A yoga como opção para o tratamento da ansiedade

O título deste artigo não revela nada de novo em termos de tratamentos psiquiátricos ou psicológicos mas três fatos acontecidos comigo fizeram com que eu me interessasse em escrever este texto: as recentes experiências (1) do professor de psiquiatria Chris Streeter, da Universidade de Boston, com praticantes de yoga, algo que escrevi há muito tempo atrás e um pequeno tratamento meu para ansiedade e insônia há mais tempo ainda.

Em 2001 eu tive o prazer de terem publicado o meu primeiro artigo sobre neurociência na revista Cérebro & Mente - www.cerebromente.org.br - de nome “A base material dos sentimentos”. (2)  Mas só que eu o havia escrito já em 1991 e não tinha onde publicar… Ficou dez anos engavetado até com a chegada da internet e quando descobri a revista em 2001. Falei sobre depressão, ansiedade e remédios, citando o efeito de um ansiolítico, o Dalmadorm (flurazepam) sobre o sistema nervoso, em que, no caso, atuava “...aumentando o efeito de neurotransmissores inibitórios da resposta nervosa, como o ácido gama-aminobutírico - GABA.” Assim estava escrito em 1989, durante o tratamento, na bula do remédio e ele era ótimo para a ansiedade, insônia e também para a angústia, uma das piores dores mentais que o nosso sistema nervoso possa provocar. Hoje a mesma bula vem com a frase “...inibe, em animais, a resposta tensional devido à estimulação elétrica do hipotálamo e eleva o limiar da excitação. No homem, o Dalmadorm prolonga a duração do sono, diminui o tempo de adormecimento assim como a frequência de despertares noturno.”

O professor Streeter e colaboradores utilizaram oito experientes praticantes de yoga com uma sessão de sessenta minutos e onze não praticantes realizando uma leitura qualquer durante o mesmo tempo. A ideia era simples, comparar os níveis de GABA antes e depois do yoga e de quem efetuou a leitura.

Escolheram como posturas do yoga a chamada asana ou ássana, palavra sãnscrita que significa “assento”. Um método muito utilizado aqui no ocidente devido à sua popularização através de pessoas famosas como Madonna e Sting.

Utilizando imagens espectroscópicas de ressonância magnética imediatamente antes e imediatamente após as sessões de ambos os grupos, os cientistas verificaram um aumento de 27% de ácido-aminobutírico nos praticantes de yoga e nenhum aumento no outro grupo.

Nas conclusões de Streeter e de seus colaboradores, nada como explorar o yoga como tratamento para transtornos de ansiedade e até depressão para distúrbios com baixa de GABA. E como o yoga é também uma forma de exercício, pesquisas futuras com muitos tipos deles poderão indicar quais serão mais apropriados para cada pessoa e sintomas  existentes.

Referências bibliográficas:

1 - Streeter CC, Jensen JE, Perlmutter RM, Cabral HJ, Tian H, Terhune DB, Ciraulo DA, Renshaw PF. Yoga Asana sessions increase brain GABA levels: a pilot study. 2007. Disponível em: < https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17532734 >. Acesso em: 06/12/2017.

2 - Argos Arruda Pinto. A base material dos sentimentos. 2001. Disponível em: < http://www.cerebromente.org.br/n12/opiniao/sentimentos.html >. Acesso em: 06/12/2017

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Argos Arruda Pinto. A base material dos sentimentos. Blog: Sistemas, Teoria da Evolução, Neurociências. 2008. Disponível em: < http://sistemaevolucaoneurociencia.blogspot.com.br/2008/01/base-material-dos-sentimentos.html >. Acesso em: 06/12/2017.

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