Mulheres Cidadãs

O futuro do mundo depende essencialmente da atenção e da magnanimidade de suas mulheres. Temos extraordinários exemplos delas em todos os países, desde as mais destacadas às mais simples, a começar pela mais singela das mães. Aqui exalto, por oportuno, a grandeza da doceira de Goiás, no vasto interior do Brasil, e exímia poetisa*¹ Cora Coralina (1889-1985). Tendo apenas instrução primária, ela publicou seu primeiro livro aos 75 anos de idade. A escritora tem seu rosto retratado no painel A Evolução da Humanidade, no Salão Nobre do Templo da Boa Vontade, situado em Brasília/DF, Brasil. Disse a saudosa Cora: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.

Cora Coralina

As pinturas ao lado são de algumas que compõem o painel A Evolução da Humanidade, instalado no Salão Nobre do Templo da Boa Vontade. Uma homenagem a diversas personalidades, incluindo mulheres que entraram para a História por sua atuação marcante em favor do progresso espiritual e humano. Aqui estão representadas (1) Maria Santíssima, Mãe de Jesus, o Cristo Ecumênico; (2) Eleanor Roosevelt, diplomata e ativista política norte-americana; (3) Marie Curie, física polonesa, Prêmio Nobel de Física (1903) e de Química (1911); (4) Joana d’Arc, santa e heroína francesa; (5) Florence Nightingale, enfermeira britânica, é considerada a fundadora da enfermagem moderna; (6) Fernanda Montenegro, premiada atriz brasileira; e (7) Madre Teresa de Calcutá, missionária católica nascida na cidade de Skopje, Macedônia.

É o talento do povo bem instruído e espiritualizado que transforma miséria em riqueza! A fortuna de um país situa-se, antes de tudo, no coração solidário e na consciência esclarecida de sua gente. É neles que se encontra a capacidade criadora. É assim em todas as nações.

Benjamin Franklin

Há muito levantara-se Benjamin Franklin (1706-1790) para dizer: “A verdadeira sabedoria consiste em promover o bem-estar da Humanidade”.

Há muito que aprender com o próximo

Paulo Parisi.

Conforme afirmei, em 1981, ao jornalista italiano radicado no Brasil Paulo Rappoccio Parisi (1921-2016) e reproduzi em Globalização do Amor Fraterno*², nunca como agora se fez tão indispensável unir os esforços na luta contra a fome e pela conservação da vida no planeta. É imperioso aproveitar o empenho de todos, ecologistas e seus detratores, assim como trabalhadores, empresários, o pessoal da mídia (escrita, falada e televisionada, e, agora, eu incluo a internet), sindicalistas, políticos, militares, advogados, cientistas, religiosos, céticos, ateus, filósofos, sociólogos, antropólogos, artistas, esportistas, professores, médicos, estudantes ou não (bem que gostaríamos que todos se encontrassem nos bancos escolares), donas de casa, chefes de família, barbeiros, manicures, taxistas, varredores de rua e demais segmentos da sociedade.

Valentina Tereshkova

A primeira mulher a ir ao espaço (1963), a cosmonauta russa Valentina Tereshkova, resumiu numa frase que muito tem a ver com a gravidade do que estamos enfrentando ante o problema do aquecimento global: “Uma vez que você já esteve no espaço, poderá apreciar quão pequena e frágil a Terra é”.

Simone de Beauvoir

O assunto tornou-se dramático, e suas perspectivas, trágicas. Pelos mesmos motivos, urge o fortalecimento de um ecumenismo que supere barreiras, aplaque ódios, promova a troca de experiências que instigue a criatividade global, corroborando o valor da cooperação sócio-humanitária das parcerias, como, por exemplo, nas cooperativas populares em que as mulheres têm forte desempenho, destacado o fato de que são frontalmente contra o desperdício. Há muito que aprender uns com os outros. O roteiro diverso comprovadamente é o da violência, da brutalidade, das guerras, que invadiram lares por todo o orbe. Alziro Zarur (1914-1979), saudoso fundador da Legião da Boa Vontade, enfatizava que as batalhas pelo Bem exigem denodo. Simone de Beauvoir (1908-1986), escritora, filósofa e feminista francesa, acertou ao destacar: “Todo êxito envolve um sacrifício”.

Alziro Zarur

Resumindo: cada vez que suplantarmos arrogância e preconceito, existirá sempre o que absorver de justo e bom dos componentes desta ampla “Arca de Noé”, que é o mundo globalizado de hoje. Daí preconizarmos a união de todos pelo bem de todos, porquanto compartilhamos uma única morada, a Terra. Os abusos de seus habitantes vêm exigindo providência imperativa: ou integra ou desintegra (...), razão por que devemos trabalhar estrategicamente em parcerias que promovam prosperidade efetiva para as massas populares.

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*¹ Cora Coralina (1889-1985) — Pseudônimo adotado por Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Nasceu na cidade de Goiás/GO (conhecida também como Goiás Velho), Brasil. Com apenas os estudos primários, começou na adolescência a escrever seus primeiros textos, publicando-os nos jornais locais. Mulher simples que, por mais de vinte anos, trabalhou como doceira e abraçou o ofício de poetisa. Como escritora, recebeu diversos prêmios e, em 1983, foi agraciada com o título de doutora honoris causa pela Universidade Federal de Goiás.

*² Globalização do Amor Fraterno — Publicação dirigida pela Legião da Boa Vontade aos chefes de Estado, alto comissariado, setor privado e sociedade civil de mais de 100 países, reunidos pela ONU no High-Level Segment 2007, do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (Ecosoc), no qual a LBV possui status consultivo geral. O evento se deu no Palais des Nations, escritório central da organização, em Genebra (Suíça), de 2 a 5 de julho daquele ano.

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