Identificar talentos é fundamental para a escolha da carreira e do projeto de vida

Raphaela Ribas Lupion Gubert*

Para muitos jovens o momento da inscrição no vestibular representa a materialização de uma grande dúvida: afinal, qual profissão escolher? Que projeto de vida quero para mim? Se para alguns a resposta é simples e fácil, para outros ela é mais complexa, exigindo busca por autoconhecimento. Essa situação é mais comum do que se imagina, afinal visualizar as próprias aptidões, identificar a profissão e área de atuação, buscar formação acadêmica e ainda empreender ou encontrar o emprego dos sonhos não são tarefas simples.

Entender os aspectos que relacionam a descoberta de vocações e mercado de trabalho deve ser a âncora dos trabalhos das escolas, de tal feito que ajudemos esses meninos a potencializar suas habilidades e competências para performar de maneira diferenciada em nossa sociedade, seja como cidadão ou como profissional.

Conforme o Instituto Gallup, só 20% dos profissionais têm a oportunidade de realizar, durante a maior parte do tempo, tarefas relacionadas a seus pontos fortes. Curiosamente, apesar do senso comum dizer que as pessoas devem usar seus talentos no exercício de suas atividades profissionais, a maior parte dos cursos e treinamentos objetivam amenizar suas fraquezas. Segundo Marcus Buckingham e Donald O. Clifton, autores do livro "Descubra seus Pontos Fortes", essa não é a melhor estratégia. Para os pesquisadores, adquirir conhecimentos que não estejam relacionados a suas aptidões não contribui para que o profissional se destaque. A receita para se atingir a excelência consiste no aprimoramento dos pontos fortes, devendo a correção dos pontos fracos restringir-se ao suficiente para não representar um obstáculo ao desenvolvimento.

Mas o que são os pontos fortes de um profissional? São a soma de talento, conhecimentos adquiridos e experiência prática, uma combinação única e permanente. Ainda que conhecimentos, e até certo ponto a experiência, possam ser programados e intencionalmente adquiridos, o mesmo não se dá com os talentos que resultam da predisposição genética e das experiências que moldam a rede neural de cada um; são únicos e intransferíveis.

Portanto, a identificação das aptidões de cada aluno é uma das mais importantes responsabilidades de pais, educadores e centros de ensino. Vale destacar que a escola, nesse processo de descoberta e experimentação, tem papel fundamental, pois precisa calibrar seu "olhar" frente aos alunos e suas demandas, para transpor estratégias didático-pedagógicas diferenciadas, que despertem o autoconhecimento de tal feito que potencializemos os talentos que temos nas instituições. Nesse sentido, a abordagem interacionista, na qual os conteúdos são relacionados a aspectos práticos do dia-a-dia, convida os alunos a refletirem, partilharem, construírem conceitos, corroborando para a identificação dos talentos dos jovens, bem como para as possibilidades de aplicação profissional dos mesmos. Essa harmonia entre talentos e atividade profissional é fundamental, trazendo satisfação e bem-estar.

Em um sentido amplo, indivíduos preparados para identificar e utilizar os seus talentos beneficiam toda a sociedade. Sociedade essa carente de profissionais talentosos em todas as áreas: afetiva, emocional, social e cultural. É papel da escola e de seus educadores ajudar na formação de pessoas mais humanas, felizes e atuantes na profissão, que contribuirão para a construção de um mundo melhor, pois quem ama o que faz transmite amor aqueles que estão a sua volta e que se servirão de seus serviços. É disso que a humanidade precisa.

* Raphaela Ribas Lupion Gubert é pedagoga, mestre em Educação e supervisora pedagógica na Editora Positivo. Tem experiência de mais de 15 anos na área de Educação, atuando principalmente com tecnologias educacionais, formação profissional e formação de professores de educação infantil, ensino fundamental e médio.

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