O Massacre de Las Vegas e a Guerra de Informações e Contra-Informações do Estado Islâmico (EI)

Há algumas semanas o mundo se chocou com mais um assassinato em massa nos EUA. Desta vez, o atirador lançou rajadas de metralhadora sobre uma multidão que assistia a um show de música country em Las Vegas, matando quase 60 pessoas e provocando ferimentos decorrentes de fuga e pisoteio em mais algumas dezenas. Em seguida, se suicidou.

E, da mesma forma que acontece com os últimos massacres registrados naquele país, especialmente o ocorrido numa boate de Orlando em 2016, o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria do morticínio. Como, nesse tipo de crime, o autor geralmente se suicida antes de ser pego pela polícia, não há como verificar, de imediato, a confiabilidade do comunicado exarado pela milícia terrorista.

Agora, cabe perguntar: se as investigações apurarem que o assassino agiu sozinho, movido por um mórbido desejo de matar e não em consonância com as diretrizes de qualquer organização jihadista, por que o EI assumiu a autoria do massacre? O que ganha com isso? As respostas mais óbvias podem ser “propaganda” e “projeção”. Mas por que um enorme grupo guerrilheiro precisa de mais propaganda e projeção do que já tem, arriscando-se a cair em descrédito, e, assim, perder adeptos e consequente sustentação se as autoridades policiais dos EUA concluírem que não participou do ataque? (afinal, qualquer entidade terrorista se sustenta do medo que que propaga por meio de atentados de sua própria autoria, demonstrando, deste modo, capacidade combativa, e não atribuindo-se ataques perpetrados por outrem).

Podemos citar, como altamente provável, o fato de o EI estar sendo massacrado, e, portanto, perdendo terreno para a coalizão ocidental (EUA, Reino Unido, França e demais aliados), que continuamente bombardeia suas posições no Oriente Médio. Com menos adeptos – que não desejam dar suas vidas por um grupo condenado à eliminação – a organização se retrai e perde a capacidade de combate, especialmente se considerarmos a saída de potenciais terroristas suicidas, que migram para outros grupos. Então, no desespero, lança mão do expediente da guerra de informações e contra-informações, assumindo atentados que não foram per si cometidos, no intuito de evitar evasão e seu próprio ocaso.

Hoje, poucos anos depois de sua criação e após haver conquistado vários territórios devido à sua própria força e destemor diante da morte (derivado do fundamentalismo que segue), o EI não é páreo para encarar os aliados ocidentais. Seus adeptos diminuem, seu poder bélico decai e por isso o grupo toma para si a responsabilidade de horrendos crimes praticados por gente que, só pela nacionalidade, já seria por ele odiada (eis a grande ironia do referido conflito). Resta saber quanto tempo falta para sua potencial extinção nos campos de batalha, quando cessará sua capacidade bélica dentro da Ásia Menor – mas não a respectiva guerra de informações e contra-informações.

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