A base material do amor, da paixão e do desejo sexual

Introdução. Neste artigo eu relaciono diretamente a psicoterapia com a neuroplasticidade, mudanças estruturais e/ou funcionais no cérebro, porque é neste ponto que os diversos tipos de sessões com psicólogos irá ajudar a recuperação de pacientes com problemas emocionais dos mais diversos.

Um casal que se ama possui uma rede muito complexa de comportamentos entre si onde talvez seria impossível entender tudo que o cerca com respeito aos cérebros dos dois nessa união!

Mas diminua em cada um deles a quantidade de oxitocina, vasopressina e luliberina e veja essa união acabar!

E então, como ficamos? Três substâncias, talvez com mais algumas, terminando algo tão profundo, duradouro e belo como nós conhecemos?

Experiências (1) específicas foram realizadas com pessoas onde eram apresentadas a elas fotografias eróticas (para uma análise no campo sexual) e da namorada ou namorado (para o elevado sentimento do amor). Verificou-se duas áreas cerebrais ativadas nessas circunstâncias: a ínsula e o estriado. A ínsula está presente no sistema límbico, nas emoções e o estriado foi verificado como o responsável tanto do amor quanto do desejo mas em pontos diferentes.

Curiosamente, essas partes do estriado estão relacionadas com o uso de drogas, sendo interessante fazer uma analogia com os estados mentais de quem está amando outra pessoa como quem estivesse “drogado”, só que se valendo de algo natural e benéfico.

A oxitocina é o hormônio ligado à felicidade, empatia, apego entre as pessoas e por isso considerada o hormônio do amor.

A vasopressina utilizada em pequenos roedores nos EUA, os arganazes, parentes de esquilos, demonstrou ser um componente essencial para a fidelidade desses animais, a ponto dos machos ficarem juntos às fêmeas sem abandoná-las. E as fêmeas tiveram o mesmo comportamento mas com o uso concomitante da oxitocina. Mesmo efeito conosco!

Já a luliberina possui um efeito intenso no desejo e na realização do ato sexual em cobaias de laboratórios. Também possuímos essa substância e, da mesma forma, aumenta o nosso apetite sexual.

Por outro lado a paixão é violenta, devastadora e nos deixam presos à ideia de sempre estarmos com a pessoa. A atração sexual é fortíssima e ficamos inquietos, ansiosos, com muita liberação de endorfina e dopamina, com muito prazer...

Regiões cerebrais, disparos de neurônios, substâncias químicas, comportamentos… Será que tudo é químico? Físico? Onde estariam a alma, o espírito, nisso tudo? A maquinaria cerebral teria influência do sobrenatural, de fatores imponderáveis, inacessíveis à nossa compreensão intelectual, racional?

Nunca sabemos quando iremos amar alguém, acontece, e o número de fatores para tanto é tão grande que beira a aleatoriedade…

Existe algo de estranho se a alma fizer parte de, generalizando, nosso caráter, personalidade, nossas emoções e sentimentos: se ela veio de um ser supremo, onipotente, onipresente e onisciente, para quê colocar o sistema mais complexo que existe, o cérebro, em nossas cabeças, se uma alma fizesse “todo o dever de casa?”. Teríamos apenas carne e ossos em nossas cabeças. (2)

E se você se perguntar: “será que somos só regiões cerebrais, disparos de neurônios e substâncias químicas produzindo comportamentos?”.

Não se esqueça que para tudo isto ter lugar em nossos cérebros, foram necessários mais de 3,5 bilhões de anos de evolução biológica.

Bibliografia:

1 - Stephanie Cacioppo, Francesco Bianchi-Demicheli, Chris Frum, James G. Pfaus, James W. Lewis. The Common Neural Bases Between Sexual Desire and Love: A Multilevel Kernel Density fMRI Analysis. The Journal of Sexual Medicine, 2012.

2 - Argos Arruda Pinto. Por que Deus não "nasce" junto na cabeça das pessoas? 2015. Disponível em: < http://orelativismodasreligioes.blogspot.com.br/2015/06/por-que-deus-nao-nasce-junto-nas.html >. Acesso em: 21/11/2017.

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