos são lançados no lixo. Se você se impressionou com  o pagpag filipino, ao menos tivemos um desfecho feliz no encerramento deste artigo.  Não tenho a mínima intenção de ofende-los, já que é um povo extremamente amigável e pacifico.  Quem sabe um dia, nossa organização possa fazer algo em favor destes menos favorecidos que sobrevivem do lixo.   Se você  nada pode fazer por eles devido a distancia, pode ajudar a amenizar o problema  na sua região.  Além de colaborar com  organizações que atuam  nesta área de assistencia alimenticias em comunidades pobres, pode fazer a diferença. Deixo algumas sugestões. Prepare apenas o alimento necessário para o consumo diário de sua família, evitando assim, encher a geladeira com sobras que poderão  abrigar bactérias.   Não compre grandes quantidades de alimentos com período curto de vencimento. Se voce é do tipo que não come a famosa comida francesa – Resto-dontê ou Soborô (no Japão), evite lançar no lixo preciosos alimentos que para muitos  seria um banquete.  Antes de jogar comida no lixo lembre do pagpag.  Bom apetite!                                                     

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