Tudo pela Eleição (e pela Indústria Bélica)

*Artigo escrito e publicado em 2016

Há algumas semanas, o governo americano anunciou suposta vitória nas negociações diplomáticas com o Irã. Segundo os EUA, aquele país concordou em parar o enriquecimento de urânio, que seria para fins militares, em troca da possibilidade de voltar a movimentar cerca de US$ 100 bilhões em bens até agora congelados no exterior e do direito de novamente exportar petróleo. O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, disse que “o mundo está mais seguro”. Está mesmo? Não creio.  

A aviação militar iraniana não tem a capacidade de alcançar os EUA e a Europa, o que inviabiliza eventual bombardeio àquelas partes do mundo. O único inimigo geograficamente ao alcance de seus militares é Israel – que, se atacado com armas nucleares, não poderia via a ser habitado pelos palestinos que o reivindicam e que o próprio Irã diz defender, pois excesso de radioatividade é letal e impede a vida nos locais onde se espalha. Ora, se o Irã não pode bombardear diretamente os EUA e a Europa, e se não interessa a destruição total do território israelense, para que quer tanto a bomba?

Para saber, temos que verificar o resultado das negociações entre ambas as partes. Não há, no mencionado acordo, nenhuma cláusula exigindo que o Irã cesse o abastecimento de armas às células terroristas xiitas que se espalham em torno do globo e que pretendem, com tanto, exportar a sua Revolução Islâmica. Assim, os aiatolás utilizarão parte dos US$ 100 bilhões que agora terão o direito de movimentar para aumentar o fornecimento armamentístico aos mencionados grupos, o que fará com que cresça, e muito, o já imenso e dramático fluxo de refugiados que tentam chegar à Europa, especialmente os provenientes da Síria.

Além do mais, os iranianos se aproveitarão da grande extensão territorial que possuem para manter centrais ocultas de enriquecimento, de onde sairia uma “bomba suja” – pequena, mas ainda assim capaz de causar muitos estragos - diretamente para as mãos de terroristas suicidas (provavelmente recrutados dentre membros dos grupos xiitas que sustentam) que pretendam transportá-la clandestinamente e detoná-la, aí sim, nos EUA ou na Europa.

O governo americano está ciente de todo o acima exposto, mas mesmo assim fechou o acordo. Por quê? Porque almeja que seu próprio povo o veja como "promotor da paz mundial" simultaneamente ao fato de desejar que o Irã tenha, sim, mais recursos para aumentar o apoio às suas células terroristas - o que fará com que Barack Obama, futuramente e já na condição de ex-presidente, tenha como justificar o aumento de dinheiro que, porventura e até o final de seu governo, tenha sido destinado à indústria bélica, forte financiadora de campanhas eleitorais nos EUA e então partícipe da eventual eleição do candidato democrata à Presidência (claro que, para que o candidato de Obama vença a eleição, o atual presidente e a mídia conivente só irão divulgar o aumento de poder de fogo dos persas após o pleito de novembro, quando a perfeita combinação de um povo enganado - no caso, o americano - com os fabricantes de armas, financeiramente engajados, provavelmente elegerá o candidato democrata).

As guerras no Oriente Médio, então, tendem a aumentar, com novos e fortes bombardeios à Síria, ao Iêmen e a outros locais que são, como a própria expressão o diz, "barris de pólvora", exacerbando os lucros da indústria armamentista.

 Trata-se, pura e simplesmente, de um projeto de poder do Partido Democrata.

P.S. Quando senador, durante o governo republicano de George W. Bush, Barack Obama votou de modo favorável à guerra no Iraque.

Publicado
Visualizações
1.084