A Amazônia e as Forças Armadas

*Artigo escrito e publicado em 2009

Há alguns meses, o periódico britânico “The Independent” publicou editorial em que mencionava ser a Amazônia “preciosa demais para estar sob o controle de brasileiros”. É a primeira vez que um veículo de comunicação expõe tão abertamente seu apoio à internacionalização de parte do território nacional. Antes disso, dois políticos o haviam feito: o então presidente francês François Miterrand, que afirmou ser a Amazônia “de toda a Humanidade”, e Albert Gore (que mais tarde viria a ser vice-presidente dos EUA), para quem, “ao contrário do que os brasileiros acreditam, a Amazônia não pertence a eles - ela é de todos nós”.

Como vemos, a opinião favorável à secessão compulsória da Amazônia brasileira, em prol de um suposto “benefício à Humanidade”, no interregno de apenas uma geração deixou de ser exclusividade de políticos de alto escalão, que às suas épocas de poder somente não concretizaram tal empreitada por ausência de condições justificatórias, para ser desavergonhadamente incentivada pela mídia privada estrangeira.

Entende-se os motivos de tamanha gritaria. Os gases causadores do efeito estufa e da aceleração assustadora do aquecimento global são produzidos em todas as partes do mundo, especialmente nos países desenvolvidos, mas estes, para não prejudicarem suas economias e seus níveis de vida, se abstiveram de reduzir as respectivas emissões, conforme lhes obrigava o Protocolo de Kioto (os EUA nem mesmo o assinaram). Se ninguém se dispuser a diminuir o respectivo lançamento de substâncias poluentes na atmosfera, os países ricos serão obrigados a estabelecer cotas de consumo para seus cidadãos, sob severas penas, a fim de evitar um apocalipse climático global. E, se eles próprios não querem fazê-lo, desejam obrigar quem quer que seja a concretizá-lo.

Sua óbvia hipocrisia não justifica o descaso com que nós, brasileiros, tratamos a área, pois mais da metade de nossas emissões provém do desmatamento, que tem atingido níveis aberrantes nos últimos anos. Estamos, nós mesmos, criando as condições políticas de que Miterrand e Gore tanto necessitavam, e naquela ocasião não tiveram, para que seus sucessores intervenham na área, se necessário militarmente. Não nos esqueçamos, por exemplo, de que em território colombiano há vários militares americanos apoiando material e logisticamente o combate às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), e que poderiam ser empregados em objetivos outros na região.

Para que nós não percamos a soberania sobre a nossa Amazônia e suas riquezas, em especial as cerca de 20% de reservas mundiais de água potável - que serão artigo de luxo no futuro – se faz necessária a sua completa ocupação pelas Forças Armadas do Brasil, com a punição rigorosa dos desmatadores, que devem ser submetidos a processo criminal e julgamento perante a Justiça Militar, já que o poder civil tem sido absolutamente impotente em sua obrigação de proteger um patrimônio que, ao revés do que disse Albert Gore, é de todos nós BRASILEIROS.

Para que essa militarização, prisão e julgamento dos desmatadores ocorra, desestimulando qualquer forma de destruição ambiental e recuperando as áreas já degradadas, é imprescindível dotar as nossas forças armadas de um atraente plano de carreira, incentivando o ingresso de mais efetivos a fim de aumentar o número de militares de carreira, manter o serviço bélico obrigatório àqueles que não pretendem segui-la, adquirir os mais modernos equipamentos de monitoração da área, permitindo-lhes, assim, o controle e vigilância completos do que lá ocorre, bem como fornecer às tropas armamento tecnologicamente apropriado a situações de combate, já que excelente treinamento e determinação não lhes faltam.

Se conseguirmos isso, nossas emissões cairão drastica e dramaticamente, descaracterizando quaisquer condições políticas que viessem a justificar a ocupação militar estrangeira e conseqüente imposição de soberania internacional na região. As potências estrangeiras é que seriam obrigadas a encontrar formas de reduzir suas emissões, e, então, a possibilidade de atenuar a catástrofe climática global seria mais promissora.

Mas, se tais medidas não forem tomadas urgentemente, poderemos ter séria ameaça não somente à nossa soberania sobre a área, mas à própria democracia, vez que algum general, ou grupo de generais, pode conspirar para derrubar o governo civil se a frouxidão com que os desmatadores têm sido tratados não for imediatamente eliminada e se não lhes forem dadas condições materiais bélicas de combater a ameaça estrangeira de internacionalização. Ontem o inimigo era o comunismo, amanhã será a cobiça à parte mais rica, estrategicamente importante e potencialmente científica do nosso território, e que contém o maior percentual, em todo o mundo, do mais essencial (e, futuramente, cada vez mais raro) elemento sustentador da condição humana: a água potável.

Cabe a nós, portanto, não ficarmos impotentes a ponto de permitir não só a perda de uma parte do território nacional indispensável à nossa sobrevivência, mas de nossa própria liberdade e estabilidade política, conquistadas a tão duras penas.

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