A potencia subversiva do riso e da festa

O fenômeno da violência ocorre no mundo atual de maneira complexa. O questionamento, a subversão e a revolta ocorrem de muitas maneiras, tanto diretas quanto indiretas. Nesse artigo abordaremos sobre a importância do riso e da festa para as transformações sociais a partir das noções elencadas por Michel Maffesoli, em seu livro “Dinâmica da violência” de 1987.

Maffesoli (1987) debate sobre que riso, incluindo aqui as piadas, chacotas e situações humorísticas. Para o autor o riso é uma maneira bem inteligente de provocar mudanças sociais, pois a piada tem o poder de criticar, questionar e provocar reflexões sob uma aparente passividade e resignação. O riso permite questionar o sistema vigente por meio de um campo neutro. O riso e as situações humorísticas podem se manifestar como violências banais, satirizando eventos cotidianos a fim de questioná-los, facilitando assim um desequilíbrio social e a proposta de novos paradigmas.

Por outro lado, os eventos orgiasticos, nos quais se incluem as festas, jantares, reuniões (onde há excesso), são os lugares onde há grande troca de fala e de riso. São nesses eventos que o ser humano demonstra seu lado sombra. São nos eventos orgiasticos onde o considerado contrario, proibido e até subversivo às normas e regras estabelecidas são manifestados, ou seja, é um momento que permite viver diversas maneiras de violência, fervilhando ideias, falas e risos contrários ao poder social.

Podemos relacionar as noções de Maffesoli com o debate que Capra (1982) realiza sobre os sistemas sociais vivos. Para o autor a sociedade é composta de diversos sistemas de relações interpessoais, como a família, escola, instituições e cultura, e todos esses sistemas estão em um eterno processo de inter-relação, se influenciando e se modificando. Para o autor o processo de adoecimento psíquico e corporal do indivíduo ocorre quando os sistemas nos quais ele está inserido encontram-se em um processo continuo de homeostase, ou seja, estagnados e com regras e poderes bem estabelecidos.

Nesse momento que se faz possível relacionar ambos os autores debatendo que a violência e seus processos (fala, riso e a festa) são atos que visam promover um desequilíbrio dentro dos sistemas, questionando as normas vigentes e propondo novas, assim buscando uma reorganização sistêmica e servindo como promotor de saúde para os indivíduos lá inseridos.

Referências bibliográficas:

CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação: a ciência, a sociedade e a cultura emergente. São Paulo: Cultrix, 1982.

MAFFESOLI, Michel. A dinâmica da violência. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1987.

Publicado
Visualizações
990