Ser um professor masculino... Em destaque

A polêmica do trabalho docente masculino em creches (CEI) persiste porque, historicamente, os cuidados e a educação de crianças pequenas vêm sendo em grande parte das culturas, uma atribuição do sexo feminino, carregando assim as marcas culturais da maternagem, ou seja, as marcas culturais do feminino. As mulheres pressupõem que os homens não sabem cuidar de crianças e podem expo-las a riscos de toda ordem.

As mulheres veem as crianças com seu olhar – com sua sensibilidade peculiar – com sua psicologia particular do universo feminino. O olhar masculino é visto como opositor à cultura estabelecida nos CEI’s. A conduta e o desempenho do homem no trabalho docente e no cuidado com as crianças é vista como incompetente, desajeitada, inadequada, por vezes, até arriscada, comprometendo, segundo as mulheres, a segurança física das crianças.

É interessante perceber que todo o tema preconceito de gênero gira, unicamente, em torno da mulher. Violência, discriminação, rejeição. Tudo. Não que isso não seja certo. Mas, não enxergamos o lado masculino... Realmente quase ninguém quer ver. O preconceito sofrido pelos homens é velado… é algo que não aparece na mídia...

A rigor (com as devidas exceções) o sexo masculino não tem o hábito da delação – da fofoca – da maledicência – do disse-me-disse – do comentário maldoso, leviano. Da traição aos amigos e colegas de trabalho. Os homens são mais leais uns aos outros. Mais parceiros. Mais cooperativos.

Para que possamos efetivar a participação do elemento masculino nos ambientes escolares e nos programas pedagógicos, precisamos questionar os valores que consideram a diferença como algo menor ou um desvio. Ou seja, devemos nos perguntar se algum pensamento dominante, modelar e excludente, tem conduzido à conformação de uma sociedade justa e igualitária.

O conceito de participação implica em uma potencialização conjunta em que não existe uma práxis que transcenda o gênero sexual, mas, todos os envolvidos produzem algo a partir dos encontros. Para que possamos funcionar como dispositivos de transformação social, junto às escolas, precisamos, em nossas intervenções, estar acolhendo a produção do outro em sua diferença, e não, transformá-la naquilo que valorizamos como adequado. Isto significa estarmos em um movimento de mudança permanente, em que afetamos e somos afetados e, nesse processo, todos são instituídos e valorizados.

Até que ponto nos deixamos afetar e nos transformar a partir desses encontros ou, vamos esperar sempre que o sexo oposto se transforme num modelo estereotipado para se adequar aquilo que aprendemos e habituamos a considerar bom ou ideal?

Reinaldo Müller > "Reizinho"

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